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Publicado em: 01/08/2019 | Atualizado em: 06/08/2019

Secti e Secec promovem evento para identificar tecnologias que possam ser usadas pelo governo estadual

Por Ascom Faperj 

Os secretários Leonardo Rodrigues (E) e Ruan Fernandes acompanharam
os 
cases de sucesso apresentados (Fotos: Guilherme Maia/Ascom Secec)

Com o objetivo de promover a discussão de soluções inovadoras de base tecnológica que possam ser aproveitadas em ações governamentais e políticas públicas, o governo do Estado do Rio de Janeiro, por meio de suas secretarias de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e de Cultura e Economia Criativa, promoveu na quarta-feira, 31 de julho, o evento “TechRJ”. O encontro, que reuniu representantes da maioria das 23 secretarias estaduais, teve o apoio da FAPERJ, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), do programa Startup Rio, do Rio Criativo e da Biblioteca Parque Estadual, onde foi realizado. 

Para o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Leonardo Rodrigues, o evento ajudou a mostrar que, pela primeira vez, a administração estadual está construindo uma unidade de governo, na qual todas as secretarias têm trabalhado em total sinergia. “Dentro da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação, temos uma capacidade muito grande de apoiar as demais secretarias e fazer com que o governo possa desenvolver plataformas que proporcionem um bom atendimento e eficiência, não só para seu cliente interno – o servidor público –, como para a população do Estado do Rio de Janeiro, nosso principal foco”, disse Rodrigues. Segundo ele, todo o aprendizado, com a troca de experiências e ideias com os palestrantes e demais participantes do evento, será apreciado para, quem sabe, contribuir na construção de um governo digital, de maior eficiência. 

Ruan Fernandes Lira, secretário de Cultura e Economia Criativa, destacou a importância da apresentação de 40 projetos e startups em três salas paralelas ao auditório, o que propiciou aos participantes conhecerem de perto soluções inovadoras em várias áreas. Lira destacou o repelente de mosquitos desenvolvido pelo pesquisador Edmilson José Maria, no laboratório de Síntese Orgânica e Química Fina da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), numa nova abordagem que visa ao controle do mosquito Aedes aegypti, como complementação às ações que já vêm sendo feitas para o combate à larva do inseto. 

O presidente da FAPERJ, Jerson Lima, disse que o papel da Fundação – a principal agência de fomento à pesquisa do governo estadual – é agir como catalisador, juntando e acelerando os setores da academia, empresas de todos os portes e startups. Ele destacou as contribuições do meio acadêmico, como a descoberta da relação entre o zika vírus e a microcefalia e as tecnologias geradas para o Pré-Sal, mas reconheceu que o ritmo de repasse desse enorme potencial do Estado é lento, mas poderia ser acelerado. “Este evento é crucial para mostrar os resultados do desenvolvimento científico e tecnológico e de como eles podem atender às prioridades do governo”. Ele reafirmou o compromisso da FAPERJ para viabilizar projetos e informou que na reunião do Conselho Superior da Fundação, realizada na parte da manhã do mesmo dia, foi aprovado, pelos membros do Conselho, mais um edital que contribuirá para aumentar o nível de emprego e o uso da inovação.

O evento foi organizado pela subsecretária estadual de Ensino Superior, Pesquisa e Inovação da Secti, Maria Isabel de Souza, que foi presidente da FAPERJ. Também estiveram presentes no encontro, representando a FAPERJ, a diretora Científica, Eliete Bouskela, o diretor de Tecnologia, Mauricio Guedes, e o assessor da presidência André Gomes. Acompanharam as atividades, ainda, o sub-reitor de Pós-graduação e Pesquisa da Uerj, Egberto Gaspar de Moura, e o coordenador do programa Startup Rio, Paulo Espanha. Representando a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), participaram do evento os deputados estaduais Rodrigo Amorim e Alexandre Knoploch.

