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Publicado em: 11/12/2014

O esporte como inclusão social

Elena Mandarim

    Projeto oferece atividades de recreação e iniciação esportiva 
   crianças e adolescentes matriculados no Inpar (Foto: Divulgação)

Hoje em dia, muito se fala na prática de exercícios físicos como prevenção de doenças crônicas e como coadjuvante na melhoria da qualidade de vida. Prática ainda mais relevante numa sociedade cada vez mais obesa e sedentária – características que aumentam muito o risco de problemas cardiovasculares. Mas a professora Tonia Costa, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), resgatou outro aspecto igualmente importante: a associação entre educação física e inclusão social. Ela coordena o projeto "Sou Feliz... Educação Física", que foi uma iniciativa dos alunos em 2001, que promove atividades de recreação orientada e iniciação esportiva, destinadas a crianças e adolescentes socialmente desfavorecidos, regularmente matriculados no Instituto Presbiteriano Álvaro Reis de Assistência a Criança e ao Adolescente (Inpar). "A nossa motivação é perceber que a participação de jovens e crianças em projetos sociais é um meio de socialização, humanização e conquista da cidadania não só para eles como, indiretamente, se estende a toda família", aposta a pesquisadora. A iniciativa foi contemplada no programa de Apoio a Projetos de Extensão e Pesquisa (Extepesq), da FAPERJ.

Com mais de 100 anos de existência, Tonia lembra que o Inpar, na zona oeste do Rio de Janeiro, acolhe crianças e jovens das classes populares, nos horários em que não estão na escola. "Em encontros semanais, com cerca de duas horas por dia, vários tipos de jogos procuram estimular o interesse das crianças na procura de novas formas de descobrir o mundo, de criar, de vivenciar, de relacionar-se consigo mesmo e com os outros e de iniciar-se com dignidade como cidadão brasileiro", relata a pesquisadora.

Para Tonia, essa relação entre esporte e cidadania embasa a inclusão social, uma vez que permite a construção de um plano de vida com horizontes ampliados, ou seja, muitas vezes se afasta da realidade onde a criança é criada. "É o caso de uma das nossas estagiárias, que começou como uma das crianças participantes, hoje está no final da faculdade de educação física e pretende continuar como professora do projeto."

   Inclusão social: jogos estimulam as crianças a criarem novas
  maneiras de se relacionarem com o mundo (Foto: Divulgação)   

Atualmente, estão sendo beneficiadas em média 450 crianças, adolescentes e jovens, de três a 21 anos. A maioria é de estudantes da rede pública, mora na Cidade de Deus e participa das atividades esportivas e recreativas propostas por uma equipe de três professores de educação física e seis estudantes, bolsistas da UFRJ. Uma dessas atividades é a Corrida de Orientação, que, embora não seja uma modalidade muito conhecida, é um esporte moderno que concilia atividade física com atividade intelectual, em contato constante com o meio ambiente. "Essa prova é realizada com a ajuda de um mapa do local, onde há pontos de controle que devem ser encontrados em determinada sequência. Os percursos variam entre 2 km e 12 km e o único equipamento permitido é uma bússola, que poderá ser utilizada para determinar a rota entre os pontos, de livre escolha do atleta", explica a pesquisadora. O esporte possibilita que, de forma lúdica, se unam conhecimentos de Matemática, História, Geografia, Biologia, entre outras disciplinas.

      Embora não seja muito conhecida, a Corrida de Orientação 
        concilia atividade física e intelectual (Foto: Divulgação)

Se por um lado o projeto beneficia centenas de crianças e adolescentes, por outro fortalece também o papel da universidade em trabalhar a tríade que envolve pesquisa, ensino e extensão. Segundo Tonia, no aspecto de ensino, os estudantes da graduação têm possibilidade de vivenciar o dia a dia de projetos destinados às classes populares. Em relação à pesquisa, permite ouvir os atores envolvidos, principalmente crianças, adolescentes e jovens, que relatam mudanças de comportamento e de perspectiva de vida. "Com frequência, aplicamos um questionário não só para a criança envolvida no projeto, mas também para sua família. Observamos que os relatos são quase sempre positivos. Nossa conclusão é que, em decorrência do processo de inserção social, há um discurso mais otimista em relação ao futuro, bem como mais planos de vida traçados", relata a pesquisadora.

Como extensão, Tonia explica que o público se beneficia com as atividades, que envolvem atenção ao lazer, muitas vezes inexistente nas camadas populares. Ela observou ainda o maior desenvolvimento global das crianças, sua inserção social e resgate à cidadania. "Em 2009, dois alunos que competem em nossa equipe de Esporte Orientação receberam Bolsa Atleta do Ministério do Esporte, por terem sido campeões sul-americanos na principal categoria: a Elite. Sem dúvida, o esporte pode favorecer uma mudança efetiva na perspectiva de futuro."

A equipe do projeto Sou Feliz... Educação Física entende que a educação física atual tem como objeto de estudo não só a ação dos músculos e tendões, mas também o movimento global do ser humano, ou seja, sua ação cognitiva, afetiva, social e, naturalmente, motora. "Ao brincar, ao experimentar e manipular objetos e materiais dos mais variados, crianças e adolescentes estão utilizando toda sua energia psíquica para também desenvolver sua inteligência, vivem situações nas quais a emoção está presente e em que a vida afetiva se expressa. Nesse sentido, o projeto favorece o seu amadurecimento, contribuindo para que se tornem adultos mais preparados para enfrentar o mundo, minimizando as chances de serem vítimas do contexto social em que estão inseridos", conclui Tonia.

Ela lembra que os resultados do trabalho vêm sendo relatados em artigos, resumos e em monografias de conclusão de cursos de graduação e apresentados em congressos e encontros científicos.

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