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Publicado em: 16/05/2003

Pesquisadores anunciam resultados da primeira fase do Projeto RioGene

Marcos Patricio

 

Uma  rede reunindo pesquisadores de sete instituições científicas fluminenses, a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (SECTI) e a Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (FAPERJ)  anunciaram, em 16 de maio, no Auditório do Centro Administrativo do Estado do Rio de Janeiro, os resultados da primeira fase do Projeto Genoma do Rio de Janeiro (RioGene). Trata-se do primeiro projeto de seqüenciamento genético reunindo, exclusivamente, laboratórios do Rio de Janeiro.

 

Participaram da apresentação pública dos resultados da etapa de seqüenciamento do Projeto RioGene: o secretário de estado de Ciência, Tecnologia e Inovação, Fernando Peregrino; o secretário de estado de Agricultura, Christino Aureo; o diretor-presidente da FAPERJ, Epitácio Brunet; o coordenador do RioGene, Professor Paulo Cavalcanti Gomes Ferreira; e o Professor Adalberto Vieyra, integrante da Comissão de Assessoramento Científico e Tecnológico ao Programa de Apoio às Entidades Estaduais da FAPERJ, entre outros.

 

Também estiveram presentes ao evento, o diretor científico da FAPERJ, Professor Jerson Lima Silva; o diretor de tecnologia, Professor Marcos Cavalcanti; a diretora de administração e finanças, Maria Carolina Pinto Ribeiro; o subsecretário de Ciência e Tecnologia, Thales Pontes Luz; o vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências, Carlos Eduardo Rocha Miranda,entre outros. Participaram, ainda, representantes de governo, da iniciativa privada e da comunidade científica.

 

Já foram seqüenciados 98,2% do genoma da bactéria 

 

Segundo o Professor Paulo Ferreira, coordenador do RioGene, já foram decifrados 98,2% da seqüência genética da Gluconacetobacter diazotrophicus, bactéria presente na cana-de-açúcar e que retira do ar o gás nitrogênio (N2) e o transforma em um sal que estimula o crescimento e o repassa para a planta que não é capaz de fazer isso sozinha. A bactéria, responsável pela fixação biológica do nitrogênio, também está presente em outras culturas de importância agrícola, como o café, a banana e a batata doce.

 

Lançado em novembro de 2000, o RioGene teve início em abril do ano seguinte. A fase de seqüenciamento do projeto está praticamente concluída e já é possível adiantar algumas características da bactéria estudada. De acordo com o Professor Paulo Ferreira, a Gluconacetobacter diazotrophicus é uma bactéria unicelular, cujo cromossomo apresenta forma circular e tem 4,3 milhões de pares de bases.

 

“A principal diferença entre o genoma da Gluconacetobacter diazotrophicus e o de outras bactérias são as suas características fisiológicas. Os genes da Gluconacetobacter diazotrophicus fazem com que essa seja uma ‘bactéria do bem’. Ela não vive no solo, apenas na planta, e não causa nenhum tipo de doença, apenas é responsável pela fixação biológica do nitrogênio”, explicou Paulo Ferreira.

 

País pode economizar R$ 100 milhões

 

“Um dos principais desafios do Projeto Genoma do Rio de Janeiro é a possibilidade de, no futuro, os pesquisadores poderem aprimorar o rendimento metabólico da bactéria, ampliando sua capacidade de fixação biológica de nitrogênio”, avalia o secretário Fernando Peregrino. Estudos preliminares estimam que, reduzindo em 30% a quantidade de fertilizantes nitrogenados aplicados em toda a área cultivada com cana-de-açúcar no país - cerca de 4 milhões de hectares na safra 2001/2002 - seria  possível economizar em torno de R$ 100 milhões por ano.

 

 Durante o evento, Fernando Peregrino informou que o Brasil consome anualmente 11 milhões de toneladas de fertilizantes nitrogenados o que corresponde a uma despesa de US$ 1,8 bilhão. “Se o país fizer uma redução de 10% desse volume será possível economizar US$ 180 milhões por ano”, ressaltou o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação. 

