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Publicado em: 28/05/2020

Turismo fluminense, após retração, avalia cenário pós-pandemia

Juliana Passos

Um dos principais cartões-postais da capital fluminense, a praia de
Copacabana deixou de receber turistas durante a pandemia com a
proibição do uso de suas areias 
(Foto: Halley Oliveira/Pixabay)

O setor de turismo no País vem sofrendo enormes prejuízos desde a chegada do novo coronavírus ao território brasileiro. No Estado do Rio de Janeiro, a queda nos negócios foi ainda mais significativa quando comparada com outros estados. De acordo com dados divulgados em maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), enquanto a retração média nacional ficou em 30% no mês de fevereiro, no Rio de Janeiro, no mês de março, esse índice chegou a 36,6%. O tombo nos negócios foi puxado especialmente pelo faturamento de empresas do transporte aéreo e hotelaria. Os dados fazem parte do balanço mensal de março do setor de serviços divulgados pelo IBGE que caiu 6,9% no Brasil e 9,2% no Estado do Rio.

Para entender melhor os impactos da pandemia no setor de turismo no Brasil, a Rede Brasileira de Observatórios de Turismo (RBOT) realizou uma sondagem com empresas em 13 estados. No Rio de Janeiro, a aplicação do questionário ficou sob a responsabilidade do Observatório de Turismo do Rio, da Faculdade de Turismo e Hotelaria da Universidade Federal Fluminense (UFF), criado em 2012 com recursos obtidos por meio do edital Pensa Rio, da FAPERJ.

No estado fluminense a pesquisa foi aplicada entre os dias, 8 e 27 de abril de 2020, com uma amostra de 180 empresas do setor de turismo, com perguntas sobre impactos da pandemia no faturamento, capacidade de capital de giro, demissões de funcionários, medidas esperadas dos governantes e medidas que serão adotadas pelas empresas para mitigar os impactos da crise.

Os dados obtidos sobre o Rio de Janeiro, de acordo com o professor e pesquisador João Evangelista Dias Monteiro, um dos coordenadores do Observatório, estão muito próximos dos observados nacionalmente. “A maioria das empresas do setor é pequena, micro ou formada por microempreendedores individuais (MEI) e 50% dos respondentes tem capital de giro para manter as atividades em até dois meses sem faturamento, o que começou a ocorrer a partir de abril”, diz o diretor da Faculdade de Turismo e Hotelaria da UFF.

Ainda de acordo com o estudo, 45% das empresas demitiram funcionários e, outras 46% estão realizando trabalho remoto ou home office. Apenas 3% declararam não terem sido afetadas ainda. O economista ressalta que esses dados foram coletados em abril e que, uma nova pesquisa será realizada em junho para reavaliar as condições das empresas no setor de turismo. Segundo o pesquisador, doutor em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista na Economia do Turismo, o cenário esperado é de uma deterioração das condições de negócios e de dificuldade maior para as empresas. A pesquisa revelou algumas das medidas que vêm sendo adotadas para mitigar os efeitos da crise: 52% dos entrevistados disseram que adiaram investimentos e projetos; 30,66% afirmaram que pensam em demissões, e 41,7% em férias e licenças. Entre as medidas que indicam como efetivas para serem adotadas pelos governos, destacam a redução de impostos (71,7%) e acesso a crédito ou financiamento (53%).

“A redução ou carência no pagamento de impostos durante o período da pandemia parece mais interessante do que a oferta de crédito, pois estamos falando de empresas pequenas que muitas vezes têm dificuldades de acessar esse crédito. O governo federal anunciou um auxílio de R$ 5 bilhões para o setor de turismo, mas sem a redução da burocracia no acesso ao crédito e a utilização de uma taxa de juros de 0%, essa ação será pouco eficiente para salvar as empresas”, explica Evangelista. Apenas 7,78% das empresas entrevistadas declararam ter capital de giro para suportar até seis meses de crise.

O economista faz a ressalva de que não existem informações precisas sobre o impacto do setor no Produto Interno Bruto estadual e nacional e essa ausência dificulta a projeção de impactos. Ele lembra que foi exatamente para suprir essa necessidade que surgiu, em 2017, a Rede Brasileira de Observatórios de Turismo, com o objetivo de produzir dados e estatísticas sobre o setor de turismo a partir da utilização das metodologias recomendadas pela Organização Mundial do Turismo (OMT), e a padronização das mesmas, em nível nacional. “Ainda que o turismo movimente um expressivo mercado informal e tenha uma função de distribuição de renda, no caso do Brasil, não temos nem as informações detalhadas das atividades formais. E, por isso, mais do que nunca, sabendo da importância do turismo na geração de renda, emprego e inclusão social, precisamos produzir informações para medir esses impactos e sermos mais assertivos nas políticas e estratégias”, avalia.

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Para João Evangelista, a adoção de protocolos
claros e de padrão internacional será importante
para a imagem de segurança que o País deverá
exibir ao olhar do novo turista 
(Foto: Arquivo pessoal)

Evangelista também alerta para a necessidade de adaptação a uma nova realidade, que deverá se estabelecer até que se encontre uma terapia para controlar o vírus ou a chegada de uma vacina. “Qualquer cenário para o turismo passa necessariamente pela premissa de que, enquanto não houver uma terapia efetiva para tratar da doença ou uma vacina, teremos que nos adaptar ao chamado ‘novo normal’”, diz. Segundo o pesquisador, por enquanto, a necessidade de manutenção de distanciamento social, controle mais rígido de fronteiras, continuará impactando de forma negativa a atividade turística, em níveis global, nacional e regional. A Organização Mundial do Turismo já fez duas projeções em relação ao fluxo de turistas. A primeira saiu no dia 24 de março com dois cenários: um de queda de 20% e outro de 30% na circulação de turistas ao redor do mundo. Em 2019, a movimentação de turistas atingiu a impressionante marca de 1,46 bilhão de pessoas. Já em 12 de maio, os encarregados pela produção do documento revisaram a projeção para três cenários: queda de 58%, 70% e 78%.

Em termos de perspectivas para o setor, ela avalia que, em um primeiro momento após o controle da pandemia, o turismo estará voltado para os segmentos “local” e “regional”, com viagens em distâncias mais curtas. Por outro lado, Evangelista aponta para a necessidade de definir os protocolos de higiene para hotéis, atrativos turísticos, restaurantes, aeroportos, rodoviárias, enfim, em toda a cadeia de atendimento do turista. “Não será necessário reinventar a roda em relação aos protocolos, basta seguir com atenção que está sendo realizado na Europa, que já está no processo de reabertura da economia e do turismo. A adoção de protocolos claros e de padrão internacional será importante para a imagem de segurança que o País poderá representar para o olhar desse novo turista”, diz.

Dentro das modalidades de programas de fomento à pesquisa lançados pela FAPERJ ao longo dos últimos anos, o economista também teve projetos contemplados nos editais Prioridade Rio – Apoio ao Estudo de Temas Prioritários para o Governo do Rio de Janeiro e Apoio às Empresas Juniores do Estado do Rio de Janeiro.

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