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Publicado em: 19/11/2020 | Atualizado em: 23/11/2020

Webinar discute a impacto da pandemia na produção e reestruturação das pesquisas

Por Ascom Faperj

Da esquerda para direita: Dante Alario Junior (acima), presidente da Alifar; Floriano
Pesaro, consultor da OIE;
 Jerson Lima, presidente da FAPERJ; e Sandra Coccuzzo
Sampaio Vessoni, diretora do CDC do Instituto Butantan
(Imagem: Reprodução)

A Sociedade Americana de Química promoveu nesta quarta-feira, 18 de novembro, o webinar “Impacto da pandemia sobre as pesquisas científicas”, promovido pela Chemical Abstracts Service (CAS), uma divisão da Sociedade Americana de Química que teve entre os debatedores o presidente da FAPERJ, Jerson Lima Silva. Também foram convidados a diretora do Centro de Desenvolvimento Científico (CDC) do Instituto Butantan, Sandra Coccuzzo Sampaio Vessoni, o presidente da Asociación Latinoamericana de Industrias Farmacéuticas (Alifar), Dante Alario Junior, e o consultor sênior da Organização de Estados Ibero-americanos para a Educação a Ciência e a Cultura (OEI), Floriano Pesaro.

Para abrir o evento, a gerente regional do CAS no Brasil e mediadora, Denise Ferreira, destacou a importância da discussão ao mencionar que a América Latina concentra 7% da população mundial e 33% das mortes por Covid-19. Como contribuição da Sociedade para facilitar o acesso às pesquisas já desenvolvidas para o tratamento da doença, a gerente destacou o hub de informações elaborado pela entidade para facilitar o trabalho dos pesquisadores da área.

Floriano Pesaro, consultor da OEI, falou da expressiva produção brasileira com a temática de Covid-19, um total de 1915 artigos, em dados recolhidos entre fevereiro e julho e que envolveram 71 instituições brasileiras. “No âmbito iberoamericano, o Brasil ficou apenas atrás da Espanha, que produziu o dobro, mas também conta com um investimento maior que o dobro do Brasil”, comentou. Outro ponto de destaque foi a maior interação entre pesquisadores, tanto no âmbito nacional quanto internacional e entre instituições públicas e privadas.

Em seguida, Sandra Vessoni, diretora do CDC do Instituto Butantan, destacou a importância de o Instituto contar com uma fundação para tornar mais ágil a compra de insumos no exterior para o desenvolvimento de testes de Covid-19. “Mesmo tendo um apoio de uma fundação para facilitar a importação de insumos, tivemos dificuldades de responder a demanda de testes. Tudo aquilo que a gente precisava ter, todo mundo precisava. Estávamos numa época em que a Europa estava comprando quase tudo. Essa dependência foi uma questão de perder o sono”, contou a pesquisadora.

Atualmente o Instituto conta com 94 pesquisadores distribuídos em 14 laboratórios e, com a pandemia, foi criado o “Laboratório de Diagnóstico Estratégico”. Outra frente de atuação do Butantan foi a produção de conteúdo informativo para a população. “Não temos como combater o que é disseminado, mas se a pessoa quiser verificar, temos todo o conteúdo disponibilizado em nosso site”, disse.

O presidente da Alifar, Dante Alario Junior, comentou que a pandemia comprovou uma situação que há muito os industriais do setor no Brasil discutiam: a extrema dependência de insumos para fabricação de remédios do exterior. “Sabíamos que era um problema, mas não tínhamos um exemplo para informar. Índia e China, grandes produtores desses insumos, não deram conta da produção. E a China também segurou a exportação própria”, disse, e acrescentou que na região a dependência varia entre 85% a 95% de insumos estrangeiros.

Alario também fez um histórico dos investimentos do setor em inovação, iniciado na década de 1980 no Brasil, mas interrompido com a abertura econômica promovida durante o governo Collor. Ele também defendeu a necessidade de uma política industrial de Estado e não de governo, que mude a cada gestão. De acordo com o industrial, na última década houve uma retomada de investimentos em inovação por parte do setor farmacêutico nacional, especialmente para mudanças incrementais.

O presidente da FAPERJ, Jerson Lima, falou do alto retorno obtido com os investimentos
em ciência e reforçou a importância da pesquisa básica (Imagem: Reprodução)

Por último, o presidente da FAPERJ destacou o retorno do investimento em ciência para a sociedade e a necessidade de uma maior liberação de recursos e citou que atualmente existem 111 projetos totalmente financiados pela Fundação em relação à Covid-19. “A ciência é muito barata para o retorno que se tem. Sabemos das dificuldades econômicas e acredito que os parlamentares estão compreendendo isso e são aliados”, disse se referindo à aprovação no Senado do Projeto de Lei Complementar 135/2020, que proíbe o contingenciamento do Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) e enviado para a Câmara dos Deputados em agosto.

Lima usou a metáfora de uma árvore para falar da importância do investimento em pesquisa básica, que seriam as raízes, capazes de sustentar um crescimento que no futuro fornecerá frutos. “Se não há ciência básica, vai ser muito difícil obter inovações radicais”, disse. O presidente apresentou os dados produzidos pela pesquisadora Fernanda Negri, do Instituto de Pesquisa e Estatística (Ipea), que compara a queda dos investimentos federais a partir de 2015, quando se alcançou um pico de 14 bilhões, contra a média atual de cerca de seis bilhões. Para finalizar, Lima informou que o soro produzido por cavalos, projeto fruto de parceria do Instituto Vital Brazil com UFRJ e Fiocruz e coordenado por ele, encontra-se em fase de aprovação junto à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Conselho Nacional em Ética e Pesquisa (Conep).

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