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Publicado em: 10/12/2015

Um passo à frente das inovações do mundo digital

Aline Salgado

Pedro Curi, da ESPM-Rio: apresentação sobre os
desafios da indústria criativa 
(Foto: Lécio Augusto Ramos)

Num piscar de olhos, as novas Tecnologias da Comunicação e Informação (TICs) vêm revolucionando a vida da sociedade. Para não perder o bonde da inovação, a 8ª edição do Encontros FAPERJ, evento promovido pelo Núcleo de Estudos em Políticas Públicas para Inovação (Neppi), convidou o coordenador do curso de Cinema e Audiovisual da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM Rio) e doutor em Comunicação Social pela Universidade Federal Fluminense (UFF), Pedro Curi. O especialista discutiu os desafios e oportunidades que se abrem para a indústria criativa, em especial, a cadeia do audiovisual, diante das múltiplas possibilidades de consumo e produção participativos, permitidos pelas novas TICs. 

O evento aconteceu na última quarta-feira, 9 de dezembro, excepcionalmente na sede da ESPM, no Centro do Rio, e mobilizou pesquisadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), da UFF, do Instituto Gênesis da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), além do Núcleo de Economia Criativa da ESPM Rio e do corpo técnico da FAPERJ.

Estudioso da convergência digital sob a ótica dos hábitos de consumo de fãs brasileiros de séries de TV estadunidenses, Pedro Curi apresentou à plateia como as novas TCIs correm à frente da academia, do governo, das instituições de fomento à pesquisa e à tecnologia e, até mesmo, de muitas companhias. Segundo ele, todos os organismos da cadeia econômica precisam se adaptar aos novos comportamentos sociais, proporcionados pela convergência digital e pela inteligência coletiva, e usar as novas TCIs como catalisador de suas ações.

"A cultura da convergência, de Henry Jenkins, fala das transformações tecnológicas, mercadológicas, culturais e sociais que potencializam práticas, como a cultura participativa e a inteligência coletiva. Dentro desse contexto, é importante lembrarmos que o consumidor sempre foi um sujeito ativo, ele não começou a ser ativo agora. Mas com a convergência dos meios de comunicação, criaram-se canais mais eficientes de circulação desses conteúdos", apontou Curi.

O antigo e popular boca-a-boca encontra local de reverberação no Facebook, onde as pessoas estão cada vez mais interligadas e globalmente conectadas. As novas tecnologias acabam, assim, promovendo mudanças nos meios e modos de produção das companhias. Mas as transformações vão além das antigas fronteiras: as TCIs permitem que o próprio consumidor seja o protagonista do processo de inovação.

"O que acontece quando eu passo a ter a capacidade de produzir, também, os meus conteúdos e não apenas comprá-los?", questionou Curi. "A interação entre o público e as empresas sempre existiu, mas hoje esse contato é instantâneo. Pensar a inteligência coletiva, sob o conceito de Pierre Levy, é pensar esse consumidor participativo. As empresas hoje passaram a incluir o consumidor no processo de produção. Por outro lado, o consumidor faz circular a informação e produz seu próprio conteúdo, pois também tem acesso aos meios produtivos", acrescentou o especialista.   

Banner do filme independente feito por fãs
da trilogia O senhor dos anéis (Foto: Reprodução)

Para ilustrar esse momento tão inovador, Pedro Curi citou o caso de um fã de quadrinhos do Superman que, em 2005, criou um filme sobre a série com apenas US$ 25 mil em caixa. A produção circulou pela Internet. Mais tarde, em 2009, surgiu um fan film ainda mais ousado: The hunt for Gollum. Admiradores da trilogia O senhor dos anéis produziram um filme a partir de um apêndice de um dos livros da série, que não havia sido trabalhada pela produção oficial. A obra contou com lançamento mundial, de ampla divulgação, e teve direito ainda a teaser e making off. "Em apenas um dia, houve 250 mil acessos. Em uma semana, chegou-se a 1 milhão", ressaltou Curi.    

Segundo o pesquisador, esses circuitos criados pelos consumidores estão sendo apropriados pelo mercado, de forma bastante inteligente. "Isso gera uma retorno e uma mobilização ainda maior em torno dos conteúdos produzidos", diz ele. Em pesquisa realizada para embasar a sua tese de doutorado, defendida na UFF, Curi identificou que 75% dos consumidores que assistem a séries fazem isso por meio de arquivos baixados da Internet; desses, mais de 50% estariam dispostos a pagar pelo acesso a esse conteúdo. 

"O brasileiro cria circuitos alternativos não porque ele não quer pagar pelo conteúdo e sim porque o que está disponível não atende as suas necessidades. Ao assumir o posicionamento de transmitir Games of Thrones simultaneamente no Brasil e nos Estados Unidos, por exemplo, a HBO ganhou o respeito dos fãs e conseguiu, assim, chamar novamente as pessoas para a TV, permitindo a sociabilidade em torno da série, seja no mundo real, seja no virtual", afirmou Curi.

Para o especialista em Comunicação Social, o pulo do gato das empresas é saber aproveitar as oportunidades e rever antigos modelos. "Não é esperar e ver o que vai acontecer. E, sim, se adaptar ao comportamento e usar a tecnologia como catalisador de suas ações. As novas Tecnologias da Comunicação e da Informação (TCIs) exigem que você saia na frente, que você se reinvente, sempre", enfatizou. Segundo Curi, o Netflix é um bom exemplo de ação bem-sucedida. 

"A companhia quebrou as locadoras  ao observar a tendência de comportamento dos consumidores, alterada e ampliada pelas TCIs. Eles previram a mudança e criaram um novo modelo", avaliou.

Esta foi a última edição do ano do Encontros FAPERJ. A série deverá ser retomada em 2016, a partir de março. Outra novidade prevista para o ano que vem é a publicação de um livro com os temas discutidos nos eventos realizados ao longo de 2015.

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