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Publicado em: 01/03/2018 | Atualizado em: 08/03/2018

Reedição de livro de Castro Maya celebra a memória da Floresta da Tijuca

Débora Motta

Capa da segunda edição, revista e comentada,
de A Floresta da Tijuca (Foto: Reprodução)

Considerada a maior floresta urbana do mundo, a Floresta da Tijuca é um dos grandes símbolos do Rio. Para celebrar a memória desse patrimônio carioca, o livro A Floresta da Tijuca – escrito por Raymundo Ottoni de Castro Maya (1894-1968) e lançado inicialmente em 1966 (Bloch Editores, 102 p.) –, ganhou uma segunda edição, revisada e comentada, por ocasião do aniversário de 450 anos do Rio de Janeiro (Ed. Andrea Jakobsson Studio, 2015, 112p). A reedição foi contemplada pela FAPERJ, por meio do edital Apoio à produção e publicação de livros e DVDs visando à celebração dos 450 anos da cidade do Rio de Janeiro.

Na primeira metade do século XX, o multifacetado Castro Maya – que era administrador da Companhia Carioca Industrial e da Companhia Nacional de Óleos Vegetais, entre outros empreendimentos, além de ser advogado, editor de livros, colecionador de obras de arte e, sobretudo, um mecenas e humanista – assumiu o desafio de restaurar a extensa área da Floresta da Tijuca. Ele esteve à frente da comissão responsável por remodelar o principal parque da então capital do País, de 1943 a 1947, durante a gestão do prefeito do antigo Distrito Federal, Henrique Dodsworth.

Castro Maya realizou diversas intervenções, combinando melhorias para recuperar a infraestrutura e ampliar a visitação ao local. Demarcou os limites do parque, reconstruiu inúmeras edificações e instalações de restaurantes, recuperou estradas, pontes e caminhos, limpou lagos e cachoeiras, revitalizou praças e áreas de lazer, implantou paisagismo decorativo em recantos pitorescos, organizou serviços de drenagem e beneficiamentos no represamento de água e muros de contenção. Para realizar essa empreitada, trabalhou voluntariamente, tendo recebido apenas o simbólico valor de um cruzeiro por ano. Contou com uma equipe de cerca de 60 homens e mobilizou o premiado paisagista e artista plástico Roberto Burle Marx e o arquiteto Wladimir Alves. Sua vida, por sinal, foi retratada no documentário Castro Maya, dirigido pelo cineasta carioca Sylvio Tendler, que conta a relação dele com a cultura e as artes no Rio de Janeiro.

A Capela Mayrink foi reformada durante as obras
de revitalização conduzidas por Castro Maya na Floresta
da Tijuca (Foto: Humberto e José Moraes Franceschi)

O livro nasceu a partir de um relatório escrito por Castro Maya sobre o seu trabalho de revitalização e traz um conjunto de 33 pranchas com imagens de rara beleza e informações sobre os principais pontos da Floresta da Tijuca, como cascatas, jardins, pontes e caminhos internos. Há reproduções de aquarelas e gravuras de pintores como Jean-Baptiste Debret, Nicolas Antoine Taunay, Johann Rugendas e La Touanne, além de imagens publicadas na primeira edição do livro, de autoria dos fotógrafos Humberto e José Moraes Franceschi, que revelam recantos encantadores do parque.

A iniciativa de lançar uma edição atualizada, revisada e comentada, da obra partiu da direção dos Museus Castro Maya – que são um complexo formado pelo Museu do Açude, localizado no Alto da Boa Vista, junto à Floresta da Tijuca, e pelo Museu da Chácara do Céu, no bairro de Santa Teresa, ambos subordinados ao Instituto Brasileiro de Museus (Ibram). Os dois museus são um legado deixado por Castro Maya, com o objetivo de preservar, pesquisar e divulgar a sua coleção de arte. Eles pertenciam, inicialmente, a uma fundação, e posteriormente, em momento de crise e falta de recursos para a manutenção desses espaço, foram incorporados ao patrimônio da União. O acervo dos museus possui mais de 22 mil peças, a maior parte adquirida por Castro Maya entre as décadas de 1920 e 1960. Ambos abrangem amplos conjuntos de arte brasileira a partir do século XVI (destacando-se as maiores coleções públicas de obras de Jean-Baptiste Debret e Cândido Portinari), arte europeia dos séculos XIX e XX (incluindo um vasto núcleo de azulejaria e louça do Porto) e arte popular (mestre Vitalino), além de arte oriental. Destaca-se ainda a coleção Brasiliana, que reúne cerca de 1.700 imagens avulsas que retratam quase quatro séculos de paisagem e costumes brasileiros.

“Eu tinha esse desejo de organizar uma segunda edição da obra A Floresta da Tijuca, de Castro Maya, que é o patrono dos Museus. A edição original, que já estava esgotada, era uma brochura rara, um relatório do seu trabalho. Hoje sabemos que é muito atual a necessidade de se prestar contas dos gastos públicos, de se ter accountability, transparência, mas na época em que Castro Maya fez questão de deixar esse relato, ele foi pioneiro nesse sentido”, afirma a diretora dos Museus Castro Maya, Vera Alencar.

Tríptico de Portinari e purgatório (na parte inferior do altar),
no interior da capela: obras foram doadas pelos moradores
do Alto da Tijuca
(Foto: Humberto e José Moraes Franceschi) 

Há uma coincidência: o lançamento da nova edição do livro ocorreu por ocasião do aniversário de 450 anos do Rio e, quando em vida, Castro Maya foi o coordenador da comissão que organizou as comemorações de 400 anos da cidade. “Castro Maya estava intensamente envolvido com a vida cultural do Rio. Depois de seu trabalho de revitalização da Floresta da Tijuca, realizado em apenas três anos, a visitação ao local aumentou aproximadamente dez vezes. Ele foi ainda o primeiro presidente do Museu de Arte Moderna (MAM), impediu a construção de imóveis que destruiriam a Praça Paris, foi um bibliófilo, criou a sociedade Os Amigos da Gravura, em 1952, a fim de incentivar e difundir a produção gravurista brasileira, entre outros feitos. Foi mesmo um homem à frente do seu tempo”, completou Vera.

O trabalho de reedição da obra envolveu uma equipe multidisciplinar, incluindo a produção editorial, que ficou sob a responsabilidade de Andrea Jakobsson Estúdio. Por sua vez, a doutora em Educação e mestre em Artes pela Universidade de São Paulo (USP) Denise Grinspum trabalhou no relançamento da obra, como assessora técnica dos Museus Castro Maya, e foi a proponente do projeto junto à FAPERJ. “Resgatar a memória de Castro Maya é olhar para um homem que tinha uma visão de futuro, um ambientalista que tinha noção da importância dos espaços da cidade. Ele tinha a preocupação de transformar a floresta em um parque que fosse nacionalmente visitado, e o parque ganhou essa importância nacional. Ele tinha um olhar pioneiro sobre o patrimônio cultural e ambiental da Floresta da Tijuca. Foi um homem da preservação da história da cidade e das artes”, concluiu Denise, que assinou o Projeto Editorial & Pesquisa, junto com Vera, e hoje coordena a área da Educação do Instituto Moreira Salles. 

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