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Publicado em: 19/11/2020

Bolsista da FAPERJ está na final do FameLab mundial

Claudia Jurberg e Paula Guatimosim

A final brasileira do FameLab foi transmitida pela TV Cultura, no último 
domingo, quando Gabriela foi anunciada vencedora.
 (Fotos: FameLab)

Pós-Doutoranda na Universidade Federal Fluminense (UFF) com bolsa da FAPERJ, a carioca Gabriela Ramos Leal, de 34 anos, está entre os 10 finalistas da competição científica internacional, cujo resultado será divulgado no dia 26 de novembro. Formada em Medicina Veterinária pela Universidade do Grande Rio (Unigranrio), com Mestrado e Doutorado em Clínica e Reprodução Animal pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e um período sanduíche na Universidade de Adelaide, na Austrália, Gabriela é a primeira mulher, primeira médica-veterinária e primeira negra a vencer a competição nacional. Nos últimos dias ela esteve totalmente focada na preparação do vídeo que gravou para ser avaliado pelos jurados da etapa final.

O evento, realizado em 32 países pelo British Council, teve sua etapa de premiação brasileira transmitida no último domingo, 15 de novembro, pela TV Cultura, com apresentação de Marcelo Tas. Além de Gabriela, outros cinco jovens que desenvolvem suas pesquisas em universidades do Rio de Janeiro participaram da semifinal, que reuniu 30 competidores. Em seu vídeo de inscrição, Gabriela aparece com um copo e gelo na mão e diz: “O Capitão América é ficção mesmo, mas o poder do gelo é ciência”, para explicar a importância da criopreservação de embriões, sua principal linha de pesquisa. Na fase seguinte, a carismática jovem mostrou que aprendeu as lições do treinamento em Comunicação científica oferecido pelo concurso, conquistando os jurados com um conceito científico relevante na atualidade e pouco mencionado: o desenvolvimento do soro para tratar a Covid-19 a partir de testes em cavalos (clique aqui para assistir).

Gabriela: "Me apaixonei pela arte de contar uma
boa história ... de ser ouvida e de tocar as pessoas"

Gabriela diz que desde criança teve dois amores: os animais e a Comunicação, embora ela ainda não entendesse bem o que era se comunicar. “Eu cresci ouvindo histórias. Do meu pai, da minha tia, da minha avó. E me apaixonei pela arte de contar uma boa história. Pela possibilidade de ser ouvida, compreendida e de conseguir tocar as pessoas”, explica, tentando justificar sua facilidade de comunicação. A pesquisadora diz que foi o amor pelos animais que a levou à Medicina Veterinária, onde conheceu a ciência, que logo se tornou um novo amor. “Percebi que ‘contar histórias’ sobre a ciência a tornava mais fácil de ser ouvida, compreendida e de tocar as pessoas. Foi aí que esses amores misturados me levaram à Comunicação científica”, esclarece.

A representante do Brasil na final do FameLab conta que durante o evento conheceu uma rede de pessoas igualmente apaixonadas pela Comunicação científica e que todo o processo se deu como o aperfeiçoamento de uma rede colaborativa e não como uma competição. “Durante a semifinal e final nacional, estipulei como missão pessoal me empenhar em apresentar áreas não tão conhecidas da Medicina Veterinária e da atuação dos animais. Áreas que causam impacto na sociedade e na saúde das pessoas, ainda que elas não fossem o meu campo específico de pesquisa. Foi uma incrível oportunidade de unir esses três grandes amores. “Eu não imaginava que isso me levaria a ser escolhida como vencedora. Mesmo. Eu só falei com todo o amor que tenho por esses três mundos para mostrar que boas histórias surgem quando eles se conectam. Agora, representar o Brasil tem um peso maior. Não sou apenas eu. Estou representando outros 29 incríveis cientistas brasileiros que caminharam comigo não só durante o FameLab Brasil. A rede de apoio que se formou foi muito além da competição e muitos deles estão trabalhando comigo para que eu possa fazer a melhor entrega possível no internacional. Certamente não estou indo só. E poder ver essa união em prol do nosso País é maravilhoso”, conta a jovem cientista, que integra um coletivo de médicos-veterinários negros, que buscar conquistar maior representatividade.

Em seu curso de Pós-Doutorado na UFF, Gabriela será orientada por Joanna Souza-Fabjan, que, por seus relevantes estudos na área de reprodução animal, também venceu em fevereiro deste ano a competição mundial promovida pela Sociedade Internacional de Tecnologia de Embriões na categoria ‘Jovens pesquisadores’. Foi a primeira vez que o Early Career Achievement Award foi concedido a uma mulher e a um representante do Brasil. Joanna conta que Gabriela sempre chamou sua atenção, desde os primeiros contatos que teve com Gabriela na Universidade, em meados de 2014. “É aquela aluna que você vê rapidamente que nasceu para vida acadêmico-científica. Comprometida, empolgada ao comunicar e dedicada. Dedicação que, inclusive, fez com que ela conseguisse a bolsa de doutorado sanduíche para a Austrália”, afirma.

Joanna: "Gabi é uma das pessoas mais incríveis
que já conheci na vida”

A orientadora diz que sempre observou o brilho nos olhos de Gabriela ao falar de seus projetos de Mestrado e Doutorado, sempre com muita facilidade para passar as informações mais complicadas da forma mais simples possível. “Quando penso que o objetivo do Famelab é a união dos 3 “Cs”: conteúdo, clareza e carisma, com todo o respeito aos demais candidatos, estou certa de que a ‘Gabi’ tinha que levar essa”, comemora Joanna, que não poupa elogios à pupila. “Além disso, ela tem o dom de conquistar as pessoas, é uma característica dela, uma a energia positiva que a gente sente de longe. Ela é um ser humano abençoado, uma das pessoas mais incríveis que já conheci na vida, do ponto de vista profissional e pessoal”, ressalta Joanna, para quem Gabi é uma cientista nata. “É emocionante saber que a campeã brasileira e finalista internacional é essa pessoa que merece tanto e que sempre foi e será uma grande entusiasta da ciência. É um orgulho tê-la em nossa equipe e na nossa vida”, considera Joanna.

Na competição, os jovens pesquisadores são desafiados a contar em apenas três minutos um conceito científico de forma simplificada para atingir diversos públicos e são avaliados por uma comissão externa. Gabriela foi selecionada dentre os 118 inscritos na competição. Na etapa semifinal, Gabriela falou sobre os animais transgênicos biorreatores e, na final, onde concorreu com outros 30 finalistas, abordou a utilização de cavalos para produção de anticorpos como soros antiofídicos e novas pesquisas com Covid-19.

O FameLab foi lançado em 2005 pelo Festival de Ciência de Cheltenham, na Inglaterra, e é realizado em 32 países pelo British Council. É considerada, hoje, uma das maiores competições de Comunicação científica do mundo. Seu objetivo é promover a aproximação entre cientistas e público em geral, por meio da contextualização e abordagem de temas científicos no dia a dia da sociedade, além de incentivar o desenvolvimento de competências em comunicação, em especial a habilidade oral. No Brasil, a iniciativa está em sua quarta edição e conta com a parceria do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). 

Para ver a apresentação completa da Gabriela Ramos Leal, acesse o canal do YouTube do British Council no Brasil em https://www.youtube.com/watch?v=2ywDcgxpXIk.

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