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Publicado em: 14/05/2020 | Atualizado em: 18/05/2020

Startup cria campanha para facilitar compra de insumos usados em testes da Covid-19

Paula Guatimosim

A campanha convida os pesquisadores a fornecerem reagentes e outros insumos que não estiverem em uso para o diagnóstico da Covid-19 (Imagem: iBench)

Com a criação da startup iBench, em agosto de 2018, as pesquisadoras Andreia Oliveira e Débora Moretti planejavam lançar uma plataforma para facilitar a compra de insumos para laboratórios. O objetivo era oferecer uma ferramenta que pudesse ajudar aos pesquisadores a enfrentar a burocracia e a lentidão nos processos de aquisição de materiais e equipamentos para suas pesquisas, algo que elas mesmas esbarravam na condução de suas pesquisas na área Biomédica. Em fevereiro de 2019, o projeto saiu do papel e ganhou vida com o lançamento de um marketplace para atender as demandas dos laboratórios brasileiros. Agora, frente ao aparecimento do novo coronavírus e decididas a colaborar no combate à pandemia, a dupla resolveu usar a plataforma, que reúne cerca de 25 fornecedores de insumos e 300 cientistas conectados, para lançar a campanha Taq no Covid. O nome da campanha foi inspirado pela lembrança de que o PCR, um dos métodos mais utilizado para testes devido à sua alta taxa de acerto, precisa da enzima TAQ para ser realizado. A enzima e os demais reagentes do teste são geralmente fornecidos por empresas multinacionais a um preço alto.

A ideia é usar a rede disponível na plataforma para cruzar oferta e demanda digitalmente, ou seja, conectar os laboratórios públicos envolvidos no processo do diagnóstico da doença com os laboratórios de pesquisa das universidades, que possuem os insumos necessários em falta no mercado em razão do aumento da demanda. Dessa forma, as pesquisadoras esperam contribuir para aumentar a capacidade de realização de testes diagnósticos no País. Acessando o link http://www.ibench.com.br/campanha o pesquisador é convidado a participar do movimento de doação de reagentes, e os responsáveis pela realização dos testes podem informar sua necessidade de insumos. Outra chamada convoca quem atua em laboratório de biologia molecular para fornecer reagentes e materiais para PCR em tempo real.

Além de insumos para o diagnóstico, a campanha Taq no Covid já conseguiu doações para a impressão 3D de máscaras de proteção e ajudou no gerenciamento de R$ 126 mil de um filantropo, recursos que foram doados ao Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Conseguimos conectar empresas nacionais de biotecnologia, que oferecem kits de diagnóstico por um valor 2/3 inferior que o mesmo produto oferecido por multinacionais. Esses produtos foram testados por pesquisadores, que conferiram a eficiência e padrão do kit nacional”, comemora Andreia.  A Suzano, empresa do setor de papel e celulose, contatou a iBench solicitando ajuda para encontrar laboratórios no Brasil que estejam trabalhando com diagnóstico da Covid-19 e doará cerca de R$ 15 mil em insumos e reagentes para a pequisa e desenvolvimento. A campanha Taq na Covid é gratuita e possui o apoio da UFRJ, de organizações como a Fundação Biominas, do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e da Rede de Pesquisadores (RdP), uma plataforma integrativa e interativa para comunicação e divulgação científica.

Imagem do novo coronavírus feita em laboratório por um microscópio
eletrônico (Foto: U.S National Institutes of Health/AP Shutterstock)

A CEO e cofundadora da startup conta que a iBench tem a missão de mudar hábitos e paradigmas. Foi da experiência das sócias biomédicas no laboratório que nasceu a ideia da plataforma. Segundo Andreia, os pesquisadores precisam esperar que o fornecedor de insumos “bata à porta do laboratório” para adquirirem os insumos necessários à pesquisa. “Essa burocracia e falta de agilidade podem ocasionar diversos problemas a pesquisas em andamento”, justifica Andreia, lembrando que na plataforma há também muito mais transparência, como a disponibilidade de preços de diversos fornecedores. Ela explica que o iBenchMarket não quer substituir o vendedor, mas ser mais uma alternativa, focada na eficiência. Segundo ela, os próprios pesquisadores estão acostumados com esta prática de mercado e são resistentes à mudança, seja porque desconfiam de compras pela Internet, seja pela insegurança na hora da prestação de contas ou pelo hábito arraigado. “Não há diferença alguma na prestação de contas, pois será fornecida nota fiscal de acordo com as exigências das agências de fomento”, garante Andreia.

