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Publicado em: 11/03/2003

Novas propostas em artes plásticas

Arrojo, criatividade, quebra de padrões e a busca de novas propostas em artes plásticas. Esses e outros aspectos dão vida a telas, fotos e instalações na exposição do Concurso Uniarte, até 13 de abril, na Galeria Mario Pedrosa – Espaço FAPERJ, no Museu Nacional de Belas Artes (MNBA). A mostra, promovida pela FAPERJ, reúne os trabalhos dos artistas plásticos Ana Muglia, Beatriz Pimenta, Fabiana Santos, João Modé e Kenny Neoob vencedores da terceira edição do Concurso. A vernissage aconteceu em 13 de março.

 

Criado pela FAPERJ em 1996, o Concurso Uniarte tem por objetivo apoiar, por meio da concessão de bolsas de pesquisa, artistas plásticos que estejam desenvolvendo experiências em torno de novas linguagens, técnicas e materiais. Durante um ano, os artistas selecionados desenvolveram trabalhos que agora serão expostos no MNBA.  Na mostra são exibidos os resultados das pesquisas realizadas em diferentes expressões, como pintura, fotografia, gravura e instalação.

 

Um total de 79 artistas concorreu às bolsas da terceira edição do Concurso Uniarte, realizada em 2002. Uma comissão julgadora presidida pelo coordenador do projeto, Luiz Carlos Veiga, e integrada por outros artistas plásticos e professores do MNBA, apontou os cinco projetos vencedores. Na época da seleção dos trabalhos, Luiz Carlos Veiga destacou a alta qualidade das propostas.

 

“Podemos notar que, desde 1996, vem ocorrendo uma nítida evolução no nível dos trabalhos inscritos no Concurso Uniarte. Mesmo se fossem dez bolsas, em vez de cinco, seria difícil apontar os vencedores, devido ao alto nível dos trabalhos apresentados”, afirmou Luiz Carlos Veiga na ocasião.

Para ele, a proposta do projeto foi plenamente cumprida. “O Uniarte é uma porta que se abre para permitir ao artista plástico alcançar um nível mais elevado”, afirmou Veiga, ao visitar a exposição do Museu Nacional de Belas Artes. “A bolsa dá ao artista a oportunidade de pesquisar novas técnicas, de se dedicar mais”. O projeto pode evoluir para o social. “A idéia é continuar apoiando os artistas e oferecer oficinas. Os artistas poderiam passar suas experiências para estudantes da rede pública e para jovens de comunidades carentes”, destacou.

A artista plástica Kenny Neoob apresenta duas telas nas quais trabalhou com pigmentos com resina acrílica. Durante os meses em que se dedicou ao Projeto Uniarte, Kenny pesquisou a transposição da linguagem da gravura para a da pintura. Nesse período produziu 32 gravuras, sendo 16 litografias e outras 16 em metal. Ao final, transpôs seis delas para os quadros. “As telas representam os fluxos de intensidade entre polaridades”, diz. 

Fabiana Santos trouxe dois projetos: uma escultura em instalação feita com fios de metal retirados de memórias de computador, na qual trabalhou com o ambiente e a visibilidade, e uma série de telas com técnica mista sobre filmes de poliéster, na qual procurou mostrar a tridimensionalidade. “É a relação entre o desenho, o tridimensional e os planos que criam profundidade”, explicou.

Apesar de ter proposto um projeto, ainda não concluído, sobre instalações, o artista plástico João Modé levou para a exposição um conjunto de objetos de dimensões e materiais diversos, ao qual deu o título de “Tudo no seu devido lugar, 2001/2002”. “São peças que vão surgindo espontaneamente. Não há uma lógica. É tudo em cima de uma situação caótica. E no local do caos não há lugar definido. Tudo é lugar de tudo e qualquer lugar é lugar para qualquer coisa”, explica.

Segundo Ana Muglia, o Projeto Uniarte deu a ela a oportunidade de pesquisar em uma escala maior. A artista apresenta dois trabalhos em têmpera sobre tela. “Meu trabalho é uma pesquisa sobre a casa, a fronteira e o limite. Ele busca uma reflexão sobre a relação do limite do quadro com o limite do espaço, que a parede estabelece”, afirmou Ana, que durante sua pesquisa fotografou canteiros de obras, onde foi buscar inspiração. “O canteiro é onde nasce a casa, a estrutura da construção”.

Buscando trabalhar com a imagem midiática, Beatriz Pimenta mostra uma série de imagens que circulam em três meios: fotografia, televisão e internet. “Essas imagens passam a sensação do lúdico e até do desespero. Mas tudo se trata de uma encenação. A proposta foi mostrar o lado do avesso da imagem midiática”, afirmou a artista plástica, que levou essa proposta para o site www.fragmentese.tk.

            O Museu Nacional de Belas Artes fica na Avenida Rio Branco 199, no Centro (2240-0068). Horário de funcionamento: terça a sexta-feira, das 10h às 18h. Sábados e domingos, das 14h às 18h. Ingressos a R$ 4. Domingos: grátis. A vernissage, no dia 13 de março, às 13h, terá entrada franca e o acesso será feito exclusivamente pela Rua Araújo Porto Alegre 80.
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