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Publicado em: 24/01/2019

Startup desenvolve experiência literária imersiva inédita no mercado

Paula Guatimosim

O nexbook foi desenvolvido para ser lido no celular e os fones
de ouvido ajudam na experiência imersiva (Foto: Divulgação)

Foi um nicho de mercado na área editorial que levou Priscila Mana Vaz e Rafael Santos, da Nextale, a criarem um aplicativo inédito para smartphones que permite uma nova experiência literária imersiva. A publicitária chama a atenção para o fato de a revolução digital no século XXI ter modificado a maneira das pessoas assistirem tevê, com a chegada da Netflix, e transformando o mercado da música, com o Spotify. Mas no segmento editorial, argumenta, as inovações foram limitadas, já que o e-book é uma imagem estática na tela. “Transformar um livro impresso em e-book é pouco. Não oferece a experiência única do livro em papel, nem é um produto atrativo como aplicativo”, justifica Priscila. Em sua opinião, para que sejam formados novos leitores é preciso oferecer ao público jovem os mesmos estímulos a que ele está acostumado no cotidiano. Em outras palavras, contar histórias com criatividade e tecnologia e disponibilizá-las no dispositivo que eles mais usam: o celular.

Assim é o nexbook, uma experiência literária, digital e imersiva, criada para atender aos interesses dos jovens, de 11 a 18 anos, que podem se conectar usando Google e Facebook. A proposta, inédita no País, coloca a Nextale em posição confortável, já que, por ora, não há concorrentes no Brasil, onde só existem vídeos books (ou app books). Segundo a pesquisadora, o concorrente mais próximo está na Espanha e desenvolve um produto diferente, que oferece uma experiência interativa, ou seja, o leitor interfere no enredo, enquanto no nexbook o diferencial é a imersão. Nele, o usuário lê o texto na velocidade que deseja, mas, a todo o momento, é surpreendido por imagens dinâmicas, pela trilha sonora e efeitos especiais. Um dos contos mais populares em todo o mundo, o clássico “Chapeuzinho Vermelho” (Charles Perrault) pode ser ‘degustado’ no link a seguir: https://www.youtube.com/watch?v=Enjsc130OSA&feature=youtu.be

Quando o projeto de criação da empresa ainda estava no papel, em agosto de 2017 a Nextale foi selecionada no edital Startup Rio – Apoio à Difusão de Ambiente de Inovação em Tecnologia Digital no Estado do Rio de Janeiro, programa de cooperação entre a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e a FAPERJ, que conta com o apoio da Sociedade Núcleo de Apoio à Produção e Exportação de Software do Rio de Janeiro (Riosoft) e da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-RJ), e a colaboração de parceiros como o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI), entre outros. Já em 2018, entre os meses de abril e dezembro, a Nextale recebeu incentivo do Programa de Aceleração InovAtiva Brasil, realizado pelo Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços ( Midic), Sebrae e Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), que apoia startups de negócios inovadores, possui 900 mentores e já “acelerou” mais de 840 empresas. Foram nove meses de treinamento, mentorias, o desenvolvimento do modelo de negócios, que culminou no recebimento do selo de empresa acelerada. Em agosto, a equipe validou o produto mínimo viável (MVP), composto pelo aplicativo com três livros no catálogo (Chapeuzinho Vermelho, O Barba Azul e As Fadas), para materializar a ideia. No início da segunda quinzena de janeiro de 2019, a Nextale foi uma das cinco mais curtidas na competição promovida pelo InovAtiva para eleger os melhores pitchs – breve apresentação com objetivo de despertar o interesse de investidores e clientes pelo negócio – disponibilizados na web, que serão “apresentados” a 35 mil pessoas da base do programa.

Rafael e Priscila: até 2020 esperam conquistar 5% do mercado
do Rio, equivalente a 18 mil alunos
(Foto: Paula Guatimosim)

A startup também foi selecionada em edital do Instituto Senai de Inovação em Sistemas Virtuais de Produção e receberá o apoio financeiro para promover escala em seu processo de produção. Para tanto, desenvolverá uma plataforma de automatização junto ao instituto, que oferece soluções em simulação e automação de processos em linhas de produção. Tanto em custo quanto em tempo de produção, o nexbook é bem mais vantajoso do que o livro impresso. A intenção da plataforma é integrar ferramentas, melhorar a comunicação entre os profissionais envolvidos, aumentar a qualidade do produto e reduzir ainda mais o custo e o tempo de produção. “Esse ganho de escala é importante, pois como ainda estamos apenas com três títulos, o usuário instala o aplicativo, lê os três livros, e depois desinstala o app”, justifica Priscila, mestre em Comunicação pela Universidade Federal Fluminense (UFF).

Ideias, planos e eventos ocorrem em alta velocidade nas startups. Nesse ritmo, a Nextale estabeleceu metas ousadas para seu negócio. “Se não for para ser grande, não vale a pena se levantar da cama”, exagera Rafael Santos, o programador da empresa. Dados do Inep/MEC estimam em 15 milhões o número de alunos matriculados nos ensinos Fundamental e Médio, dos quais 18% na rede privada. No Rio de Janeiro, mercado de entrada da startup, são 350 mil alunos na rede particular de ensino, que consomem R$ 45 milhões em livros por ano, considerando uma estimativa conservadora. Com base nesse cenário, os executivos da Nextale esperam chegar a 2020 com 150 escolas parceiras, 18 mil alunos assinantes e faturamento de R$ 1,8 milhão/ano, o equivalente a 5% do mercado do Rio de Janeiro.

Para atingir este objetivo, em 2019 Priscila e Rafael vão se dedicar ao desenvolvimento do catálogo. Estão negociando com grandes editoras para a produção de nexbooks de livros paradidáticos e, ao mesmo tempo, finalizam a curadoria do primeiro catálogo, composto de 50 títulos de domínio público. Outra ideia que começa a ganhar corpo é possibilitar que as escolas montem seu próprio catálogo de livros, uma forma de adaptar às novas diretrizes do ensino, que prevê a educação a distância. “Com isso podemos tornar o dever de casa uma tarefa prazerosa”, aposta Priscila. A startup está captando R$ 350 mil de investidores anjo e busca empresas que optem por investir via Lei Rouanet na expansão do catálogo. A Nextale também está procurando com afinco um gerente de tecnologia (CTO). Quem sabe é uma boa chance para quem quer participar do desenvolvimento estratégico, dos planos futuros e do aumento de escala de produção de uma startup ambiciosa, no bom sentido, e que pretende ser grande.

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