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Publicado em: 29/10/2015

A ciência apresentada de forma leve e divertida

Vinicius Zepeda

 O ganhador do concurso, Leonardo Parreira (à dir.), ao
lado do personagem 'Saco' (Fotos: Eneraldo Carneiro/UFRJ)

A Casa da Ciência, centro cultural da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), localizado no bairro de Botafogo, Zona Sul do Rio, sediou na noite da última quinta-feira, 22 de outubro, a etapa final da 3ª edição do concurso de comunicação científica Euraxess Science Slam Brazil. A iniciativa, que desde sua primeira edição conta com apoio da FAPERJ, esse ano premiou os cinco finalistas. A competição funciona como uma espécie de “sarau científico”, em que é possível mostrar que assuntos complicados para o público leigo podem, em geral, ser explicados de forma lúdica, leve e até mesmo bem-humorada, seja com encenações teatrais, performances, coreografias ou mesmo vídeos de até dez minutos. Versão brasileira do evento homônimo criado na União Europeia, o concurso é realizado anualmente na cidade do Rio de Janeiro e aberto a pesquisadores em atividade no País (mestrando em diante), de todas as nacionalidades e áreas do conhecimento. As performances podem ser feitas em inglês ou português. A diretora de Tecnologia da FAPERJ, Eliete Bouskela, representou a Fundação no evento.

O concurso é organizado pela Euraxess Links Brazil, iniciativa da Comissão Europeia voltada para incentivar pesquisadores de instituições brasileiras interessados em desenvolver carreira científica na Europa, ou mesmo estabelecer parcerias em pesquisa. O vencedor ganha uma passagem para a Europa com direito a visitar a instituição de pesquisa da sua escolha e participa do seminário de comunicação científica Euraxess Voice of the Researchers, onde ainda tem a oportunidade de encontrar com representantes da Comissão Europeia e participar do evento na companhia dos ganhadores do concurso realizado em outras partes do mundo: o Euraxess Science Slam ASEAN, que conta com a presença de China, Índia, Japão e América do Norte. A edição brasileira do concurso contou com 45 candidaturas de diferentes regiões do País e teve cinco projetos selecionados entre os finalistas.

Antes do anúncio oficial do ganhador do concurso, a neurocientista, professora e pesquisadora da UFRJ Suzana Herculano-Houzel realizou uma apresentação nos mesmos moldes dos cinco finalistas. Em dez minutos, ela explicou como são formadas as dobras dos cérebros de diferentes mamíferos e por que os cérebros de mamíferos com tamanho maior, como o elefante, são mais dobrados que os menores, como os de homens e de camundongos, por exemplo.

O grande vencedor do Euraxess Science Slam Brazil 2015 foi o biomédico Leonardo Parreira, estudante de doutorado em Ciências da Saúde na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Com uma apresentação teatral que arrancou diversas risadas do público presente, ele explicou através do personagem “saco” e do super-herói “castanha man”, como o consumo de castanha pode contribuir para minimizar os efeitos da quimioterapia do câncer de testículo.

A performance teatral e o bom humor também estiveram presentes em mais duas apresentações. Aluna de Doutorado em Produção Animal na Universidade de São Paulo (USP), Andressa Natel apresentou uma entrevista com a “Vaca Mu” para falar sobre alternativas nutricionais à redução do gás metano produzido na digestão dos ruminantes. Também estudante de doutorado na USP, mas na área de Astrofísica, Fellipy Dias Silva travou um diálogo com o personagem “Poeirento” para falar sobre o efeito da poeira cósmica nos conjuntos estelares.

Diretora de Tecnologia da FAPERJ, Eliete Bouskela falou da
a importância da comunicação dos cientistas com a sociedade

O Rio de Janeiro esteve representado entre os finalistas do concurso por João Silveira, coreógrafo e mestre em Educação, Gestão e Difusão de Biociências pela UFRJ. O pesquisador falou sobre o potencial da integração entre arte, ciência e educação para a popularização da ciência. Já a doutora em Oceanografia Biológica, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), Maira Proietti apresentou em uma animação em vídeo em que falou sobre a hibridização das tartarugas marinhas na costa brasileira.

