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Publicado em: 09/03/2017

Inovar para expandir o desenvolvimento regional*

Débora Motta

Fachada da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do LNCC,
 
situada em Petrópolis, na Região Serrana (Fotos: Divulgação/LNCC)

Em meio ao clima ameno da Região Serrana, o município de Petrópolis, também chamado de “Cidade Imperial”, é reconhecido pelo seu patrimônio histórico. O charme da arquitetura dos tempos da família real, os museus e o setor têxtil fazem do turismo uma atividade importante para a economia local. Distante pouco mais de 60 quilômetros do Rio, Petrópolis também vem consolidando o seu desenvolvimento pelo caminho da inovação em Ciência e Tecnologia. Localizado no tradicional bairro do Quitandinha, o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), considerado a instituição líder no País em pesquisas na área de computação – com destaque para a modelagem computacional –, abriga em suas dependências uma incubadora de empresas nascentes de base tecnológica – as chamadas ‘start-ups’ –, que vem contribuindo para transformar o conhecimento em produtos comerciais competitivos, a partir de pesquisas realizadas pelo LNCC ou outras entidades.

Mas afinal, o que são incubadoras de empresas? Geralmente associadas a uma universidade ou a uma instituição pública, elas apoiam empresas nos seus primeiros anos, ajudando a estabelecer o modelo de negócio das start-ups. Pode-se fazer uma analogia. Um recém-nascido vai para a incubadora receber os primeiros cuidados, até que adquira um grau de desenvolvimento mínimo para ter autonomia. Do mesmo modo, uma start-up fica incubada em um ambiente planejado e protegido, que conta com ferramentas para ajudar microempresas ou investidores que precisam de assistência para tirar suas ideias do papel e alavancar os negócios.

Assim, a missão da Incubadora de Empresas de Base Tecnológica do LNCC é oferecer condições facilitadas para o surgimento e desenvolvimento de empresas da área de tecnologia que nascem pequenas, mas com grande potencial de expansão – até que elas tenham condições de caminhar por conta própria, após ficarem incubadas por um período de até seis anos. “A incubadora do LNCC foi criada em 2001, com o objetivo de hospedar projetos inovadores de base tecnológica, nas áreas de tecnologia da informação e simulação de sistemas complexos, e de promover o desenvolvimento regional, fortalecendo o que chamamos de ecossistema de inovação local”, explica o gerente da incubadora do LNCC, Flávio Toledo. “Outros objetivos da incubadora são promover a associação entre pesquisadores e empreendedores e criar uma cultura empreendedora dentro do próprio LNCC”, completa.

Em pouco mais de uma década de existência, a incubadora se tornou uma referência para projetos em tecnologia na Região Serrana. Atualmente, ocupa uma área de 290 metros quadrados, em edifício anexo situado no campus do LNCC. O presidente da FAPERJ, Augusto C. Raupp, acompanhou de perto o desenrolar dessa história. Ele foi o gerente da incubadora nos seus anos iniciais, quando submeteu à Fundação iniciativa intitulada “Projeto de ampliação de estrutura e aprimoramento de serviços da Incubadora LNCC”. Em 2008, o projeto foi contemplado em edital voltado especialmente para o empreendedorismo – Apoio a Incubadoras de Empresas de Base Tecnológica do Estado do Rio de Janeiro.

“Faz muito sentido para o LNCC ter uma incubadora de empresas, que possibilite criar mecanismos de transferência das tecnologias geradas na própria instituição às empresas e devolver à sociedade o resultado das inovações tecnológicas”, pondera Raupp. Por sua vez, o atual gerente da incubadora reconhece a importância do lançamento de editais específicos para dar suporte às incubadoras de empresas pela Fundação. “O apoio da FAPERJ nos primeiros anos do projeto possibilitou uma melhoria significativa na infraestrutura da incubadora, que passou a ocupar um espaço maior. E pretendemos investir mais recursos com o objetivo de melhorar esse espaço”, acrescenta Toledo.

Para Raupp, um dos grandes gargalos para o desenvolvimento estadual é a escassez de investidores privados. “O estado do Rio de Janeiro tem tudo para ser um hub de empreendedorismo inovador. Temos excelentes universidades e institutos de Ciência e Tecnologia com potencial de transferir Tecnologia, mas faltam investidores privados”, avalia o economista. Ele lembra que a FAPERJ lançou, em dezembro de 2015, um edital especificamente voltado para investidores-anjos, denominado Qualificação de Investidores em Empresas Inovadoras do Estado do Rio de Janeiro, seguido de outros, lançados ao longo deste ano, como Apoio às Incubadoras e Aceleradoras de Empresas e Apoio ao Empreendedorismo e Formação de Start-ups em Saúde Humana do Estado do Rio de Janeiro. “Outros lançamentos nesse sentido, ainda em 2016, serão os editais Start-up Nano, voltado especialmente para a área de Nanotecnologia, e o Start-up Energias Renováveis”, adianta o atual titular da presidência da FAPERJ, desde janeiro de 2015.

