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Publicado em: 27/04/2017 | Atualizado em: 02/05/2017

Supertelescópio irá mapear o céu para desvendar mistérios do Universo

Danielle Kiffer

Projeção mostra como será o Telescópio de Levantamento Sinóptico (LSST), que coletará, por noite, 15 terabytes de dados (Foto: Reprodução/LSST)

"Há mais mistérios entre o céu e a terra do que a vã filosofia dos homens possa imaginar", já disse, uma vez, o escritor inglês, William Shakespeare (1564-1616). E é exatamente no céu, mais precisamente no Universo, que cientistas ao redor do mundo buscam desvendar o desconhecido. Para isso, a Fundação Nacional de Ciência dos EUA (NSF, na sigla em inglês), em parceria com o Departamento de Energia e diversas instituições privadas daquele país, está construindo o Large Synoptic Survey Telescope ou Telescópio de Levantamento Sinóptico (LSST), um supertelescópio que irá mapear o céu do Hemisfério Sul por um período de 10 anos. Ele será montado em Cerro Pachón, uma montanha próxima à cidade de Vicuña, no norte do Chile, na  Cordilheira dos Andes.

Com diâmetro de 8,4 metros, o LSST começará a funcionar na próxima década. Sua câmera, que consiste de um mosaico com 3.2 bilhões de pixels, a cada exposição, cobrirá uma área correspondente a 40 vezes o tamanho da Lua cheia; em apenas três dias, estudará o trecho de céu para o qual estiver disponível, possibilitando que todos os eventos que acontecerem – desde a passagem de um cometa até a expansão do Universo atribuída à energia escura –, sejam observados. A cada noite, serão coletados 15 terabytes de dados que serão transmitidos para diferentes centros de pesquisa para redução e análise. Após a redução dos dados, serão produzidos mais de 30 terabytes de informações, algo equivalente a aproximadamente 600 mil músicas digitais ou perto de 22 mil filmes digitais com duração de 1h30 e qualidade de DVD.

O Brasil tomará parte no projeto por meio do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA). De acordo com o astrofísico Luiz Nicolaci, coordenador do LIneA, o laboratório será o responsável por armazenar essa enorme quantidade de dados que o LSST vai gerar e disponibilizar para os brasileiros participantes do projeto. “Esse sistema será um poderoso coletor de luz óptico. E a velocidade de suas observações fornecerá aos astrônomos, pela primeira vez, uma visão dinâmica do Universo, em que variações de posição ou de fluxo serão registradas. Estima-se que o LSST gerará cerca de 10 milhões de alertas de eventos transientes a cada noite, que deverão ser classificados e os casos mais interessantes observados em outros telescópios.

Ao término de 10 anos, o levantamento obterá informações sobre 37 bilhões de estrelas e galáxias, explorando um volume de espaço sem precedentes”, explica Nicolaci. “Este projeto representa um grande desafio na área da Tecnologia de Informação, para gerenciar a transferência, processamento, armazenamento, análise e exploração científica da grande quantidade de dados que será gerada de forma ininterrupta”, complementa o astrofísico. Para esse desafio, o laboratório contou com o apoio da FAPERJ, por meio de diversos editais, entre eles, Apoio às Instituições de Ensino e Pesquisa Sediadas no Estado do Rio de Janeiro; Apoio a Núcleos de Excelência - Pronex; e Cientista do Nosso Estado, que ajudaram, inclusive, na compra de equipamentos para armazenamentos de dados.

Para Nicolaci, a participação do Brasil em um projeto dessa natureza representa um grande salto para os pesquisadores brasileiros, principalmente no que diz respeito ao entendimento da natureza da energia escura, fenômeno que ainda não é bem compreendido, e que seria responsável pela aceleração na expansão do Universo. “Repetindo a história de outros importantes momentos singulares, o LSST será um marco sem precedentes para a astronomia”, explica. Recentemente, um primeiro grupo de cinco pesquisadores brasileiros sêniores, cada qual podendo indicar quatro pesquisadores juniores, pôde entrar no projeto após a convocatória de um edital público. Nas negociações que viabilizaram este acordo, a Astronomia foi representada pelo diretor do Laboratório Nacional de Astrofísica (LNA), Bruno Castilho, e por Nicolaci, que ficaram responsáveis pelo processo de seleção dos membros do grupo de participação brasileira no LSST (denominado pela sigla em inglês BPG-LSST).

O LIneA – laboratório interinstitucional apoiado pelo Observatório Nacional (ON), pelo Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC) e pela Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) – foi criado com a finalidade de dar suporte à participação brasileira em levantamentos astronômicos geradores de grandes volumes de dados e também apoia outros projetos similares, entre eles, o Levantamento da Energia Escura (DES), o Levantamento Digital do Céu Sloan (SDSS) e, mais recentemente, o Telescópio de Levantamento Sinóptico (LSST) e o DESI (Dark Energy Spectroscopic Instrument).

A inovadora experiência na forma de atuar do LIneA culminou com a aprovação de um projeto no programa Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do e-Universo. Mais informações sobre estes projetos podem ser obtidas em www.linea.gov.br

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