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Publicado em: 15/09/2005

Palinologia pode ajudar a recuperar a região do rio Guandu

Marina Lemle

 

Rio Guandu - foto de Cosme AquinoImagens microscópicas de grãos de pólen, esporos e outros microfósseis revelam um panorama muito maior: elas sugerem paisagens de um passado anterior à ação do homem. É através da palinologia – o estudo desses microorganismos fossilizados – que a bióloga Ortrud Monika Barth e sua equipe, do Laboratório de Palinologia da UFRJ, estão reconstituindo a vegetação e o meio-ambiente da região do Rio Guandu.

 

Nas últimas décadas, a região vem sofrendo graves impactos causados por diversas atividades como agricultura, pecuária e mineração. Esta última vem descaracterizando a paisagem original e provocando sérios danos ao meio ambiente, como a remoção total da cobertura vegetal dos areais.

 

Coleta de amostras Com o apoio do edital Cientistas do Nosso Estado, Monika Barth desenvolve a pesquisa intitulada “Reconstituição da paisagem da Bacia Hidrográfica do Rio Guandu, Itaguai, RJ, durante o Holoceno”. A pesquisadora coleta e estuda em laboratório sedimentos quaternários e do solo de lagos, lagoas, mangues e brejos. Preparados em laboratório com ácidos e bases, os sedimentos são observados em microscópio convencional, com aumento de até mil vezes. O estudo permite avaliar também a ação do homem sobre a vegetação, e, conseqüentemente, sobre o meio ambiente.

 

De acordo com a bióloga, a pesquisa fornece subsídios para um manejo ecológico da área, sugerindo a reconstrução da paisagem com plantas nativas e propondo o cultivo de algumas espécies que permitirão uma renda adicional à comunidade, assegurando seus direitos e o desenvolvimento local. Como exemplo, ela cita as espécies apícolas assa-peixe, angico e morrão-de-candeia, todas de crescimento rápido. “Além destas, são importantes a aroeira - característica das restingas da região -, a palmeira, a quaresmeira e a imbaúba, entre outras pioneiras”, diz.

 

Outro benefício que a reconstituição da paisagem pode trazer à região do Rio Guandu é a promoção de atividades de lazer e educação ambiental. “Poderiam ser programadas caminhadas ecológicas por trilhas e instituídas áreas de plantio para a recuperação do solo, ações que podem envolver alunos de escolas”, sugere a pesquisadora. Ela explica que só depois da recuperação do ambiente poderia ser feita a introdução de animais, além das espécies oportunas que acompanham a recuperação.

 

grãos de pólen

 

Pesquisas podem orientar políticas de conservação

 

Ao longo de seus 20 anos de existência, o Laboratório de Palinologia vêm produzindo diversas teses e publicações sobre reconstituição ambiental em diversas partes do Brasil, em especial no estado do Rio de Janeiro. Estes estudos servem como subsídio para orientar o poder público em relação a políticas de conservação.

 

No Norte Fluminense, pesquisadores dedicam-se à reconstituição ambiental das lagoas de Cima, do Campelo e Salgada, tendo sido identificada a data de início da formação das lagoas e o tipo de vegetação existente na região desde então.

 

Na Baía de Guanabara, muito já se descobriu a respeito da dinâmica da evolução do meio ambiente. A Praia Vermelha, por exemplo, foi uma restinga há cerca de 4500 anos. A paisagem mudou devido a fatores ambientais relacionados à oscilação do nível do mar, anteriores à ocupação européia.

 

A equipe do laboratório também pesquisa a evolução do ambiente da Baía de Sepetiba nos últimos 6 mil anos e a evolução da paisagem do médio vale do rio Paraíba do Sul nos últimos 30 mil anos. “Lá foi possível observar que a instalação de uma mata densa e com grande biodiversidade só deve ter sido possível nos últimos 3 mil anos. Antes, a região apresentaria um mosaico de vegetação composto por matas e áreas de campo/savana”, revela Monika Barth.

 

 

Leia mais:

A Palinologia como Ferramenta no Diagnóstico e Monitoramento Ambiental da Baía de Guanabara e Regiões Adjacentes, Rio de Janeiro, Brasil – Artigo de Ortrud Monika Barth publicado no Anuário do Instituto de Geociências - UFRJ - Volume 26 / 2003

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