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Publicado em: 23/04/2020

Aplicativo vai mapear a propagação da Covid-19 no RJ

Por Ascom Faperj

Tela inicial do aplicativo, que irá monitorar a
pandemia da Covid-19 no RJ (Imagem: Zoox)

A corrida contra o tempo para entender como funciona, como tratar e como prevenir a Covid-19 é um movimento mundial. Pesquisas com medicamentos existentes e novas terapêuticas, estudos para o desenvolvimento da vacina, investigação sobre contágio e imunização mobilizam profissionais de diversas áreas. E a tecnologia vem se mostrando uma das principais aliadas durante a pandemia, oferecendo soluções em todos os setores.

São plataformas e programas que auxiliam na coleta e organização de dados para posteriores análises e projeções, no desenvolvimento de equipamentos de diagnóstico mais precisos, pelo reconhecimento facial de pessoas, por atendimentos e triagem via telemedicina, pela substituição de indivíduos por robôs para evitar interações. E, ainda, o uso de veículos aéreos não tripulados para o transporte de amostras e materiais contaminados.

No Brasil, um esforço conjunto e em tempo recorde – menos de 25 dias – levou um grupo de médicos, pesquisadores e cientistas a desenvolverem um aplicativo que promete monitorar a pandemia de Covid-19. O aplicativo poderá identificar os locais de maior probabilidade de transmissão da doença e acompanhar a evolução da imunidade da população. A ideia, que conta com o apoio da Secretaria Estadual de Saúde, partiu de um encontro entre cientistas do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor), que já vinham se dedicando ao desenvolvimento de um projeto sem fins lucrativos que auxiliasse no controle da pandemia, com empreendedores da startup Zoox Smart Data.

O aplicativo, chamado de Dados do Bem, disponível para sistemas Android e IOS, usa as informações de Big Data e as possibilidades da Inteligência Artificial para identificar os locais de maior concentração da transmissão da Covid-19 e acompanhar a evolução da imunidade da população. O levantamento começará pelo Estado do Rio de Janeiro e será usado pelo governo para a elaboração de estratégias de enfrentamento à pandemia. “Começamos a estudar iniciativas de outros países e vimos que havia profissionais de todas as áreas querendo contribuir”, conta o médico e pesquisador do Idor e da Fiocruz, Fernando Bozza – que recebe apoio da FAPERJ por meio do programa Cientista do Nosso Estado.

O primeiro passo do projeto foi trabalhar o conceito de identificação de pessoas infectadas com o coronavírus. Isso porque mesmo que fosse viável a realização de testagem em massa no País, a consolidação e estratificação dos dados seria bastante difícil. Assim, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo para identificar clusters (grupos). Uma das funções do app é verificar os sintomas do usuário, e, se for o caso, encaminhá-lo para um teste. Ao instalar o aplicativo, o usuário preenche um formulário com seus dados (incluindo sua localização) e responde a um questionário que permite identificar se ele tem os sintomas do coronavírus. Se o resultado indicar a possibilidade de infecção pela Covid-19, o usuário é convidado a agendar, gratuitamente, um exame com horário e dia específicos. Se o resultado do teste for positivo, o aplicativo consegue identificar cinco pessoas com quem o usuário teve maior contato nos últimos dias e convidá-las a responder também às perguntas.

Bozza: para o pesquisador, a epidemia não veio com
manual e as  soluções ainda estão sendo inventadas

Bozza espera que o projeto possa, futuramente, auxiliar no desenvolvimento de estratégias para a saída progressiva do isolamento social. Na sua opinião, ainda estamos longe do retorno completo a uma situação de normalidade, mas ser capaz de acompanhar com mais detalhes esse quadro auxiliará no planejamento da retomada. “O objetivo do aplicativo é o entendimento coletivo da propagação da doença. Essa epidemia não veio com manual. As soluções ainda estão sendo inventadas”, diz o pesquisador.

Em quarentena se recuperando dos sintomas leves da doença, o secretário estadual de Saúde, Edmar Santos, afirmou em nota que o projeto permitirá ao governo acompanhar a curva de casos de forma mais imediata e identificar as regiões de maior concentração da doença. Para ele, a tecnologia é um exemplo de como a sociedade e as instituições públicas e privadas estão unidas na missão de salvar vidas. A Zoox Smart também está conversando com governos de outros estados para ampliar o levantamento.

Há um esforço global na busca por tecnologias que possam ajudar a conter o avanço da pandemia. A Noruega, um dos primeiros países da Europa a relaxar as medidas de restrição pelo coronavírus, lançou, na semana passada, um aplicativo de rastreamento de celular que envia uma mensagem ao usuário que permanecer a menos de dois metros de uma pessoa infectada por mais de 15 minutos, mas sem revelar sua identidade. A China, berço da doença, vem prevenindo uma segunda onda de contaminação por meio do monitoramento da população. Cada chinês possui no celular um aplicativo com QR code individual e recebe informações sobre o risco de circular em espaços públicos, identificando o risco de contaminação por cores. Verde libera a circulação de quem não tem a doença; vermelho restringe os contaminados; e amarelo aponta quem teve contato com algum infectado. A Alemanha também deverá lançar em breve outro app de rastreamento, e a Itália também planeja usar um aplicativo para iniciar a flexibilização do seu bloqueio nacional.

Big Data e Inteligência artificial têm sido ferramentas importantes para
auxiliar na consolidação de dados e previsões sobre a Covid-19 no País

No Brasil, o Ministério da Saúde vem atuando em várias frentes para rastrear a contaminação no País. Uma parceria entre a Universidade Federal de Pelotas (Ufpel) e o Ibope viabilizará a realização de entrevistas e testes rápidos para a detecção de anticorpos de coronavírus em quase 100 mil pessoas de todos os estados do País, além do Distrito Federal. Os dados serão coletados em 133 cidades sentinela, termo técnico que define os maiores municípios de regiões intermediárias do Brasil, conforme divisão do IBGE. A tecnologia também está auxiliando a Secretaria de Saúde do Município de São Paulo a monitorar a evolução da epidemia a partir de números mais próximos da realidade. Pesquisadores do Grupo Técnico de Assessoramento em Epidemiologia e Modelagem Matemática Covid19 (GT Covid-19 Sampa), ligado ao Observatório Covid-19 BR, vêm usando uma ferramenta estatística conhecida como nowcasting para corrigir a defasagem de 10 dias no sistema de notificação da doença, decorrente do processamento dos exames diagnósticos. O Observatório Covid-19 BR é uma plataforma on-line que reúne análises baseadas em dados oficiais sobre a propagação do SARS-CoV-2 no Brasil.

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