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Publicado em: 04/12/2014

Exposição revela personagem da corte brasileira: condessa de Barral

 Na exposição do CCBB, um manequim especialmente confeccionado
       reproduz a imagem da condessa de Barral sentada ao piano

"Minhas queridas princezas,
Disse que não escreveria hoje, mas sinto tantas saudades a estas horas que sempre passo aos sábados na companhia de vossas altezas que não posso resistir ao desejo de conversar com minhas queridas princezas. Não vão pensar que eu fiquei no Rio; estam muito enganadas; meu coração partiu com vossas altezas e por lá anda." (...)

 

O trecho é de uma das várias cartas da extensa correspondência trocada entre Luisa Margarida Portugal e Barros, a condessa de Barral, e as princesas Leopoldina e Isabel, filhas de Dom Pedro II. Além das diversas cartas, fotos e diários da condessa, a exposição reúne, até 14 de fevereiro de 2015, objetos, como a pianola e os livros com que se procurará revelar ao público que for ao Centro Cultural Banco do Brasil, um pouco da mulher que o imperador Dom Pedro de Alcântara considerava uma das mais cultas do império.

 

O acervo, que será visto pela primeira vez numa exposição, e fora do âmbito familiar, reúne material de fontes distintas. Parte dele encontrava-se com uma das bisnetas diretas da condessa, Jeanne Marie de Barral; alguns documentos vieram do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, outros do Arquivo Grão-Pará, pertencente ao príncipe D. Pedro Carlos, e ainda  de instituições, como o Museu Imperial.

 

     Entre os objetos da mostra, estão os livros, com
            anotações pessoais da condessa 

 

"Como se trata de um acervo particular, a família ainda não tinha tido interesse em divulgar", explica a historiadora Maria Celi Chaves Vasconcelos, que ao lado de Ana Cristina B. Lopez Francisco foi responsável pela curadoria da exposição. A mostra, por sinal, só pôde ser organizada depois que Ana Cristina, doutoranda de História, sob orientação de Maria Celi, procurou os descendentes da família em busca de material. "A descoberta de fotos, livros e do sinete com que a condessa assinava suas cartas nos possibilitou desvendar um pouco da personalidade dessa mulher, que não apenas desfrutou da intimidade da família real brasileira, como foi considerada uma referência feminina em sua época. Além de seu imenso prestígio na corte, contava com a estima e admiração do próprio imperador Pedro de Alcântara", conta Maria Celi. Para organizar a exposição, as pesquisadoras contaram com recursos do Auxílio à Organização de Eventos (APQ 2), da FAPERJ.

 

Educada na França, Luísa Margarida Portugal e Barros chegou ao Brasil em 1856, indicada pela princesa de Joinville – irmã do imperador, de quem já havia sido dama de honra na corte francesa do rei Luís Felipe – para se tornar preceptora das princesas brasileiras. "Essa escolha se deveu exatamente por sua enorme cultura." Foi por esse ângulo da mulher culta, que circulava com a mesma desenvoltura pelos salões parisienses e pelo Paço imperial, que a exposição procura revelar a figura da condessa. "Ela foi responsável pela formação das princesas Isabel e Leopoldina. Por isso mesmo, procuramos mostrar como era essa preceptora, suas ideias em relação à educação das princesas, o que ela pensava ser adequado à formação das soberanas", conta a historiadora. Não por acaso, Maria Celi explica que, mesmo em suas cartas às princesas, a condessa nunca deixava de imprimir um certo caráter pedagógico, sem abandonar seu papel de preceptora.

 A exposição ficará em cartaz no CCBB até 14 de fevereiro de 2015 

Mas a condessa também se mostrava uma mulher de opinião. "Quando, de acordo com os costumes da época, seu pai, o diplomata Domingos Borges de Barros, visconde da Pedra Branca, tentou casá-la com um pretendente bem mais velho, mesmo ainda adolescente, Luísa não apenas se rebelou como resolveu escolher o próprio marido, o francês visconde de Barral. Isso mostra como ela fugia ao perfil submisso, ensinado às mulheres de seu tempo", conta a historiadora. Amiga de personalidades como os compositores Liszt e Chopin, e do diplomata e filósofo Gobineau, a condessa tinha personalidade forte e ideias abolicionistas. Foi uma das vozes que levaram a princesa Isabel a assinar a lei Áurea e certamente exerceu sua influência na condução de assuntos do império.

Desfrutando de regalias concedidas pelo imperador, a condessa vivia em casa alugada por Dom Pedro, convenientemente localizada ao lado do Paço, e se deslocava pela cidade em coche próprio, igualmente presenteado pelo monarca. Quando a família imperial deixou o País, logo após a proclamação da República, a condessa os acompanhou no exílio, rumo à Europa. Foi no castelo da condessa, numa área rural da França, que o imperador ficou hospedado durante algum tempo. Foi onde também a condessa morreu de pneumonia, em janeiro de 1891. Seus registros, na extensa correspondência e em seus diários, acompanham de perto a vida da família real brasileira e os acontecimentos dos últimos anos do império.

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