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Publicado em: 28/02/2019

Família troca atividade ilegal de carvoaria por produção sustentável com bananas

Paula Guatimosim

Elisângela se prepara para iniciar uma nova fase no negócio,
com identidade visual nova e vendas online
 (Fotos: César Galeão)

Quando uma medida de punição vem acompanhada de uma alternativa de integração social, o resultado pode ser uma mudança radical na vida de indivíduos e suas famílias. Foi o que aconteceu cinco anos atrás no município de Rio Bonito, próximo a Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Nos fundos de sua casa, Jocenir Brantes do Amor Divino sempre viveu da produção de carvão vegetal, a partir da derrubada de árvores. Embora ilegal, a atividade era bastante comum na região, ocupada por muitos posseiros. No entanto, Braçanã de Cima, bairro onde Jocenir e sua família residem, está localizado na Área de Proteção Ambiental (APA) Municipal Serra do Sambê, com cerca de 30 milhões de metros quadrados e cinco unidades de conservação.

Importante reserva de Mata Atlântica e refúgio ecológico, a região sempre foi alvo de blitz ambiental para coibir a derrubada da mata para a fabricação de carvão. Foi numa dessas operações de fiscalização da Secretaria Estadual do Ambiente e Sustentabilidade, dirigida pela Coordenadoria Integrada de Combate aos Crimes Ambientais (Cicca), em parceria com o Batalhão de Polícia Florestal, que Jocenir Brantes foi detido. Além de crime ambiental, a produção de carvão vegetal é profundamente nociva à saúde e, não raro, utiliza mão-de-obra infantil. A queima parcial da madeira libera substâncias potencialmente tóxicas, como monóxido de carbono, amônia e metano; além disso, o material fino (ou fuligem) é o poluente de maior toxicidade, pois atinge as porções mais profundas do sistema respiratório.

A fábrica Dona Dina produz chips, mariola,
bala, 
bombom, farinha e banana-passa

Representante da quarta geração de carvoeiros, e ciente de que a atividade era ilegal, Jocenir nunca havia considerado se dedicar a outra atividade para sustentar a esposa e os dois filhos. Quem apresentou uma alternativa de renda sustentável à família foi a secretária de Meio Ambiente de Rio Bonito à época, Carmen Lucia Kleinsorgen Motta, que vislumbrou uma oportunidade de desenvolver um projeto e dar à família uma chance de mudar de vida. Isso porque enquanto o marido lidava com o forno de carvão, sua esposa Elisângela Correia Moreira cuidava de sua produção caseira de mariola, banana-passa, chips, farinha, bala e bombom de banana. Carmen Motta, atualmente na pasta de Cultura e Turismo do município, conta que todos da família viviam cobertos de fuligem e, a todo o momento, corriam para o hospital, com sérios problemas renais. Na época, sua proposta foi dar apoio ao projeto de uma fábrica comunitária de derivados de banana – matéria-prima abundante na região. Em troca, todas as carvoarias, que sustentavam cerca de 20 famílias, deveriam ser desativadas. "A filha do casal já concluiu o curso de Administração de Empresas e pretender fazer outra especialização, na área de qualidade de produtos alimentares, para ajudar no negócio da família", comemora Carmen.

Além de pagar cesta básica a uma instituição filantrópica, o casal teve a opção de trocar o passado obscurecido pela fuligem do carvão pelo negócio sustentável de beneficiamento de bananas. Em ação coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente de Rio Bonito, com apoio da Emater (Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural) e recursos da FAPERJ, por meio do programa de Apoio ao Desenvolvimento de Modelos de Inovação Tecnológica Social, foram feitas melhorias no galpão antes usado para o estoque de carvão, adquiridas máquinas e equipamentos como tanques de inox, desidratadora, moinho, fogão industrial, fritadeira, balança digital e computador. A família também recebeu assessoria do Mestre em Sistemas de Gestão pela Qualidade Total pelo Departamento de Engenharia de Produção da Escola de Engenharia da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcello Silveira e capacitação da Emater em noções sobre agroindústria, os tipos de derivados possíveis a partir da banana, as práticas de higiene e manejo dos produtos, as opções de embalagem e prazos de validade.

Silveira capacitará a família em marketing e vendas na web

Passados cinco anos da mudança na fonte de renda da família, uma nova fase tem início e o projeto receberá seu segundo incentivo da FAPERJ, desta vez via programa de Apoio ao Empreendedorismo de Impacto Socioambiental do Estado do Rio de Janeiro. Os recursos darão um novo impulso à fábrica de beneficiamento de bananas Dona Dina, nome em homenagem à sogra de Elisângela. Marcello Silveira Vieira continuará prestando consultoria para a ampliação do negócio, por meio da criação de um site de E-commerce e para a capacitação do casal em estratégias de marketing. "Nesta nova etapa, prevista para ser concluída em abril, será criado um site responsivo – capaz de se adaptar aos dispositivos de acesso eletrônico disponíveis no mercado – um endereço de e-mail comercial, melhoria da logomarca, desenvolvimento de toda estrutura de folheteria (cartões de visita comerciais, catálogo e folder de produtos), banners e material de divulgação e prospecção, padronizados a nova marca com portfólio online e ainda a criação das mídias sociais da agroindústria", explica Silveira.

Finalizando o projeto, a família será capacitada, por meio de treinamento especializado para lidar com as vendas online e para prospectar novos clientes. Pós-graduado em Logística Empresarial, Silveira também colaborou no desenvolvimento das embalagens, na implantação do código de barras junto a GS1 (Associação Brasileira de Automação), entidade que desenvolve padrões de identificação de produtos, e ajudará nos trâmites para o envio dos produtos via canais de distribuição.

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