Diretora da Casa da Ciência, Fátima Britto abriu o evento falando sobre a importância da divulgação científica. “É preciso que a juventude se apaixone por esta área para que a ciência não se restrinja apenas aos laboratórios e seja cada vez mais popularizada entre o público em geral”, afirmou. Já a representante da Euraxess Links Brazil, Charlote Grawitz, falou sobre o prêmio e destacou como eventos voltados para comunicação científica são comuns na Europa. “O Velho Continente tem tradição em cafés científicos, shows de ciência e performances de pesquisadores. Este ano aconteceu a décima edição da ‘Noite Europeia de Pesquisadores’, evento que ocorre sempre na última sexta-feira de setembro em mais de 300 cidades europeias ao mesmo tempo, para trazer os pesquisadores para as ruas para falar com o público leigo”, explicou.

Já a diretora de Tecnologia da FAPERJ, Eliete Bouskela destacou o papel da Fundação e a importância da comunicação dos cientistas com a sociedade. “A FAPERJ está absolutamente aberta para apoiar todos os pesquisadores interessados em fazer ciência e, principalmente, jovens cientistas, como os que aqui estão presentes, e que, com certeza, têm um ‘botãozinho’ a mais no cérebro voltado para a comunicação”, disse. Em seguida, ela convidou Ricardo Cravo Albin para falar sobre a publicação MPB – A História de um século, de autoria do musicólogo, editada com apoio da FAPERJ e distribuída aos cinco finalistas do concurso. Com mais de 400 páginas, o livro apresenta a história dos diferentes gêneros musicais existentes no Brasil no período de 1890 a 1990, e ainda vem acompanhado de quatro CDs duplos com raridades da MPB gravadas ao vivo pela Rádio MEC, em um programa apresentado pelo próprio Cravo Albin.

O musicólogo demonstrou seu profundo entusiasmo pelo concurso. “O evento não representa apenas a divulgação da ciência, mas a invenção. Ele é fundamental, sobretudo, para a sustentação da criatividade e mesmo sua melhoria”, afirmou. Ele destacou a importância do apoio dado pela FAPERJ não só para a ciência, mas também para a cultura no estado. “A Fundação apoia não apenas a ciência e a tecnologia, mas aquilo que é a estratificação da alma de um povo: a cultura. E o livro é fruto do trabalho de pesquisa voltado para o resgate e a preservação da memória da música popular brasileira”, complementou.

Os cinco finalistas: a partir da esq., Fellipy Dias Silva, Andressa Natel,
Leonardo Parreira, Maíra Proietti e João Silveira
(Foto: Vinicius Zepeda)

Também estiveram presentes, representando a FAPERJ, a assessora da Diretoria Científica, Leila Pontes – que desde a primeira edição do concurso vem participando como jurada –, e a assessora de Relações Internacionais, Priscilla Haddock-Lobo. "Este concurso mostra que a ciência não deve ser vista como separada da arte. Além de excelentes pesquisas, muitos cientistas também têm enorme capacidade de serem grandes comunicadores, de apresentarem seus estudos para a sociedade de uma maneira leve, divertida e impactante. E isso é cada vez mais importante nos dias de hoje. Porém, nem sempre foi assim. O astrônomo e escritor americano Carl Sagan (1934 -1996), autor de centenas de publicações científicas e mais dezenas de livros de ficção científica, foi muito criticado em sua época", explicou Leila. Já Priscilla destacou a parceria entre as duas instituições. “Desde 2013, quando a Euraxess Link Brazil começou a funcionar no País, nós abraçamos a ideia da versão brasileira do seu concurso de comunicação científica e estamos apoiando sua realização”, explicou.  

Para saber mais sobre o Euraxess Links Brazil acesse: http://brazil.euraxess.org/  ou www.facebook.com/EuraxessLinksBrasil

Para saber mais sobre o concurso Euraxess Science Slam Brazil acesse: www.scienceslambrasil.com

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