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Publicado em: 13/01/2022

Estudo desenvolvido na Uerj investiga a vida marinha na Baía da Ilha Grande

Débora Motta

Pyura beta: uma das novas espécies descobertas
pelo grupo de 
pesquisa do Mar da Uerj na Ilha
Grande (Fotos: Divulgação/Bentos/Uerj)

A aplicação do conhecimento científico como alicerce para o uso sustentável dos oceanos é uma das metas previstas na agenda internacional das Nações Unidas, que definiu o período entre os anos de 2021 a 2030 como a Década da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável. Nesse contexto, o biólogo marinho Luís Felipe Skinner, líder do Grupo de Pesquisa em Ecologia e Dinâmica Bêntica Marinha, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), vem coordenando diversas pesquisas na baía da Ilha Grande, na Costa Verde fluminense, com apoio da FAPERJ. “O objetivo desses projetos é fazer um inventário das espécies bênticas marinhas e um diagnóstico da conservação ambiental na Ilha”, explicou Skinner, contemplado em editais como o Auxílio Básico à Pesquisa em Instituições de Ciência e Tecnologia Estaduais (Uerj, Uenf e Uezo) e o Apoio às Universidades Estaduais do Estado do Rio de Janeiro.

Um desses estudos tem o objetivo de investigar a presença e quantidade de microplásticos presentes nas águas da baía. Surpreendentemente, foram encontrados resíduos do material mesmo em praias bem preservadas na Ilha Grande, como Lopes Mendes, um dos seus cartões postais. “Observamos a ingestão de microplástico por animais marinhos invertebrados, como as ascídias e anfípodas, em diferentes localidades, inclusive em áreas consideradas mais remotas, como Dois Rios, e em áreas de proteção ambiental, como Piraquara de Fora. Esses dados refletem a necessidade de mais monitoramentos sobre os efeitos da ingestão de microplástico na biota marinha da área, assim como alerta para novos perigos à biodiversidade na região. O lixo se espalha carregado pela correnteza”, explicou Skinner, que leciona na Faculdade de Formação de Professores de São Gonçalo (FFP/Uerj) e coordena o Museu do Meio Ambiente do Ecomuseu Ilha Grande, ambos campi avançados da universidade.

Aula de campo na Baía da Ilha Grande: resíduos de
microplástico foram encontrados nas águas, mesmo em praias consideradas bem preservadas e remotas 

Trata-se do primeiro estudo que identificou a presença de microplásticos em organismos da Bacia de Ilha Grande. “O microplástico é um problema que vem chamando a atenção dos pesquisadores. Muito se fala sobre plástico biodegradável. No entanto, a indústria tem trabalhado com plásticos que se fragmentam muito mais rapidamente, mas em fragmentos tão pequenos que os organismos conseguem ingerir, e não temos ainda o amplo conhecimento do que isso pode gerar, do efeito tóxico dessas substâncias para o metabolismo dos organismos marinhos e dos seres humanos”, ponderou. A pesquisa teve como desdobramento a publicação de um artigo, em agosto de 2021, no Journal of Human and Environment of Tropical Bays, intitulado “Ingestion of microplastics by benthic marine organisms in the Ilha Grande Bay heritage site on Southeastern Brazil”. Além de Skinner, são autores Paulo Cezar Azevedo da Silva, Rayane Sorrentino, Brenda Dos Santos Ramos e André Rezende de Senna.

Outra contribuição recente do grupo liderado por Skinner foi a descoberta de duas novas espécies marinhas na Baía de Ilha Grande: Leucothoe angrensis (um anfípode que vive dentro de uma ascídia), e a ascídia Pyura beta. As ascídias são organismos invertebrados filtradores que se alimentam de partículas orgânicas em suspensão e costumam se fixar em substratos, como rochas no mar, podendo formar colônias. A primeira espécie foi descrita em artigo assinado em coautoria com o biólogo André Senna, também da FFP/Uerj, que recebe o apoio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ. Intitulado A new ascidian-dwelling species of Leucothoe Leach, 1814 (Amphipoda: Leucothoidae) from Ilha Grande Bay, Rio de Janeiro state, Brazil, o artigo está disponível para leitura no Journal of Natural History. A segunda, Pyura beta, foi batizada em alusão à sua cor púrpura e está presente no mar do Caribe e no Brasil. O artigo, "Pyura gangelion and Pyura beta sp. nov. (Ascidiacea: Pyuridae): an exotic and a new tunicate from the West Atlantic", foi publicado na revista científica internacional Zootaxa, em coautoria com Rosana M. Rocha e Bailey K. Counts. 

Skinner destaca que as espécies bênticas ou bentônicas — aquelas que vivem em associação com o fundo do ambiente marinho, em praias, fundo de oceanos ou em substratos consolidados como recifes, rochas, pilares de pontes e embarcações humanas — são importantes “termômetros” naturais da saúde desse ecossistema e fornecem pistas valiosas sobre a qualidade da vida marinha na Baía da Ilha Grande. “Estamos desenvolvendo projetos para acompanhar as espécies que já conhecemos, se alguma desapareceu, se há espécies novas registradas para a Ciência ou se espécies deslocadas de outros habitats foram introduzidas ali, como indicador da saúde ambiental da baía de Ilha Grande”, contou.

Luís Felipe Skinner destaca a necessidade de
investimentos contínuos para os estudos
desenvolvidos na área de Ciências do Mar 

Ele lembra que os oceanos prestam diversos serviços ecossistêmicos, desde a regulação do clima, até o oxigênio para a respiração humana, passando pelo fornecimento de recursos alimentares, como pesca ou maricultura, além de impactarem a economia local, com o transporte de bens e serviços e turismo. “No caso da baía da Ilha Grande, nos últimos dez anos percebemos uma pressão cada vez maior sobre os ecossistemas costeiros, por várias razões, como o aumento do tráfego de navios no terminal de Angra dos Reis, com o risco de acidentes envolvendo vazamentos de óleo e o turismo crescente na região. Nas nossas atividades de mergulho, observamos impactos na principal espécie de coral da Ilha, a Mussismilia hispida, atingidas pelo lançamento das âncoras de lanchas ancoradas no costão”, relatou.

Nesse sentido, o biólogo marinho destaca a importância da continuidade no repasse de recursos à pesquisa e o papel das agências estaduais de fomento, como a FAPERJ, como indutoras da Ciência, Tecnologia e Inovação. “Temos recebido nos últimos anos apoio da Fundação por meio de diversos editais, que permitiram a montagem de laboratório e a compra de equipamentos para o Centro de Estudos Ambientais e Desenvolvimento Sustentável (Ceads), polo da Uerj na llha Grande. O grupo de Ciências do Mar da Uerj possui projetos que são uma construção coletiva, de infraestrutura básica de pesquisa e com grandes resultados. Ele envolve professores de três unidades diferentes da universidade e que trabalham com o mar: a Faculdade de Formação de Professores (Departamento de Ciências), o Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (Departamentos de Zoologia e Genética) e a Faculdade de Oceanografia (Departamento de Oceanografia Química)”, detalhou.

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