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Publicado em: 26/08/2002

Cientistas europeus recorrem a know - how brasileiro para combater epidemia

Cientistas europeus recorrem a know - how brasileiro para combater epidemia

Cientistas de vários paí ses que se dedicam à área de Saúde têm voltado a atenção para uma doença que, embora controlada desde o final do século passado, reluta em desaparecer: a difteria. Na reunião promovida em junho de 2000 pela Organização Mundial da Saúde Européia, na Bélgica, especialistas de mais de 30 países se mostraram preocupados com o risco de uma eventual epidemia generalizada, já que a Europa vem enfrentando um dos mais graves surtos da doença nas últimas décadas, com aproximadamente 157 mil casos confirmados e 5 mil óbitos registrados no período de 1990 a 1999, sendo a maioria deles (75%) em adultos.

O Brasil foi o único país da América Latina representado na reunião por uma equipe de pesquisadores do Rio de Janeiro, que há anos se dedica ao estudo da espécie Corynebacterium diphtheriae, causadora da difteria. A equipe é formada por integrantes da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), atualmente sob a coordenação da professora Ana Luiza de Mattos Guaraldi, e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a coordenação do professor-pesquisador Luiz Carlos Duarte Formiga. Como medida preventiva à situação que se instalou na Europa, o Brasil passou também a aplicar a vacina tríplice bacteriana (DTP), anteriormente só destinada a crianças menores de dois anos de idade, na população acima de sete anos. Mas todo o cuidado é pouco. Segundo Ana Luiza, embora a criança vacinada não corra o risco de desenvolver a doença, pelo menos até atingir a fase adulta, a bactéria pode ser ainda encontrada nas superfícies cutâneo-mucosas de indivíduos sadios, tornando-os potenciais transmissores para pessoas que ainda não tenham sido vacinadas.

Mutações da bactéria no mundo

As amostras da bactéria causadora da difteria que circulam no Brasil são diferentes das que são encontradas nos países desenvolvidos. “A amostra na qual estamos trabalhando no momento é o Corynebacterium diphtheriae, com alterações biológicas, que sobrevive principalmente na América Latina. Acreditamos que exista algum mecanismo que favoreça o seu crescimento em nosso ambiente e queremos justamente entender esse mecanismo. Nosso receio é de que as amostras de bacilo diftérico de diferentes regiões do mundo adquiram características biológicas umas das outras, tornando -se capaz de causar novos tipos de epidemias ou quadros infecciosos mais graves”, alerta a pesquisadora que, embora cautelosa, se mostrou otimista: “Acredito que os estudos que estamos desenvolvendo no Brasil poderão, futuramente, auxiliar as pesquisas voltadas para o desenvolvimento de uma vacina antibacteriana, capaz de impedir o crescimento do bacilo da difteria no organismo”, conclui.

Os sintomas da difteria

Apesar das dificuldades apresentadas em algumas regiões do Brasil para registrar os casos de doença, esta continua atingindo a população. Segundo dados do Ministério da Saúde, o maior número de casos ocorre no Nordeste, embora o bacilo diftérico continue circulando nos grandes centros urbanos. Pesquisa recente realizada no Rio de Janeiro revelou que o número de portadores de bacilo diftérico é cinco vezes mais alto em algumas regiões do subúrbio carioca do que na Zona Sul. A desnutrição, hábitos higiênicos inadequados e lesões cutâneas ocasionadas por mordidas de insetos ou por seringas são alguns dos fatores que facilitam a infecção pelo microrganismo. Para diagnosticar microbiologicamente a difteria, é necessário recolher material da garganta, do nariz ou de lesão encontrada na pele. Os principais sintomas clínicos da doença são cansaço, prostração, febre baixa, dor de garganta e presença de uma pseudomembrana de coloração acinzentada na garganta, o que também pode não ocorrer. O tratamento é feito à base de antibiótico e soro antitoxina e é fundamental que haja acompanhamento médico.

Na década de 80, o professor Formiga foi convidado pelo Ministério da Saúde para implantar o Centro de Referência Nacional em Difteria e Corinebacterioses de Importância Médica. Logo em seguida, o Ministério da Saúde deu início ao conhecido Programa Nacional de Vacinação da População Infantil. Estas iniciativas reduziram gradativamente o número de casos de difteria no país, contabilizando nos anos 90 apenas 9% do número de casos registrados na década de 80, que totalizava 27.134 casos.

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