Infraestrutura e projetos

Toledo destaca a importância de promover
uma cultura empreendedora no LNCC  

Uma das vantagens para as empresas que estão engatinhando é ter acesso à infraestrutura oferecida pela incubadora, mediante o pagamento de uma pequena taxa mensal fixa. “Atualmente, a incubadora abriga cinco empresas. Cada uma tem um módulo próprio e mobiliado, com cerca de 20 metros quadrados; acesso à Internet de alta velocidade e à telefonia local; acesso à sala de reunião e seus equipamentos; e aos serviços básicos inerentes às atividades administrativas, como manutenção e limpeza das áreas comuns internas e externas e segurança 24 horas”, detalha Toledo.

Outra facilidade, que pode ser o diferencial para os empreendedores que estão dando os primeiros passos, é receber assessoria e capacitação. “As start-ups recebem assessoria jurídica, contábil e gerencial, com suporte para a elaboração do plano de negócios, de comunicação e marketing. Também participam de workshops para capacitação e recebem apoio na realização e participação em eventos; além de apoio para o registro de marcas e patentes de inovações tecnológicas e da consultoria científica e tecnológica do LNCC”, explica o gerente.

Neste momento, as start-ups incubadas pertencem, basicamente, à área de tecnologia da informação e comunicação (TIC). São elas: DBS² (soluções em big data, isto é, para tomadas de decisão com base na análise de grandes volumes de dados); Pauta Online (plataforma para Educação a Distância); R4Enterprise (ferramentas para desenvolver aplicações científicas, que trabalham com complexos procedimentos estatísticos, de Engenharia e de Física); Pajé System (sistema de apoio a decisão médica, para profissionais de saúde e pacientes); e AprendaNet Informática (desenvolvimento de plataforma que integra Educação, Ciência e Inovação pela Internet).

O empreendedor Renato Dória, da AprendaNet, reconhece a importância do suporte da incubadora para seu negócio. “As start-ups necessitam de apoio. O acesso à infraestrutura da incubadora do LNCC tem sido fundamental. São coisas básicas, como acesso à Internet, mas que fazem a diferença. Também é interessante compartilhar experiências em um espaço de coworking”, conta Dória, que é doutor em Física pela Universidade de Oxford, na Inglaterra. Entre os produtos desenvolvidos pela sua start-up estão a plataforma Professor Global, vencedora do Prêmio da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-RJ), de Melhor Empresa na Área de Educação nos anos de 2013, 2014 e 2015.

Com acesso gratuito, o Professor Global ajuda a popularizar o ensino na área das ciências exatas, para os ensinos superior e médio. A plataforma disponibiliza quatro mil funções matemáticas para uso interativo, seja na Internet, no celular ou na TV digital. “O aluno que tem vontade de aprender pode entrar no Professor Global e estudar sozinho, o que pode ser muito útil para ajudar a suprir deficiências do ensino para pessoas que moram no interior”, explica Dória. Ele destaca que vivemos na época da educação online. “Vai acontecer uma revolução, digital, na educação, 500 anos depois da invenção da imprensa por Gutemberg. A questão é saber se o Brasil vai participar dela ou não. Pegar um livro de álgebra e transformá-lo em uma tela interativa demora cerca de um ano. Se o Brasil ficar atrasado na produção própria de conteúdo educacional digital, ele será obrigado a importar esse tipo de produto no futuro”, ressalta.

Outro exemplo de desenvolvimento tecnológico em curso na incubadora do LNCC é o Sistema para Acompanhamento Holístico de Atletas (SAHA), criado pela empresa DBS². “Temos diversos projetos na área de big data, mas o nosso carro-chefe é o SAHA, voltado para monitorar o desempenho de atletas de alto rendimento. O sistema tem como diferencial integrar dados de diversas disciplinas da Ciência do Esporte, como Bioquímica, Fisiologia, Nutrição, Biomecânica, Comportamento e Treinamento Físico, a serem usados em modelos para prever e sugerir intervenções. O projeto é fruto de uma parceria com o Comitê Olímpico Brasileiro, o COB, na busca por métodos científicos para a melhora do desempenho de atletas”, explica o fundador da DBS², Fabio Porto.