Segundo a biomédica, a plataforma está construindo uma relação de confiança com pesquisadores e fabricantes, que viram na plataforma uma nova oportunidade de vendas não presenciais, valiosa em tempos de isolamento social. A intenção é oferecer soluções digitais para agregar eficiência e agilidade ao mundo da ciência. O primeiro passo foi oferecer um processo de compras mais eficiente, conectando os melhores fornecedores à demanda dos laboratórios, para reduzir a perda de tempo dos pesquisadores com questões burocráticas.

No iBenchMarket, cientistas de diversas áreas poderão conjugar produtos de diversos fornecedores em apenas uma compra, facilitando a prestação de contas, assim como os fornecedores poderão oferecer seus produtos a uma fatia maior do mercado com um mínimo esforço e investimento. Além da agilidade na busca por produtos e fornecedores, a seu favor estão a comparação de preços e características dos produtos e o fato de que a plataforma permite a avaliação de produtos, dando espaço para a voz do cientista.“Queremos ser uma plataforma de referência na ciência, digitalizando todos os processos de gestão dos laboratórios, desde a escrita do protocolo até a prestação de contas”, explica Andreia. Nessa direção, em futuro próximo, a iBench pretende oferecer a opção de integrar a prestação de contas à plataforma, além de criar um ambiente de conexão de competências.

A iBench foi umas das 50 selecionadas dos quase 500 projetos inscritos no edital Startup Brasil, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em 2017. Elas também receberam apoio da FAPERJ em diversas etapas. Andreia fez doutorado sanduíche nos Estados Unidos graças a uma bolsa da Fundação. Débora também foi contemplada em programa de fomento à pesquisa da FAPERJ, no edital Apoio à Inserção de Mestres e Doutores em Empresas Sediadas no Estado do Rio de Janeiro, além de ter sido bolsista de Treinamento e Capacitação Técnica (TCT) e de Iniciação Científica (IC) da Fundação. Entre maio de 2018 e o mesmo mês de 2019, aceleradas pela OBr.global, a iBench ocupou espaço de co-working na sede do programa Startup Rio – uma iniciativa da FAPERJ e da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) voltada ao desenvolvimento de empresas nascentes de base tecnológica –, situada na Rua do Catete. Mais recentemente, Andreia comemorou o fato de ter sido contemplada com uma bolsa de Iniciação Tecnológica para o desenvolvimento de um assistente digital para gestão de estoque em laboratório.

As sócias Andreia e Débora já comemoram os primeiros resultados da
campanha, que recebeu doações de insumos e recursos (Foto: iBench)   

No currículo de Andreia Oliveira, já são quase 15 anos de dedicação às pesquisas na área da biologia do câncer, após obter o diploma em Bioquímica pela UFRJ, onde também fez mestrado, doutorado e pós-doutorado. O doutorado sanduíche a levou à Saint Louis University, no estado do Missouri, nos Estados Unidos, onde vivenciou uma forma mais ágil e eficiente  e fazer ciência. Ela relata que essa experiência foi decisiva para motivá-la a criar a startup. A biomédica Débora Moretti, com um perfil de empreendedora nata, formou-se em Bioquímica como cientista de bancada, antes de optar pelo caminho de “cientista social”, com foco em inovação. Hoje, seu objetivo é alinhar a teoria científica à prática, principalmente através do empreendedorismo. Depois de liderar uma empresa júnior, uma startup de dispositivos médicos e de participar de programas de gestão e empreendedorismo na Suíça e na Alemanha, se juntou a Andreia na criação da iBench.

Em 2018, a iBench foi acelerada e iniciou sua internacionalização com a ajuda do CEO da OBr.global, Robert Janssen, atual vice-presidente de Relações Internacionais da Federação das Associações das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro). Em 2019, a startup criada por Andreia e Débora passou pelo processo de aceleração do programa BNDES Garagem, sendo uma das 20 empresas selecionadas para o Demo Day, entre as 79 que chegaram ao final do programa. Além da campanha Taq na Covid, este ano a iBench planeja lançar novos produtos que facilitem ainda mais a vida dos pesquisadores.

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