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Publicado em: 14/06/2018

Engenharia biomédica: trazendo o futuro para a saúde no Brasil

Danielle Kiffer 

      
Alexandre Pino, da Engenharia Biomédica da Coppe, mostra o aumento da expectativa de vida da população relacionada ao avanço na tecnologia da medicina (Foto: Lécio Augusto Ramos/FAPERJ)

Do século passado até hoje, muita coisa mudou em relação à saúde. A expectativa de vida aumentou consideravelmente e a tecnologia na medicina está cada vez mais avançada: dispomos de robôs e equipamentos de ponta para auxiliar em operações e diagnósticos. Essa perceptível evolução se deve à incorporação constante de inovações tecnológicas na Saúde, de acordo com Alexandre Pino, coordenador do projeto de Engenharia Biomédica (EB) do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia (Coppe), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Nessa quarta-feira, 13 de junho, Pino trouxe esse tema para ser debatido na 22ª edição do Encontros FAPERJ, realizado na sede da fundação.

Para Pino, um maior aproveitamento da Engenharia Biomédica no País contribuiria para melhorar a saúde no Brasil. “O modelo atual brasileiro não se sustentará por muito tempo, pois, hoje, os gastos com saúde crescem exponencialmente e o Produto Interno Bruto (PIB) se mantém de forma quase linear. Neste ritmo, a saúde acabará consumindo todos os recursos existentes. Para mudar esse quadro, novas tecnologias precisam surgir. Nesse sentido, há muita importação de equipamentos de saúde sendo feita no Brasil, evidenciando a necessidade de avanço da tecnologia brasileira, o que pode ser uma oportunidade para o crescimento da indústria local, se houver investimento em empresas nacionais com tecnologia nacional”, afirma.

De acordo com o engenheiro biomédico, um dos maiores entraves a isso é a distância entre as empresas e o ambiente acadêmico. Muitas vezes, pelo alto custo de inovação, as empresas não dispõem de recursos para investimento. Sem falar que as pesquisas em universidades demandam muito tempo, algo inviável para o ambiente corporativo. “Inovar com tecnologia na área de saúde não é repassar conhecimento, e sim colocar o produto no mercado, mas para que isso aconteça, é necessário conhecer bem o mercado e a regulamentação do setor. E tudo isso envolve expertises do mundo acadêmico e corporativo”, explica Pino.

Ampliar a comunicação entre universidades e empresas seria uma das saídas viáveis para aumentar a inovação tecnológica em Saúde. “Mesmo com visões diferentes, é possível estabelecer projetos em parceria entre o ambiente acadêmico e o corporativo, com compartilhamento de informações especializadas por parte de pesquisadores, por exemplo, e com o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) por parte das empresas. Essa integração também seria possível se as empresas treinassem seus funcionários nas universidades, em cursos de mestrado e doutorado em engenharia biomédica. Apesar de custoso, no final, a companhia contaria com um funcionário apto a dar continuidade a processos de inovação. Sem falar que, além disso, um maior apoio do governo seria imprescindível”, diz o pesquisador.

A parceria entre academia e empresa, e maiores investimentos e facilidades governamentais, segundo Pino, podem abreviar o caminho para a Medicina do futuro, que está logo ali. Entre as tendências globais que vêm sendo desenvolvidas, estão a inteligência artificial – para análise de dados médicos de cada paciente, e otimização de processos, evitando filas e gastos desnecessários e promovendo o armazenamento de dados em nuvem, de fácil acesso –, que pode melhorar o sistema de saúde em todo o Brasil.

Pino ressalta que a equipe de Engenharia Biomédica da Coppe é formada por profissionais qualificados que têm experiência em solucionar problemas relativos à biomecânica, ultrassom, instrumentação, engenharia pulmonar, engenharia de sistemas de saúde, e processamento de sinais e imagens médicas. Além disso, eles sempre trabalham em conjunto com outras áreas da universidade, como forma de promover a complementação de saberes em prol do desenvolvimento tecnológico no campo da Saúde.

“Recentemente, a Coppe fechou uma parceria com o Ministério da Saúde e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para criar o Núcleo de Tecnologia e Inovação em Engenharia Biomédica (NTIEB), que será instalado num prédio de três andares no centro da Coppe”, conta Pino. Com laboratórios e centros de pesquisa, auditórios e salas de reunião e conferências, o NTIEB servirá para integrar empresas interessadas em desenvolver tecnologia em conjunto com os profissionais de Engenharia Biomédica da Coppe. “Esperamos que haja uma grande rotatividade de projetos. Temos espaço para alocar as companhias interessadas em inovação tecnológica e, dessa forma, poderemos otimizar os projetos, unindo os conhecimentos das duas pontas – do mundo corporativo e do acadêmico”, finaliza Pino.

Estiveram presentes André Alvarenga, pesquisador do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro); Carolina Miranda, mestranda do Instituto de Economia (IE) da UFRJ; Caroline Gonzaga e Guilherme Monteiro, do Espaço HUB da UFRJ; Julia Paranhos, professora adjunta e coordenadora do Grupo de Economia da Inovação do IE da UFRJ; Márcio Bósio, diretor da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos e de Laboratórios (Abimo); Márcio do Vale, diretor da ECCO Engenharia Clínica Consultoria Ltda.; Paulo Danilo Farina Junior, sócio da EMSA Equipamentos Médicos; e Regina Fátima Faria, coordenadora da Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ.

A iniciativa de promover o Encontros FAPERJ é da Diretoria de Tecnologia da Fundação, com a curadoria do professor e assessor José Manoel Carvalho de Mello. Os mediadores do encontro foram os assessores da Diretoria de Tecnologia Eliezer Barreiro, que é professor titular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ (ICB), e Sergio Yates.

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