A partir da esquerda, Eliete Bouskela, Leonardo Rodrigues, André
Gomes, Jerson Lima, Egberto Gaspar de Moura e Mauricio Guedes

O TechRj foi concebido a partir dos “Oito Princípios Inegociáveis” do governo do estado, a saber: Tolerância zero à corrupção; Planejamento das ações para os 18 milhões de fluminenses; construir hoje o estado para as futuras gerações; compromisso com o cidadão; educação plena e integral, com disciplina e inovação tecnológica; capacidade fiscal – diversidade de receitas; Segurança Pública e Jurídica; e inovação na gestão pública. Pela manhã, no painel sobre “Compromisso Com o Cidadão”, Gabriela de Salles Van der Linden falou sobre a plataforma Open D’Or, uma iniciativa do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (Idor) que visa estimular a inovação aberta e o empreendedorismo na área da saúde e ser catalisadora do empreendedorismo em healthcare no Brasil, apoiando e impulsionando startups inovadoras. Foram apresentados ainda os casos de sucesso da Universidade Tiradentes (Unit), de Aracaju, pelo professor Domingos Machado, para ilustrar o princípio “Educação Plena e Integral, com Disciplina e Inovação Tecnológica”, e, no tema “Segurança Pública e Jurídica”, o exemplo foi dado pelo Superintendente da Polícia Rodoviária Federal, Silvinei Vasques, que apresentou o PRF Móvel, um aplicativo de celular que facilita o trabalho dos policiais durante as fiscalizações nas rodovias federais na consulta, recolhimento de veículos e autuações. 

Sobre o tema “Tolerância Zero à Corrupção”, o Promotor de Justiça Octávio Paulo Neto, Coordenador do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) de João Pessoa falou sobre o Hackfest e a Virada Legislativa, uma maratona promovida pelo governo da Paraíba para ouvir a sociedade e promover mudanças via tecnologia, leis e mobilizações. Segundo Paulo Neto, uma das primeiras contribuições dos jovens participantes foi a identificação de funcionários fantasmas. Eles desenvolveram um aplicativo capaz de calcular o número de servidores por metro quadrado, que resultou na identificação de 89 cargos fantasmas, 40 dos quais apenas na folha de pagamento da Câmara Municipal de um único município, Cabedelo. Outro exemplo de app desenvolvido foi inspirado no jogo Pokémon para reduzir custos com vistorias presenciais em obras públicas e ajuste no cronograma de desembolso de recursos públicos. Os colaboradores fotografam as obras em curso e enviam as fotos para que a secretaria de obras possa ajustar os desembolsos ao estágio da obra. “O Hakfest mudou nossa capacidade de ver as coisas e hoje fazemos o combate à corrupção com a ajuda de meios digitais”, disse o promotor. 

Durante o intervalo para almoço, nas salas anexas foram feitas apresentações de “pitchs on demand”, propostas inovadoras e transformadoras apresentadas por startups da Uerj, do programa Startup Rio e do Rio Criativo. À tarde, o segundo painel do dia foi sobre o tema “Construir Hoje o Estado para as Futuras Gerações”. O primeiro a palestrar foi o Secretário Adjunto de Governo Digital do Distrito Federal, Ciro Avelino, que falou sobre Governo Digital. “Temos uma nação que já é digital e parece que o governo é analógico”, disse Avelino, lembrando que o Brasil tem a quarta maior população conectada à Internet do mundo. O secretário lembrou que o governo é um grande prestador de serviços para a sociedade e que hoje existe uma defasagem importante entre a expectativa da sociedade e a qualidade dos serviços prestados pelo governo. “A tecnologia está mudando as relações entre Estado e sociedade”, afirmou Avelino, informando que no primeiro levantamento realizado verificou-se que dos 3.229 serviços oferecidos pelo governo federal, apenas 47% são digitais (não presenciais). Segundo ele, a partir desta semana os canais digitais do governo serão reunidos em uma única plataforma, unificando os 1.594 domínios gov.br, tarefa que deverá terminar no prazo de um ano e meio. Estão previstos ainda o lançamento da identidade digital, que deverá gerar economia de R$ 5,6 bilhões ao evitar fraudes no INSS; além de cerca de outros mil serviços 100% digitais, com ganhos estimados em R$ 6 bilhões em redução de custos. 

