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Publicado em: 26/08/2002

Pesquisa revela as águas subterrâneas do interior do Estado do Rio

Pesquisa revela as águas subterrâneas do interior do Estado do Rio

Pesquisa busca adequar estética e conforto


Pesquisadores da UFF acabam de concluir um projeto estra- tégico, cujos resultados poderão ser usados para nortear políticas e definir investimentos na Região dos Lagos. Trata-se do ReSub Rlagos, um projeto apoiado pela FAPERJ que consiste no levantamento e avaliação das águas subterrâneas da Região dos Lagos, incluindo potencial de uso e formas de proteção. Segundo Rodrigo Menezes Raposo de Almeida, professor da UFF e coordenador do projeto, o objetivo agora é divulgar os resultados dessa pesquisa, que poderão servir de base para o uso racional e sustentável das águas subterrâneas dessa região do Estado do Rio.

Agora, para conhecer o “mapa da mina”, basta consultar um CD-Rom. Nele, estão contidas informações sobre as águas subterrâneas de cinco municípios: Cabo Frio, Araruama, Saquarema, São Pedro D’Aldeia e Iguaba Grande. São 1.981 quilômetros quadrados de área pesquisada, equivalente a duas vezes a metragem da Baía de Guanabara. Esse projeto, pioneiro no Brasil, custou R$ 210 mil e foi financiado em conjunto pela FAPERJ e Finep, como parte do Programa Redes Cooperativas de Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (RECOPE/RJ).

Resultados

O ReSub foi desenvolvido pelo primeiro grupo de referência em pesquisa sobre águas subterrâneas do Estado do Rio. Coordenado pela UFF, o projeto conta com a participação de pesquisadores de várias universidades do estado. São 60 profissionais, entre geólogos, químicos, agrônomos, engenheiros civis e biólogos. “O programa RECOPE permitiu que realizássemos, no Rio de Janeiro, algo que não existia: um grupo de pesquisa em águas subterrâneas. Para realizar esse projeto, reunimos uma equipe multidisciplinar, que incluía professores, pesquisadores, técnicos, estagiários, alunos de graduação e pós-graduação”, enfatizou o professor Rodrigo de Almeida.

Todos os resultados foram reunidos num CD-Rom, que mostra os dados numéricos, mapas e fotos da pesquisa de campo. Um dos produtos da pesquisa foi a elaboração de um mapa com o potencial hidrogeológico de captação de águas subterrâneas da Região dos Lagos. O mapa define, espacialmente, as áreas que possuem maior potencial. Esses dados são importantes porque fornecem subsídios para o trabalho de planejamento do desenvolvimento rural dos municípios estudados, como a criação de pólos de agroindústria. “O estudo revelou que, dos cinco municípios estudados, Saquarema é o que tem o maior potencial hidrogeológico, seguido de Ararurama. Esse resultado está relacionado com a preservação do relevo e da vegetação nativa do município”, revelou o coordenador Rodrigo de Almeida.

Também foi produzido um mapa dos pontos de água, segundo algumas classificações como nível de salinidade, grau de acidez (pH) etc. Com relação ao grau de salinidade, existem três tipos de água: doce, que serve para consumo humano e irrigação; salobra, usada por animais; e salina, que não tem utilidade. Em Cabo Frio, 60% da área possui águas salobras e salinas, e em São Pedro D’Aldeia, 50%. Já a área de Saquarema e Araruama tem 80% a 90% de água doce.

Outro destaque do trabalho foi a realização de um cadastro com cerca de 550 poços, entre nascentes, cacimbas, poços tubulares domésticos e poços tubulares profundos. Esse é o primeiro levantamento e amostragem das principais captações de água da área.

Parceria

O projeto ReSub RLagos está sendo desenvolvido desde 1998 e reúne 14 instituições coordenadas pelo Laboratório de Geotecnologia, do Departamento de Engenharia Civil da UFF. Participam do trabalho cinco universidades (UFF, UFRRJ, UFRJ, Uerj e PUC-Rio), quatro instituições governamentais - Companhia de Recursos Minerais (CPRM), Departamento de Recursos Minerais (DRM-RJ), Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-Rio) e Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) -, além das cinco prefeituras dos municípios envolvidos. “O ideal do projeto foi otimizar as potencialidades instaladas de cada instituição, sendo a primeira vez que se faz um projeto desse no Brasil. O projeto é inédito no aspecto inter-multidisciplinar, na área de abrangência e quanto aos dados analisados, incluindo até elementos radioativos”, informou o professor Rodrigo.

