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Publicado em: 14/09/2017

Um museu a céu aberto que reúne o passado, o presente e o futuro

Danielle Kiffer 

Entrada do Museu de Favela, que fica entre as comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, entre Copacabana, Ipanema e Lagoa (Fotos: Divulgação) 

Um museu a céu aberto com muita história para contar, guardar e perpetuar. Assim é o Museu de Favela (MUF), localizado nas comunidades do Cantagalo e Pavão-Pavãozinho, entre os bairros Ipanema, Copacabana e Lagoa. Com 12 hectares de área e um rico acervo de cultura e modos de vida, o museu une o concreto e o subjetivo em uma proposta para lá de interessante: perpetuar a memória.

Em 2012, o Núcleo Interdisciplinar de Memória, Subjetividade e Cultura (NIimesc), que integra os departamentos de Psicologia e Artes & Design da PUC-Rio, sob a coordenação da professora Solange Jobim e Souza e do professor Nilton Gamba Junior, iniciou uma parceria de pesquisa-intervenção com o MUF, organização não governamental privada, de caráter comunitário, fundada em 2008 por lideranças culturais moradoras das favelas Pavão-Pavãozinho e Cantagalo. A proposta do MUF é criar estratégias de valorização da memória social e coletiva destas favelas, inventariando as lembranças de seus moradores e consolidando sua identidade social e cultural. O desafio do Nimesc junto ao MUF foi o de apoiar os projetos já existentes e oferecer possibilidades concretas de avanços de suas metas. 

Uma das telas pintadas nos muros da comunidade, que,
como as demais, tem as cores vivas do cotidiano loca

Uma das preocupações do Nimesc se refere à importância da criação de estratégias de divulgação dos resultados da pesquisa em plataformas acessíveis a um público mais amplo. Neste contexto, a proposta de uma publicação impressa e digital, em formato e-book, foi a melhor solução encontrada pela equipe. Surgiu então o livro Histórias de Vida e Memória Social, de autoria de Cintia Carvalho, Rita de Cássia Santos Pinto e Solange Jobim e Souza, uma publicação impressa e digital, fruto da pesquisa-intervenção realizada ao longo dos últimos cinco anos, sobre os modos de escuta de memórias dos moradores das favelas. 

A opção pelo livro digital se deu por dois motivos: primeiro, por ser uma plataforma capaz de abarcar a peculiaridade do material produzido  – vídeos de entrevistas com os moradores, fotografias, links de sites e músicas dentre outros. Segundo, por ser de mais fácil veiculação, pois o material pode circular pela Internet, tornando-se um produto mais acessível para o usuário. O funcionamento da plataforma digital viabiliza uma leitura não linear, permitindo ao leitor navegar através de links, criando uma rede de conhecimento que vai aos poucos alcançando maior densidade. Outra vantagem é que esta plataforma é ilimitada, podendo ser ampliada com novas informações a qualquer momento. Como o projeto prevê que os integrantes do MUF possam dar continuidade à formação de escuta de memórias, utilizando o e-book como material didático, as novas experiências poderão eventualmente suscitar outras reflexões, passíveis de ser posteriormente incorporadas ao material original.  A concretização do desenvolvimento do projeto do livro, impresso e no formato digital, se tornou possível com o apoio financeiro da FAPERJ, por meio do edital Apoio à Produção de Livros e DVDs em Comemoração dos 450 Anos do Rio de Janeiro. 

O e-book, cujo acesso se dá pela plataforma da Editora da PUC-Rio, está no seguinte endereço eletrônico:http://www.editora.vrc.puc-rio.br/media/ebook_historias_de_vida_e_memoria_social 

Traduzindo o morro em arte

       
Os cartazes de "Mulheres Guerreiras" criados pelas
artesãs: colagens de imagens, pedrarias e depoimentos

Como materializar a memória? Esse foi um dos grandes desafios do coordenador do Laboratório de Design de Histórias (DHIS), do programa de pós-graduação em Design da PUC-Rio e integrante do Nimesc, Nilton G. Gamba Junior, que, junto aos seus alunos de doutorado e mestrado, respectivamente, Jorge Langone e Davison Coutinho, colaborou para o projeto na parte artística. Para traduzir a cultura da comunidade em arte, ele e o grupo da universidade e as artesãs do museu, Antônia Ferreira Soares e Helena Rodrigues Benedito, refleriram muito até chegar a uma linguagem que representasse todos aqueles universos. Unindo o conhecimento acadêmico na área de artes e design à experiência técnica e expressiva do artesanato, conduziu-se o projeto de criação de uma linguagem visual própria para os produtos que visam a sustentabilidade do museu. “Para definir a nossa estética, pensamos no impacto que o morro gera no asfalto. E isso se traduz em muitas cores, originalidade e diversidade”, define o professor.

Depois de estabelecida a diretriz estética a ser seguida, a segunda fase do projeto artístico aconteceu com oficinas organizadas por Gamba para que, dentro da experiência das artesãs e para a formação das novas, elas pudessem gerar produtos sustentáveis. “Elaboramos produtos finais baseados no percurso das casas-tela e na cultura do morro, que também utilizassem papéis, pedrarias e tecidos descartados”, explica o professor. Dessa forma, com as técnicas de fuxico, bordado e modelagem de papel, foram criados souvenires como ímã de geladeira, camisetas e produtos que unissem a criatividade e a identidade daquelas pessoas e, que, além disso, pudessem gerar renda para as profissionais e para o próprio museu. As artesãs criaram ainda painéis para a exposição do evento "Mulheres Guerreiras", em que foram usadas as falas produzidas nas entrevistas conduzidas pelo Nimesc na fase conduzida pelo Departamento de Psicologia.

Mais informações: Museu de Favela - https://www.museudefavela.org
Histórias de Vida e Memória Social - http://www.editora.vrc.puc-rio.br/media/ebook_historias_de_vida_e_memoria_social

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