Washington Cabral, consultor da IBM no Rio de Janeiro, falou sobre cidades inteligentes para ilustrar o princípio “Planejamento das Ações para os 18 milhões de Fluminenses”. Segundo ele, o Governo cognitivo 4.0 é a reinvenção digital do “business” do governo, que deve aplicar algumas funções cognitivas humanas às máquinas. O executivo disse que a visão estratégica da IBM para o governo tem pilares nas demandas dos agentes eleitos e na confiança da população, que cada vez mais anseia ser reconhecida como indivíduo por todos os serviços governamentais. Cabral alertou para o fato de que 75% da força de trabalho em 2025 será nativa digital, jovens que não se interessarão em fazer concursos públicos, nem tarefas repetitivas, muito menos ficarão sentados em escritórios. “Para evitar um colapso na força de trabalho os governos devem transformar digitalmente todos os seus serviços, colocando a sociedade no centro da questão”, recomenda o executivo. 

Professor da Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas (Ebape/FGV), Francisco Gaetani, escolhido para o tema “Inovação na Gestão Pública”, lembrou que atualmente o Brasil enfrenta novos e velhos desafios, como baixas produtividade e competitividade, pouca eficiência nos gastos públicos e para enfrentar desigualdades, entre outros. “Nossa exigência em relação à eficiência é nula; precisamos aprender a fazer mais com menos”, sentencia Gaetani, que também critica a “percepção equivocada do brasileiro”, que se diz um povo pacífico e cordato, mas na realidade se equipara ao México em índices de violência. Em sua opinião, o governo enfrenta muitas dificuldades para inovar, entre elas, a dificuldade para enfrentar a criatividade, riscos, custos, incertezas e a burocracia – “que só inova quando está em crise e sob pressão”. Para ele, há vários desafios do setor público para inovar, entraves do ecossistema como a inibição do erro no lugar de estímulo à tentativa e erro, além de gargalos clássicos, como baixo investimento privado, investimentos governamentais intermitentes, baixa aderência dos gastos à demanda, entre outros, além do desafio de requalificar o funcionalismo. Entretanto, ele lembra que, na visão da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), algumas competências são fundamentais para se agregar inovação ao setor público, entre elas inteligência, interação, curiosidade e foco na sociedade. 

Exemplo de “Capacidade Fiscal e Diversidade de Receitas” foi dado pela secretária municipal de Ciência, Tecnologia, Indústria e Comércio de Santa Rita do Sapucaí (MG), Dani Lucia Xavier. Em sua palestra, ela traçou um histórico do Polo Tecnológico do município, considerado “vale da eletrônica” do País. Dani destacou três personalidades que foram decisivas para os avanços alcançados em Santa Rita do Sapucaí: o papel pioneiro e vanguardista de Luiza Rennó Moreira, fundadora da primeira escola técnica de eletrônica do Brasil, em 1959; a visão de José Nogueira Leite, criador do Instituto Nacional de Telecomunicações (Inatel), em 1965, instituição hoje engajada no projeto 5G; e Paulo Frederico de Toledo, que como prefeito do município teve papel importante do fortalecimento do cluster. Hoje, a cidade, que no final da década de 1950 possuía 8.000 habitantes, reúne 153 indústrias, gera 14.700 postos de trabalho, oferece 14.500 produtos/itens, fatura R$ 3,2 bilhões, atende 29% da mão-de-obra da indústria da eletrônica de Minas Gerais, e possui 40 mil habitantes. A cidade também sedia um dos maiores eventos de tecnologia do País, o Hack Town, em setembro, quando atrai cerca de 7.00 visitantes. 

No final do evento, representantes das diversas secretarias estaduais se reuniram para eleger os três principais desafios e serem suplantados com o uso da tecnologia. Posteriormente, tais necessidades poderão ser encaminhadas ao Conselho Superior da FAPERJ, para possível apoio, via editais da fundação.

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