 

A capacidade da Gluconacetobacter diazotrophicus de produzir hormônios que aceleram o crescimento vegetal também será investigada pelos pesquisadores. Estudos mostram que bactérias como essa, encontradas em outras culturas de grãos, têm alto potencial biofertilizante adicional graças à produção destes hormônios. “Em conseqüência destes dois fatores complementares, estima-se que a utilização continuada de tais bactérias na agricultura brasileira possa gerar uma economia anual superior a R$ 700 milhões com a redução do uso de fertilizantes”, destacou o Professor Adalberto Vieyra. 

 

FAPERJ já investiu R$ 3,1 milhões no projeto


Durante a apresentação dos resultados do RioGene, o diretor-presidente da FAPERJ, Epitácio Brunet, anunciou que o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) deverá firmar convênio com a FAPERJ e repassar recursos complementares para o Programa de Biotecnologia, que abrange o Projeto RioGene e a Rede Proteômica. Até o momento, já foram investidos R$ 4.570.000,00 no RioGene. A FAPERJ aplicou R$ 3.170.000,00 e o MCT/CNPq, R$ 1,4 milhão.

 

“O fomento à pesquisa de seqüenciamento da Gluconacetobacter diazotrophicus reflete o entendimento que a FAPERJ tem da importância de uma política pública voltada para a ciência e tecnologia em um estado como o Rio de Janeiro, que reúne alta qualidade de pesquisadores e cientistas de destaque no Brasil e no exterior. No caso específico dessa bactéria, vislumbra-se a sua aplicação na cultura da cana-de-açúcar, um produto de tradicional importância na agricultura fluminense. Ganhos de qualidade e produtividade poderão ser percebidos claramente a médio e longo prazos”, destaca o diretor-presidente da FAPERJ, Epitácio Brunet.

 

Segundo o Professor Paulo Ferreira, antes de iniciar a otimização do potencial de fixação de nitrogênio da bactéria será preciso avançar nas pesquisas. A leitura das informações do ácido desoxirribonucleico (DNA) da Gluconacetobacter diazotrophicus  foi feita utilizando equipamentos seqüenciadores adquiridos com recursos da FAPERJ para uma rede de laboratórios por ela estruturada, envolvendo centenas de pesquisadores, estudantes e técnicos, muitos deles recebendo bolsas da fundação.

 

Projeto prevê o aprimoramento da bactéria

 

Paralelamente ao término do seqüenciamento, os pesquisadores vão iniciar a fase de anotação, quando passarão a identificar os genes, indicar sua localização e descrever algumas funções das proteínas por eles codificadas. “Até o fim deste ano deveremos concluir as pesquisas e publicar os resultados em uma revista especializada”, explica Paulo Ferreira, pesquisador do Departamento de Bioquímica Médica do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

Só depois de finalizado o seqüenciamento e da publicação do genoma completo é que os cientistas poderão dar início a uma nova fase da pesquisa que culminará com o aperfeiçoamento metabólico da Gluconacetobacter diazotrophicus. No entanto, para que isso seja possível, ainda será preciso responder a uma série de questões. É preciso saber, por exemplo, como a bactéria invade e permanece na planta; como elas interagem; e como se dá a fixação de nitrogênio e a troca de nutrientes.

 

O Projeto Genoma do Rio de Janeiro reúne pesquisadores, estudantes e técnicos do Departamento de Bioquímica Médica do Instituto de Ciências Biomédicas, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho e do Departamento de Genética do Instituto de Biologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); do Departamento de Entomologia e Fitopatologia do Instituto de Biologia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ); do Departamento de Bioquímica e do Departamento de Bioquímica, Biofísica e Biologia Celular e Genética do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Ibrag) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj); do Laboratório de Biotecnologia/CBB da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf); do Centro Nacional de Agrobiologia da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa); do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT); e da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio).

 

Veja algumas matérias veiculadas nos principais jornais do país.

 

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