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Publicado em: 10/10/2019

Estudo mapeia evolução das pesquisas em materiais não convencionais na construção civil

Juliana Passos

Igreja construída com bambu por Simon Vélez, em Pereira, na Colômbia. 
Vélez ficou famoso por suas obras ecoeficientes (Foto: Divulgação)

O bambu é uma das estrelas entre os materiais não convencionais quando o assunto é a substituição de materiais industrializados na construção civil. Hoje, ainda, muitos dos materiais empregados no setor são altamente poluentes e demandam alto consumo de energia em sua produção. Um número crescente de pesquisas realizadas desde a década de 1980, mostra a eficiência do bambu em variadas aplicações, embora eles não tenham sido utilizados em grande escala.

De acordo com o professor Pierre Ohayon do Departamento de Contabilidade da Faculdade de Administração e Ciências Contábeis da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o primeiro encontro da área foi realizado no Rio de Janeiro em 1984, com apenas um tema: a capacidade de redução de custos com o uso de bambu. De lá para cá, os temas predominantes deixaram de ser o potencial de economia para a capacidade de utilização como material de construção em substituição a materiais convencionais como o aço e o concreto. O mapeamento da produção e das redes de pesquisa relacionadas ao bambu para a aplicação de indicadores de inovação relacionados à Ciência e Tecnologia é uma das áreas de pesquisa de Ohayon.

Para além das pesquisas, ressalta o professor, a utilização do bambu na construção civil vem ganhando cada vez mais espaço. Entre os numerosos exemplos de destaque está o teto do aeroporto internacional Barajas, em Madri, inteiramente construído com o material, a igreja em bambú construída pelo arquiteto Simón Vélez, em Pereira, ou mesmo o estacionamento do zoológico de Leipzig, na Alemanha.

Apesar de não contarmos com muitos exemplos fora do meio acadêmico, o Brasil é um dos precursores em pesquisas na área. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), o professor Khosrow Ghavami, do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental da universidade, foi um dos primeiros a se dedicar ao estudo do bambu, tendo publicado um número importante de artigos sobre o tema, bem como contribuído para a formação de redes de pesquisa em torno do assunto – como mostrou mapeamento realizado por Ohayon. Ghavami conta com apoio da FAPERJ para a realização de seus estudos por meio do programa Cientista do Nosso Estado da FAPERJ.

Ohayon, por sua vez, foi um dos contemplados na edição de 2015 do edital Apoio a Projetos de Pesquisa na Área de Humanidades. Ele ganhou o fomento da Fundação após a criação da Redebambu/BR pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (Mctic), em 2011. O objetivo básico da rede era a consolidação de arranjos institucionais mais apropriados para expandir a pesquisa e o uso do bambu, tanto para o governo Federal, que criou a Política Nacional de Incentivo ao Manejo Sustentado e ao Cultivo do Bambu no mesmo ano, quanto para instituições de pesquisa, universidades e programas nacionais ou regionais.

Na criação da Rede, foram contemplados, via edital da Redebambu/BR, seis projetos com valores mínimos de R$ 800 mil, e máximo de R$ 1,3 milhão, para fomentar a pesquisa de forma compartilhada. “Para acessar os resultados desses investimentos e orientar os tomadores de decisão para a aplicação de recursos é necessário ter um sistema de indicadores capaz de avaliar essa aplicação, e permitir à sociedade monitorar e avaliar os esforços direcionados a tais atividades e resultados. E para tal, não basta o senso comum”, diz Ohayon.

Pierre Ohayon: pesquisador defende a avaliação constante na área de
CTI para adequação de projetos e propostas (Foto: Juliana Passos)

Especialista no campo de avaliação em Ciência, Tecnologia e Inovação, ao qual se dedica desde o mestrado pela Universidade de São Paulo (USP), em 1977, o pesquisador sugere em artigo publicado nos anais da 18ª Conferência Internacional sobre Materiais e Tecnologias Não Convencionais, realizada em julho de 2019, em Nairóbi, a necessidade da adoção de uma avaliação plural dos trabalhos da rede, que levem em consideração o poder de cada um dos atores envolvidos.

A justificativa para utilização desse modelo, que não ignora outros focados em um planejamento linear, é o momento de crise pelo qual passa o Brasil e o atraso dos pagamentos, inclusive para as pesquisas da Redebambu/BR. “Quanto mais incerto é o ambiente, menos estáveis e concretos são os objetivos. Em outras palavras, quanto menos previsível é o futuro, maior é a utilidade da avaliação na redução das incertezas dos tomadores de decisão”, comenta.

Outra recomendação de Ohayon é a criação de um observatório sobre os materiais e tecnologias não convencionais. “Muito países, em especial os mais avançados, tem adotado novas estruturas em formato de observatórios de Ciência e Tecnologia, com o objetivo de realizar ações para coletar, processar e disseminar informações e conhecimento, que permita tomar decisões por meio de uma rede de elementos envolvidos no processo de gestão de Ciência e Tecnologia”, finaliza.

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