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Publicado em: 06/04/2017

Controle do mosquito é parte do esforço para reduzir o risco de reurbanização da febre amarela

Lavinia Portella

Ricardo Lourenço, do IOC, destaca a importância do trabalho de
prevenção da febre amarela
(Foto: Gutemberg Brito/Fiocruz)

O risco de a febre amarela voltar a atingir os centros urbanos tem sido uma grande preocupação de especialistas, que temem uma nova expansão de surto da doença. Segundo o pesquisador Ricardo Lourenço de Oliveira, chefe do laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o perigo se deve à existência de muitos focos de mosquitos Aedes aegypti nas cidades e à cobertura vacinal da população em muitas cidades do Sudeste, que tem sido intensificada recentemente com a ampliação dos locais onde a imunização é recomendada. “A possibilidade de reurbanização da febre amarela existe, por isso devemos monitorar os casos registrados e preventivamente agir no controle do Aedes aegypti, que tem potencial para a transmissão do vírus em áreas urbanas. Assim, atuamos também sobre o vetor de arboviroses importantes: dengue, zika e chikungunya”, alerta Lourenço, que desenvolve pesquisa sobre os riscos de reemergência de casos silvestres da doença com apoio da FAPERJ, pelo edital Doenças Reemergentes e Negligenciadas, e também foi contemplado como Cientista do Nosso Estado – programa da Fundação destinado a projetos coordenados por pesquisadores de reconhecida liderança em sua área.

Especialista em mosquitos transmissores de doenças, o entomologista atua há 30 anos na investigação de vetores. Para Lourenço, os registros de casos de febre amarela silvestre no Estado do Rio de Janeiro e em outros estados do Sudeste chamam a atenção para uma preocupação antiga, ainda sem solução, e que pode gerar mais vítimas em cidades da região: a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença nos centros urbanos. Com tantos focos do inseto nas áreas urbanas, aumenta o risco de ocorrer um surto de febre amarela no próximo verão, assim como tem ocorrido nos últimos anos com a dengue, zika e chikungunya. “É preciso que a população entenda a importância de se vacinar para evitar a febre amarela, mas também a necessidade de continuar eliminando os focos do Aedes aegypti como uma ação continuada, que deve ser mantida ao longo do ano”, explicou o entomologista. Ele acrescenta que para o controle do Aedes aegypti basta uma ação semanal para eliminar os possíveis focos, antes que o mosquito consiga se desenvolver da fase de ovo até inseto adulto, o que leva de sete a dez dias. “Por isso a recomendação é baseada no conceito ‘10 Minutos Contra o Aedes’. Uma ação semanal basta para interromper o ciclo de vida do vetor”, destaca Lourenço.

Neste ano, a febre amarela foi registrada em áreas próximas a florestas do Rio de Janeiro, onde vivem os mosquitos Haemagogus e Sabethes, os dois principais vetores do vírus em casos silvestres da doença nas Américas. Os primeiros sintomas surgem de três a cinco dias após a picada de um mosquito contaminado. Com a migração natural das pessoas entre as zonas rurais e as áreas suburbanas ou centros urbanos, que concentram altos níveis de infestação pelo Aedes aegypti, aumenta o risco de transmissão do vírus nas cidades. “Para bloquear esse ciclo é preciso que as pessoas se vacinem”, diz.

Trabalho de coleta do mosquito transmissor da febre amarela
em Casemiro de Abreu
(Foto: Vinicius Ferreira/Fiocruz)

Os registros de casos da doença devem declinar por volta de junho, quando diminui a quantidade de chuva, reduzindo também a população de vetores, já que os ovos dos mosquitos depositados nos ocos de árvores dependem da água para eclodir. Mas é preciso atenção com o verão seguinte. Os ovos dos Haemagogus assim como os do Aedes aegypit podem sobreviver alguns meses sem água. E, se as fêmeas do mosquito forem portadoras do vírus no momento da postura dos ovos, seus descendentes podem nascer infectados. “Com as chuvas do próximo verão, os ovos dos Haemagogus podem se tornar larvas e originarem novos mosquitos adultos já portadores do vírus. Os macacos que ainda não tiveram a infecção podem ser infectados, amplificando o vírus e servindo de fonte de infecção para muitos outros mosquitos. E pessoas que vivem ou visitam essas regiões sem se vacinar correm risco de se infectar e adoecer”, alerta Lourenço.

Desde 2015, a equipe do pesquisador percorre municípios de diversas regiões do Estado do Rio de Janeiro, incluindo o Norte e o Noroeste Fluminense, que fazem divisa com Minas Gerais, São Paulo e o Espírito Santo, estados que registraram neste mês mortes ocasionadas pela febre amarela silvestre. Nas áreas de matas e florestas, durante o trabalho de campo iniciado há dois anos em mais de 20 municípios, a equipe do pesquisador coletou sangue de mais de 60 macacos e capturou amostras de mosquitos para identificar a circulação do vírus. Lourenço ressalta que até dezembro de 2016 ainda não se havia percebido morte de macacos. “Mas já existia o risco de reemergência de casos silvestres da febre amarela porque encontramos muitos vetores primários e macacos sensíveis ao vírus”, diz.

Recentemente, o grupo visitou o município de Casemiro de Abreu, na Baixa Litorânea, onde foram registradas as primeiras infecções em humanos no Estado do Rio de Janeiro. Por meio de armadilhas, os pesquisadores têm coletado ovos e mosquitos adultos nas matas e nas casas da zona rural para detectar as espécies de mosquitos e verificar, em laboratório, se existe a presença de vírus. Na primeira coleta realizada no município foram capturados 35 mosquitos, entre nove espécies diferentes. Foram encontrados mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que são vetores primários clássicos da febre amarela. Na análise deste primeiro conjunto de mosquitos a presença do vírus da febre amarela não foi detectada. O trabalho de coleta e de análise de vetores no local continua. “Com a análise dos vetores envolvidos nos casos recentes, esperamos contribuir para o esclarecimento do atual surto”, afirma ele.

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