Após cruzar os dados, o SAHA sugere alternativas de interferência para melhorar o desempenho dos atletas. O sistema foi utilizado no Laboratório Olímpico, instalado no Parque Aquático Maria Lenk, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio, palco das disputas de Saltos Ornamentais e de Polo Aquático nos Jogos Rio 2016. “Depois de ser utilizado nos Jogos, o sistema deverá ficar como legado. O objetivo do SAHA é oferecer uma ferramenta tecnológica para fomentar o esporte num nível de alto rendimento em longo prazo”, afirma Porto.

Ele também coordena, no LNCC, o laboratório DEXL, voltado para técnicas e algoritmos para análise de grandes volumes de dados de várias áreas, como Astronomia, Esportes, Ciência do Esporte, Petróleo e Biodiversidade. “Vimos na incubadora do LNCC a oportunidade de transferir para a sociedade a tecnologia que antes estava restrita ao laboratório”, afirma Porto, que é professor da pós-graduação em Modelagem Computacional no LNCC.

Critérios para seleção de start-ups

Instalado em 2015, o supercomputador Santos Dumont pode ajudar
nas pesquisas feitas pelas
start-ups incubadas pela instituição

Para serem selecionados para incubação, os projetos devem propor tecnologias que tenham afinidade com as atividades de pesquisa e desenvolvimento do LNCC, nas seguintes áreas: Bioinformática, Gestão de Infraestrutura, Computação Científica aplicada aos diversos campos da Engenharia, Meio Ambiente, Meteorologia, Telecomunicações, Óleo e Gás, Saúde, Redes de Computadores, Segurança da Informação, Computação de Alto Desempenho e Visualização Avançada. “Todos os projetos que estão alinhados com as linhas de pesquisa tecnológica desenvolvidas no LNCC, como Visualização Gráfica, Big data, Telemedicina, Soluções em Cloud e Segurança de Rede, se enquadram nos critérios da nossa incubadora. Empreendedores externos à instituição também podem apresentar projetos“, convida Toledo.

O gerente lembra que a incubadora do LNCC está continuamente selecionando empreendedores que desenvolvam ideias inovadoras tecnológicas, por meio de edital de ampla concorrência, disponível no site: http://www.incubadora.lncc.br. Um banco de ideias também pode ser acessado por pessoas interessadas. Não há prazo definido para as inscrições. As propostas podem ser apresentadas por pessoas físicas ou jurídicas, individualmente ou em grupo, não sendo necessário que a empresa esteja formalmente constituída quando da apresentação do projeto. O Plano de Negócios deve, preferencialmente, ser de criação, desenvolvimento ou melhoria de produtos, processos ou serviços de tecnologia inovadora. Também pode ter como objetivo o desenvolvimento de uma nova linha de produtos ou serviços por uma empresa associada. Dúvidas podem ser esclarecidas pelo e-mail: incubadora@lncc.br

A incubadora é um importante agente no ecossistema de inovação, porque possibilita a transformação de ideias e projetos de pesquisa em produtos e serviços que tem como alvo final o mercado. “Nesse processo, postos de trabalho são gerados. Essas empresas têm a possibilidade de fechar parcerias com outros agentes e outras empresas. Há um fortalecimento da economia local, com a atração de novos projetos para a região, de mais empregos e oportunidades de negócio”, conclui Toledo. Vale lembrar que, no Brasil, a taxa de sobrevivência das micro e pequenas empresas, segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), é de 44% – ou seja, mais da metade das jovens empresas não consegue ir além do seu terceiro ano de vida. Nesse contexto, as incubadoras são uma força extra para quem está começando e precisa reduzir os custos iniciais.

Sobre o LNCC

O LNCC é uma referência em Computação e Matemática Aplicada no Brasil. A instituição, sediada em Petrópolis, participou, em 1992, da criação da Rede Rio de Computadores, a primeira rede de Internet acadêmica no Brasil, financiada pela FAPERJ – e criada junto com o Núcleo de Computação Eletrônica (NCE), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e o Rio Datacentro (RDC), da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio). Em 2015, o LNCC recebeu o “Santos Dumont”, o maior computador da América Latina, adquirido na França pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI), após uma extensiva análise do mercado de supercomputadores petaflópicos (1015 operações de ponto flutuante por segundo, equivalente a somas/subtrações).

Reportagem originalmente publicada em Rio Pesquisa, Ano VIII, Nº 36 (Setembro de 2016)

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