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Publicado em: 21/08/2014

Empresas brasileiras ganham espaço no exterior

Elena Mandarim

 Wikimedia Commons

             
       Vista aérea do centro financeiro da cidade americana de Miami


O estado da Flórida, nos Estados Unidos, é conhecido por ser um dos destinos preferidos dos turistas que saem do Brasil. A presença marcante de consumidores brasileiros, em cidades como Miami e Orlando, tem sido fator determinante para o aumento de pequenos e médios empresários brasileiros que se instalam nessa região. Essa crescente internacionalização está sendo estudada pelos professores Eduardo Picanço Cruz e Cesar Barreto, do Departamento de Empreendedorismo e Gestão da Universidade Federal Fluminense (UFF). "Pretendemos entender a evolução dessa internacionalização, inicialmente nessas duas cidades, e identificar quais as dificuldades por que passa esse empresariado. Nosso objetivo, num futuro próximo, é usar os dados para criar uma estrutura que possa ajudar os futuros empreendedores a terem sucesso em sua empreitada", aposta Cruz, que é o coordenador do projeto e conta com o apoio da FAPERJ, por meio do programa de Auxílio à Pesquisa (APQ 1).

Graduado em administração, Cruz esclarece que o termo empreendedorismo internacional, na verdade, diz respeito a empreendedores que enxergam, no exterior, a oportunidade de expansão de sua empresa ou de criação de um novo negócio. Contudo, a internacionalização de empresários brasileiros observada inicialmente na cidade de Orlando tem aspectos peculiares. Como explica o professor, "observou-se, naquela cidade, que o crescimento dos negócios comandados por brasileiros foi, na verdade, uma consequência do aumento da emigração de brasileiros para a região. Ou seja, cidadãos insatisfeitos com a vida no Brasil tentam a sorte no exterior e parte deles acaba abrindo uma pequena ou média empresa", relata o pesquisador. 

Segundo Cruz, os dados já compilados na pesquisa ratificam essa conclusão. "Por meio de questionários e entrevistas, agrupamos esses empresários em categorias diferentes. Observamos que apenas 20% deles foram para Orlando já com o objetivo de abrir um negócio. Os outros 80% acabaram se instalando na cidade por motivos diversos e depois tiveram a oportunidade de abrir sua pequena empresa", explica o pesquisador. Para ele, outra observação interessante sobre Orlando é que dos brasileiros que já eram empresários no Brasil e agora são empresários lá, 70% deles passaram a atuar em outra área. "Nossos dados preliminares apontam que, na verdade, a grande quantidade de novos empresários nessa região se deve muito mais a aproveitar as oportunidades momentâneas de se estar vivendo no exterior do que como resultado de um plano estratégico de internacionalização."

Divulgação/UFF 
           

Segundo da esquerda para a direita, Eduardo Picanço Cruz e a
equipe responsável pela pesquisa sobre as empresas no exterior  
  
 

Para Cruz, uma boa parte do empresariado instalado em Orlando se mostra inexperiente. "A gestão é aprendida dia a dia, o que explica em parte o elevado número de empresas brasileiras que fecham antes de cinco anos. Muitos empresários carecem de capacitação, não sabem como gerenciar seus estoques, como atingir o cliente e principalmente como diversificar o negócio", explica o pesquisador. Ele ressalta que o mapeamento feito em Orlando indica um processo de internacionalização absolutamente particular, o que não permite generalizar informações e afirmar que o processo brasileiro se comporte de uma mesma forma. "É preciso buscar novos dados em outras cidades, confrontar modelos e tentar traçar, se possível, características comuns desse empresariado no exterior."

Em setembro, os pesquisadores farão uma segunda visita às cidades de Miami e Pompano Beach, e esperam fechar os dados dessas duas cidades, para começar a comparar com as informações já obtidas em Orlando. Em 2015, o projeto deve ser estendido para Nova York e Boston.

Cruz adianta que há uma grande possibilidade de se estabelecer um projeto de extensão na UFF destinado à criação de um curso de gestão, gratuito e semipresencial, para esses empreendedores. "Nosso objetivo é usar o conhecimento que estamos produzindo para auxiliar novos empresários em questões específicas, como legalização de empresas, administração de novos negócios, regras internacionais de contabilidade, ampliação de mercado, entre outros." Os resultados preliminares do projeto estão sendo reunidos em um artigo acadêmico para publicação em periódico científico.

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