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Publicado em: 15/10/2020

Costa do Nordeste já sofreu com Tsunami após terremoto que atingiu Portugal

Claudia Jurberg

Estudo permitiu simular, em um cálculo aproximado,
o tamanho das ondas que teriam atingido o litoral do
Nordeste em localidades da Paraíba e de Pernambuco

No dia 1º de novembro de 1755, Lisboa foi arrasada por um terremoto que desencadeou um dos mais devastadores tsunamis, atingindo as costas atlânticas da África, América e Europa. Até recentemente, os impactos transatlânticos deste tsunami tinham sido descritos apenas para algumas ilhas do Caribe, mas o grupo de pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) realizou um trabalho de campo, no qual percorreu 270 km, incluindo 22 praias, entre o Rio Grande do Norte e o sul de Pernambuco. Entre as amostras coletadas em quatro diferentes locais, uma delas apresentou evidências da chegada do tsunami também na costa brasileira.

Os pesquisadores analisaram documentos históricos, rodaram modelos numéricos e coletaram dados sedimentológicos que confirmam a chegada do tsunami de 1755 também no Nordeste do país. Para selecionar os pontos mais prováveis  de terem preservado o registro geológico desse evento, os pesquisadores partiram dos registros históricos disponíveis sobre um possível impacto do tsunami na costa brasileira, o grupo realizou simulação numérica para identificar áreas ao longo da costa mais suscetíveis a fortes inundações naquele ano.

Com base nisso, vários levantamentos sedimentológicos foram realizados. Em Pontinhas (PB), foi possível detectar uma camada peculiar de areia grossa. Análises geoquímicas, do tamanho de grão, e outros itens das camadas sedimentares sugerem uma associação com um evento de alta energia como responsável pela deposição. Com base em todos os dados de modelagem histórica, sedimentológica e numérica apresentados, os pesquisadores da Uerj indicam uma associação altamente provável e compatível ao tsunami de 1755, demonstrando pela primeira vez as evidências desse fenômeno no Atlântico Sul.

Trabalho de campo na praia de Pontinhas, Pitimbu (PB), contou 
com a participação do professor Pedro Costa, da Universidade
de Coimbra/Instituto Dom Luiz (Fotos: Divulgação/Uerj)

O estudo resultou no artigo intitulado “Can modeling the geologic record contribute to constraining the tectonic source of the AD 1755 Great Lisbon earthquake?”, submetido ao periódico Earth ans Space Science, da American Geophysical Union, e que aguarda publicação. Ele descreve as simulações de runup (a altitude que a onda chegou na praia) e run in (o quanto a onda adentrou o continente). Os resultados de runup mostraram valores de 1,8 a 1,7 metro para a região de Lucena; de 1,5 a 1,1 metro para a região de Pitimbu, ambas na Paraíba; e a variação entre 1,9 e 1,8 metro para região de Tamandaré, em Pernambuco. Com relação aos valores de inundação, foram obtidos resultados de até quatro quilômetros distantes da linha de costa, principalmente em locais com influência de rios, nas proximidades da Ilha de Itamaracá (PE).

Segundo Francisco Dourado, que recebe apoio da FAPERJ para a realização de sua pesquisa por meio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado, esses valores validam o modelo associado aos registros históricos que relatam “[...] enchente do terremoto entrou pela terra dentro, couza de humalegoa [...]” (citado por Alberto Veloso, membro da equipe, no livro “Tremeu a Europa e o Brasil também.”,2015, p. 125), sendo uma légua equivalente entre quatro e cinco quilômetros. 

Grupo de pesquisa coordenado por Dourado sobre desastres naturais, o Cepedes (www.cepedes.uerj.br) ainda possui um projeto aprovado dentro do Brics – grupo de países emergentes formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul –, cujo objetivo é a troca de experiências entre Brasil, China e Rússia sobre metodologias de mapeamento de áreas de risco de deslizamentos em regiões montanhosas. A área de estudo no Brasil será a região serrana do Rio de Janeiro. "Estão programadas visitas em Chengdu, na base da cordilheira do Himalaia na China e na região de Sochi, na Rússia, palco das Olímpiadas de Inverno de 2014, assim como a vinda de delegações da China e da Rússia que serão recebidas na Uerj. Desses encontros, espera-se recomendação sobre as melhores práticas de mapeamento de áreas de risco a deslizamentos de terra encontradas nos três países", conta Dourado.

O professor Francisco Dourado fala a alunos da Escola
Municipal 
Douglas Brasil, em Nova Iguaçu, sobre áreas
de risco de deslizamento e inundação, usando a técnica
de caixa de areia com 'realidade aumentada'

O grupo de pesquisa, composto por alunos de graduação, de pós-graduação, docentes e outros pesquisadores da Uerj e de outras instituições de pesquisa do Rio de Janeiro, ainda possui um projeto de extensão em escolas públicas do estado, onde é usada a técnica da "Realidade Aumentada" em uma caixa de areia para simular locais com maior risco de deslizamentos e inundações. "Foram feitas visitas a 22 escolas entre 2017 e 2019. Nesses encontros, foram abordadas questões sobre desastres naturais, que alcançaram um público de mais de 11 mil alunos e funcionários", diz o pesquisador. 

Como lembra Francisco Dourado, todos os anos, centenas de pessoas morrem no Brasil devido a desastres naturais e a média anual de mortes devido essa causa tem crescido anualmente. O Estado do Rio de Janeiro tem ocupado lugar de destaque nessas estatísticas, principalmente pelos grandes acidentes que ocorreram nos últimos anos. O impacto humano e social desses desastres é bem significativo. Ainda não há um método para eliminar a ocorrência de desastres naturais, mas segundo ele ações podem ser tomadas no intuito de se diminuir a vulnerabilidade e aumentar a resiliência das comunidades. Para isso, a sociedade precisa conhecer os perigos aos quais está exposta e as perdas potenciais devido a esses processos perigosos. Nesse sentido, procura treinar e capacitar a população exposta a processos perigosos e técnicos dos
Governos do Estado e dos municípios do Rio de Janeiro
para minimizar o número de mortes e outras perdas.

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