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Publicado em: 27/11/2014

Do palco às páginas de livros: projeto de artes cênicas visa estimular a leitura

Danielle Kiffer

 Estudantes ensaiam montagem de texto dramático (Foto: Divulgação)

  

Como fazer com que adolescentes criem o hábito da leitura? Com videogames, celulares e mesmo a a televisão atraindo a atenção dos jovens com tantos apelos visuais, parece difícil haver espaço para os livros. Para buscar uma saída, a professora Lúcia Helena de Freitas e a programadora cultural e bibliotecária Teresa Cristina Pamplona, da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), resolveram unir artes cênicas e literatura, numa mesma atividade prazerosa. Com outros professores, elas criaram aulas de teatro para alunos do ensino médio e fundamental das escolas municipais da rede pública da cidade do Rio de Janeiro, realizadas na biblioteca infanto-juvenil (Biju) da universidade. O projeto contou com subsídios do edital de Apoio a Projetos de Extensão e Pesquisa (ExtPesq), da FAPERJ. "Acreditamos na importância da leitura para sua formação intelectual", afirma Lúcia.

A ideia surgiu porque Teresa, que trabalha na Biju desde a sua fundação, há 25 anos, percebeu que as crianças que costumavam frequentar as atividades lúdicas e de contação de histórias, levadas pelas professoras, deixavam de aparecer quando cresciam e passavam para uma fase escolar mais avançada. Então, Lúcia, Teresa e outros professores da UniRio criaram a oficina de teatro, que hoje funciona em três turnos: manhã, tarde e noite. Nessas aulas, ministradas por graduandos da Escola de Teatro, do Centro de Letras e Artes (CLA), da universidade, os alunos aprendem a arte da interpretação ao mesmo tempo em que se envolvem com a criação da peça que será apresentada no final do ano. "Eles não só interpretam os personagens como, a partir dos estudos e das aulas de teatro, vão integrando sua colaboração aos papéis e à própria peça que irão apresentar", explica Teresa.

          

   Em anos anteriores, estudantes partipantes do projeto apresentaram, no 
   final do ano, peça baseada em conto dos Irmãos Grimm (Foto:
 Divulgação)

A cada ano, é trabalhado um tema diferente. O de 2014 é o teatro do absurdo, termo criado pelo crítico norte-americano Martin Esslin na segunda metade do século XX, para definir obras de diferentes dramaturgos que tratavam seus textos de forma inusitada, contrárias à razão. Cada turma vem trabalhando um autor, como Fernando Arrabal e Samuel Beckett. Os alunos também são incentivados a assistir a filmes, ler livros e jornais. "Em uma das oficinas, pedimos que eles lessem os jornais e escolhessem, entre as notícias do dia a dia, aquela que considerassem um absurdo. Eles selecionaram muitas fotos de notícias relativas à política e isso gerou um debate muito proveitoso. Tivemos alunos trazendo material sobre o tema até muito tempo depois do fim daquela aula", complementa Teresa.

Em outra atividade, os estudantes são estimulados a ler livros definidos pelos professores e a criar uma cena em cima de certos trechos, ouvindo as versões dos outros e dando sua própria interpretação. Sem falar dos exercícios de expressão corporal, socialização e de interpretação. "Com essas práticas de dramatização, eles começam a tomar gosto pela leitura, passam a se envolver não apenas com a brincadeira das cenas teatralizadas, mas também com a própria leitura em si. Passam a procurar trechos de obras que possam ser encenados. E com isso passam a ler mais. É muito gratificante ver os alunos trazendo as músicas que gostariam que fossem tocadas em determinados momentos da peça, roupas, textos e outros elementos para a cenografia. Além de ver seu envolvimento com o trabalho, podemos acompanhar seu crescimento intelectual em meio a todo esse processo criativo", analisa Teresa.

No final do ano, as peças são apresentadas a familiares e amigos dos estudantes. "O teatro da UniRio fica lotado, com um público e um sucesso maior a cada ano", avalia Lucia, que complementa: "E o benefício não é só dos alunos que frequentam as oficinas, mas também dos graduandos de teatro, que aprimoram seus estudos e trabalho ensinando".
O resultado do projeto tem sido evidente: de acordo com Teresa, a frequência dos jovens na Biju tem aumentado consideravelmente desde a sua criação, em 2004. "Temos visto que o número de estudantes que pegam livros na biblioteca tem crescido bastante, em mais de 50%. Só podemos dizer que tem sido um belo trabalho", finaliza Teresa.

 

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