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Publicado em: 03/10/2019

Pesquisa investiga cérebro e comportamento para tratamento da demência

Juliana Passos

Pesquisador ressalta que avanço da idade não leva à demência,
mas 
chances aumentam e é preciso manter hábitos saudáveis,
com exercícios físicos e vida social ativa 
(Foto: Shutterstock)

Quem não conhece alguém com dificuldades para reconhecer seus erros ou que não consiga expressar seus sentimentos plenamente? Essas são características genéricas para diferentes quadros patológicos, mas bastante comuns em pessoas com demência, uma doença bastante específica e que atinge cerca de 2% da população mundial. A partir dos 65 anos a porcentagem dobra a cada cinco anos. Entender as especificidades da doença, aumentar a precisão de diagnóstico e investigar os comportamentos de quem foi diagnosticado estão entre os objetos de pesquisa do psicólogo Daniel Mograbi, professor do Departamento de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Em 2019, Mograbi ganhou o prêmio Early Career Award da International Neuropsychological Society, como reconhecimento de seus trabalhos na área como jovem pesquisador. Desde 2016 que ele conta com apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas, tendo sido contemplado no programa Jovem Cientista do Nosso Estado. Em 2019, o apoio da Fundação, que tem duração de 3 anos nesse programa específico, foi renovado. 

Apesar de ser mais comum com o avançar da idade, a doença não faz parte do envelhecimento normal. “Antigamente, achávamos que a demência que era uma consequência normal do envelhecimento. Hoje, sabemos com bastante clareza que não”, diz. Mograbi explica que o diagnóstico é bastante complexo e depende de exames de neuroimagem, consultas individuais, relatos da família e exclusão de quaisquer outras potenciais alterações. Uma das dificuldades do diagnóstico é precisamente a falta de consciência dos pacientes sobre seus problemas. Em 2012, Mograbi publicou um estudo com 897 participantes, da América Latina, China e Índia, identificando que a falta de consciência de problemas de memória atinge entre 60% e 80% dos pacientes.

Entre 2016 e 2019, com o mencionado financiamento da FAPERJ, seu desafio foi estudar experimentalmente reações de pessoas com demência, utilizando a metodologia da eletroencefalografia. “Nós tivemos duas tarefas diferentes. Uma parte do estudo era a de monitoramento de erros; outra, de respostas afetivas, incluindo em relação aos erros”, explica Mograbi. Os testes envolveram tarefas de tempo de reação e pediam uma estimativa de acertos, na maioria das vezes mais elevada do que de fato tinham ocorrido. Ao mesmo tempo, os pacientes tinham a atividade elétrica cerebral monitorada e, em comparação com idosos saudáveis, tiveram respostas elétricas aos erros atenuadas.

Mograbi: agraciado com prêmio da  International
Neuropsychological Society 
(Foto: Divulgação)

A pesquisa também envolveu a identificação do processamento emocional. “É comum que pessoas com demência tenham problemas em regular suas emoções. Isso vai desde as pessoas mais apáticas até pacientes mais agressivos e desinibidos”, explica o psicólogo. Para analisar a reatividade emocional, os pesquisadores também monitoraram o cérebro dos participantes e expressões faciais ao exibirem imagens neutras, como linha de base, imagens positivas e negativas. Novamente, as evidências sugeriram uma relativa preservação, mas diminuição em comparação com controles, da capacidade de reatividade emocional nos pacientes.

Agora Mograbi se prepara para uma nova etapa da pesquisa: a busca para tratamentos não invasivos que podem ajudar a estimular o cérebro e atenuar os sintomas de demência. Financiado pelo Fundo Newton e o Medical Research Council do Reino Unido, a Terapia de Estimulação Cognitiva (CST) será implementada no Brasil, Tanzânia e Índia. “A terapia é realizada em 14 sessões em grupo entre oito e 10 pessoas, com atividades bastante lúdicas, música e comida. O método foi desenvolvido pela pesquisadora Aimee Spector, de University College London. Nesse caso, a gente quer ver se a infraestrutura do país interfere da implementação dessa terapia”, conta, sobre o trabalho em parceria com Jerson Laks e Valeska Marinho, do Centro de Doença de Alzheimer da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Cleusa Ferri, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Para quem está interessado em postergar esse quadro, os cuidados são os mesmos que dizem respeito à manutenção geral da saúde. “Tudo que faz bem para o coração, faz bem para o cérebro. Dieta equilibrada, exercícios físicos, tarefas que demandam desafios cognitivos e uma vida social ativa abrangem todos esses aspectos”, finaliza.

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