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Publicado em: 16/03/2017

Pipoca made in Brasil

Aline Salgado

Em laboratório na Uenf, pesquisadores realizam testes para
identificar plantas que melhor se adaptem
a solos com
baixo teor de fósforo da região
(Foto: Divulgação)

Atores, diretores, trilha sonora, efeitos especiais. Há algum tempo o cinema norte-americano faz não só a cabeça de nós brasileiros, mas também o paladar, quando o assunto é pipoca. Aqui, essa variedade especial de milho produzida nos Estados Unidos também é a estrela dentro e fora das salas de cinema. Cerca de 90% do alimento que consumimos vem de lá. A estimativa é do agrônomo e especialista em genética e melhoramento de grãos Antonio Teixeira do Amaral Júnior. 

Cientista do Nosso Estado pela FAPERJ, Amaral Jr. é professor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e há 20 anos se dedica a tornar o milho-pipoca um cultivo economicamente atraente aos pequenos e médios produtores do estado. Segundo o pesquisador, o milho-pipoca é três vezes mais rentável do que o milho comum. No entanto, o Brasil conta com apenas três sementes naturais daqui, frente aos 87 cultiváveis vindos de fora e comercializados no País.  

Além dos ganhos para a economia, tornar o Rio de Janeiro autossuficiente na produção de milho-pipoca levaria também ao fortalecimento da agropecuária do estado. De acordo com dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o agronegócio no Rio de Janeiro tem uma participação de apenas 0,5% no valor adicional bruto do PIB nacional (Produto Interno Bruto), enquanto o vizinho Espírito Santo participa com 3,4%. 

"Hoje somos um estado dependente economicamente dos royalties do petróleo. Temos que ter uma alternativa e o cultivo do milho-pipoca pode ser uma saída. Com um alto valor de mercado e muita aceitação, interna e externamente", avalia Amaral Jr. 

Para tornar o Rio de Janeiro um produtor do grão, o pesquisador e professor da Uenf estuda técnicas de melhoramento genético da planta por meio da seleção de híbridos mais adaptados a solos pobres em fósforo, que é o caso do nosso estado. Em 2014, o estudo recebeu apoio por meio do programa Treinamento e Capacitação Técnica (TCT), da FAPERJ, que concedeu suporte financeiro à manutenção das pesquisas.

Antonio Teixeira do Amaral Jr.: para o pesquisador, cultivo do
milho-pipoca pode ajudar a reduzir a dependenência do estado do
Rio de Janeiro dos royalties do petróleo (Foto: Paulo Damasceno)  

"Fazemos uma seleção de linhagem para a obtenção de híbridos. Em outras palavras, por meio de testes em campo na fazenda de Itaocara, onde os níveis de fósforo chegam a 5 bpm, bem abaixo da média nacional, induzimos o cultivo do milho-pipoca e acompanhamos como a planta se desenvolve. Selecionamos os híbridos que melhor se adaptam às condições de solo e clima, isto é, quais se apresentam mais vigorosos, produzindo mais sementes e conseguindo se expandir bem", explica o agrônomo.  

Segundo Amaral Jr., além do Rio de Janeiro, o Centro-Oeste, maior produtor de soja do País, tem solos com baixos níveis de fósforo. Logo, para o professor da Uenf, o avanço das pesquisas com o milho-pipoca poderia levar à região a ter mais uma boa e rentável opção de cultivo. "Já identificamos as linhagens superiores e já estamos obtendo os híbridos, que são o resultado do cruzamento entre linhagens superiores. Após a conclusão dessa etapa, vamos efetuar o registro junto ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e, só depois, iniciaremos o processo de comercialização, quando efetivamente o grão chegará às mãos do produtor", conta o pesquisador.

Outra vantagem do melhoramento genético do milho-pipoca é o cultivo sustentável, sem o uso de fertilizantes. "Esta é uma cultura mais suscetível do que o milho comum, por isso requer mais cuidados. Além do fósforo, há estudos na Uenf para tornar o grão mais resistente a determinadas pragas, como também mais tolerante a solos com baixo nível de nitrogênio e ao déficit hídrico", diz o pesquisador. Agora é aguardar para que as salas de cinema do País recebam, em breve, as estrelas nacionais da agricultura.

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