Contaminação

De forma geral, são três as esferas de consumo de água: na área rural para irrigação, na área industrial e na doméstica para beber, lavar e cozinhar. A demanda maior do consumo desses mananciais é para irrigação. Essa necessidade está aumentando em função do desenvolvimento de um pólo de fruticultura. A água doce que abastece esses municípios vem da Represa de Juturnaíba, em Araruama. Ela é distribuída nas cidades por uma empresa particular, mas muitas propriedades têm sua própria fonte para consumo.

“Avaliamos a qualidade da construção dos poços e constatamos que não são bem construídos, não têm conservação, e as condições sanitárias são precárias, principalmente nas cacimbas. Além disso, apresentam contaminação porque não são tampados, e o balde e a corda também não são limpos. O ideal é que sejam cobertos e acionados por bombas”, apontou o pesquisador.

Também foram feitas coletas em 75 poços com a realização de 3 mil análises. Em cada um, foram feitos 50 exames diferentes, utilizando parâmetros físico-químicos, como: pH, condutividade, cátion, ânion, metais pesados, elementos radiativos (urânio e tório), temperatura etc. As análises apontaram algumas anomalias com índices acima do padrão ideal de consumo doméstico exigido pela legislação.

Pesquisa aponta fontes potenciais de contaminação

Foram encontrados elementos fora do padrão, como o alumínio, detectado em 28% das amostras; o ferro, em 15%; o bório, em 10%; o manganês, em 35%; o zinco, em 23%; e os nitratos, em 12%. Quem consome essa água pode contrair doenças provocadas pelo excesso desses elementos. O alumínio não é eliminado pelo organismo humano e está associado ao Mal de Parkinson, doença que afeta o sistema nervoso provocando tremores e dificuldade de locomoção.

Segundo Almeida, a prática comum de clorar a água para matar bactérias também pode gerar problemas. “Quando existe elevado índice de matéria orgânica na água, o cloro reage com a matéria orgânica e gera alguns subprodutos indesejáveis como clorofórmio e cloraminas, substâncias nocivas à saúde”, explica o professor. Com base nesses dados, o município de Araruama decidiu paralisar o programa de perfuração de poços, prevendo uma futura orientação do grupo ReSub. “A prefeitura local também está montando um laboratório de análises físico-química da água, que poderá servir para fazer um controle mais freqüente”, revela Rodrigo Almeida.

O ReSub elaborou, ainda, um cadastro contendo a classificação das fontes potenciais de contaminação. Elas podem ser pontuais, quando a fonte é determinada espacialmente, e difusas, quando a contaminação ocorre em vários lugares. Segundo o professor, com o uso de agrotóxico, ela se espalha numa grande área. As principais fontes de contaminação pontuais encontradas foram os lixões (locais, onde são jogados resíduos sólidos urbanos e hospitalares), os postos de gasolina (vazamento de tanques enterrados) e lavadores de veículos (que consomem grande quantidade de água que é derramada sem tratamento, contendo detergente, óleo e graxa). O uso de agrotóxico e fertilizantes na cultura da cana-de-açúcar é um exemplo de fonte difusa de contaminação. Esses produtos afetam o solo, a água superficial e a subterrânea. “Constatamos que o nitrato, substância presente na composição de fertilizantes agrícolas, já ultrapassou as camadas de solo, atingindo as águas subterrâneas”, revelou o professor Rodrigo.

Segundo o coordenador do Projeto ReSub, as prefeituras de Búzios, de São José do Vale do Rio Preto e de São José de Ubá já formalizaram o convite para que o ReSub realize pesquisas nas suas cidades. As prefeituras de Araruama, Iguaba Grande e Cabo Frio também já mostraram interesse na continuidade do trabalho.

Está em vias de ser fechado um grande projeto envolvendo os municípios de Itaguaí e Seropédica para estudo de impacto ambiental. Será feito trabalho de avaliação da qualidade dos aqüíferos dessa região, onde é feita a extração de areia usada para construção.

Os interessados devem entrar em contato com o Projeto ReSub e também podem visitar a homepage www.civil.uff.br/resub ou pelo e-mail: resub@civil.uff.br.

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