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Publicado em: 06/06/2019 | Atualizado em: 07/06/2019

Série aborda o desenvolvimento de ambientes propícios para empresas inovadoras

Por Ascom FAPERJ

A partir da esquerda: José Azevedo Fiates, Angela Uller, José Augusto
da Silva e 
Mauricio Guedes (Fotos: Lécio Augusto Ramos)

O terceiro encontro da série “Diálogos da Inovação”, evento realizado a partir da parceria entre a FAPERJ e Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), trouxe como tema a importância de um ambiente propício para o desenvolvimento de empresas inovadoras de base tecnológica. O encontro aconteceu nesta quarta-feira, 5 de junho, na Casa Firjan. Para conversar sobre o assunto foram convidados o diretor de Inovação da Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), José Azevedo Fiates, a presidente do Conselho Superior da FAPERJ e presidente da Rede de Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (Redetec), Angela Uller, e José Augusto Pereira da Silva, sócio da Pipeway Engenharia, empresa que iniciou como startup há 20 anos, com o apoio da incubadora Gênesis, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), e hoje está presente em quatro continentes.

Na abertura, o mediador do debate e diretor de Tecnologia da FAPERJ, Mauricio Guedes, citou alguns editais lançados pela Fundação com janelas de inscrições abertas e que cumprem o papel de fomentar a criação de empresas inovadoras, a participação de pesquisadores nas empresas e o incentivo a competições tecnológicas. São eles: Apoio a Empresas Juniores no Estado do Rio de Janeiro; Apoio a Equipes Discentes em Projetos de Base Tecnológica para competições de caráter educacional e Apoio à inserção de pesquisadores em empresas. “O objetivo, ao lançar esses editais, é o de promover uma maior inserção dos pesquisadores nas empresas e diminuir a concentração deles na academia”, disse Guedes. Representando a Firjan, a jornalista e especialista de Projetos Especiais da Federação, Julia Zardo, anunciou o prêmio Casa Firjan, que irá premiar teses e dissertações que discutam o futuro do trabalho e a reinvenção das empresas em até R$ 20 mil.

Maior polo tecnológico de Santa Catarina e entre os maiores do Brasil, Florianópolis é conhecida como um exemplo de sucesso no incentivo a criação de empresas inovadoras. Mas ao contrário do que a plateia esperava, o diretor de Inovação da Fiesc abriu a rodada de palestras sem trazer uma receita pronta de sucesso. “Eu vou falar bastante de gente. Cada vez mais percebemos que o que faz a diferença são as pessoas e as elas funcionam em alguns casos por método, em outros por ordem e em outros por caos completo”, disse. E apesar de cada um individualmente traçar seu caminho, José Fiates elencou alguns elementos do histórico de criação das startups na capital catarinense que beneficiaram a multiplicação e a expansão dessas empresas. A primeira delas foi a criação tardia da Universidade Federal de Santa Catarina (Ufsc), na década de 1960, que atraiu inúmeros estudantes de outros estados e jovens professores dispostos a tentar coisas novas.

Sem grandes empresas para as quais pudessem enviar seus currículos e permanecer em uma cidade conhecida por suas belezas naturais e qualidade de vida, muitos recém-formados passaram a criar seus próprios negócios e também a se organizar para viabilizar associações e parques tecnológicos. Entre as associações, Fiates destaca a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), criada em 1986, e a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate), dois anos depois. Nos anos seguintes, já na década de 1990, vieram a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Santa Catarina (Fapesc) e as primeiras incubadoras. Tudo isso, segundo Fiates, sem muito planejamento. “No começo nós brigávamos muito por empresas, por gente, por vassoura”, relembra.

No entanto, ao olhar em retrospectiva, aquilo que parecia estar sendo feito de forma aleatória, hoje é entendido por Fiates e seus colegas como a criação de um ecossistema propício para inovação. Sempre envolvendo empresas, universidades públicas e privadas e governos. "Estamos trabalhando a questão do ecossistema de forma cada vez mais forte, porque o ecossistema tem que existir para ajudar a empresa", disse.

Ao falar em ecossistema, Fiates aproveitou para abordar a preocupação com a comunidade externa e a necessidade de promover projetos sociais. “Temos duas áreas de risco próximas aos locais onde a maioria das empresas de base tecnológica está instalada. Então estamos fazendo trabalhos sociais para absorver essa mão de obra que mora a dez minutos de nossas empresas e diminuir a possibilidade de violência”, contou.

Para Angela Uller, falta de confiança é um gargalo
para a expansão da capacidade inovadora do Rio 

A preocupação com a capacitação de mão de obra e envolvimento das comunidades do entorno dos parques tecnológicos também esteve bastante presente na fala da presidente do Conselho Superior da FAPERJ e ex-diretora Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Angela Uller. A presidente elencou os fatores comuns para que uma cidade seja considerada inovadora, lembrando que o Rio de Janeiro apareceu no topo do ranking realizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em 2017. “A maioria dessas cidades têm um foco inicial em bairros e distritos degradados. Provavelmente porque os efeitos da inovação se tornam mais visíveis. Outros aspectos comuns são a questão da inovação urbanística, o investimento em educação, em segurança pública, atividades culturais”, listou. Após trazer bons exemplos do que foi realizado em todos esses âmbitos no Rio de Janeiro, Angela sintetizou as necessidades em três palavras: tecnologia, talento e confiança. Para a engenheira, o que falta nesse momento é confiança. “Acho que tem que haver mais confiança nas empresas, nas pessoas, nas políticas, na continuidade das políticas, nos políticos. Nós precisamos de mais organização, de uma liderança, de uma relação mais orgânica entre as instituições, todo mundo falando com tudo mundo e um movimento só”, concluiu.

O terceiro palestrante, José Augusto Pereira da Silva, sócio da Pipeway Engenharia e pesquisador do Centro de Pesquisa de Tecnologia de Inspeção da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CPTI/PUC-Rio), narrou a trajetória de sua empresa desde os primeiros passos ao estágio atual. Silva fez uma analogia entre o papel das incubadoras com a agricultura. “As universidades são terrenos férteis, as ideias são as sementes que serão plantadas, mas para essa semente germinar é preciso água, ou seja, fomento. E uma empresa quando nasce ainda é muito frágil, precisa de um ambiente um pouco mais controlado para que possa crescer. Quanto menos expostas aos riscos, melhor irá se desenvolver”, ponderou. A Pipeway é responsável por realizar a inspeção de dutos de petróleo e já realizou operações em 22 países. Entre os desafios mais recentes estão a identificação de novos dutos para roubo de combustível. “Só este ano foram identificados 300 roubos no Brasil, enquanto até o ano passado eram registrados cerca de quatro ou cinco casos anuais”, destacou.

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