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Publicado em: 26/06/2014

Na escola também se aprende a comer

Danielle Kiffer

 Foto: Geo Juan Antônio Samaranch

   
 Alunos plantam verduras na horta, acompanham o crescimento das
 hortaliças, colhem e fazem sua própria salada na cozinha da escola

Fast food, como todos sabem, além de engordar, tem baixíssimo valor nutricional. Mas como resistir à tentação de hambúrgueres, batatas fritas e salgadinhos? O difícil é convencer os jovens a adotar, como rotina, uma alimentação saudável. Para tentar vencer essa luta, as nutricionistas Josely Correa Koury e Marta Citelli dos Reis, ambas professoras adjuntas do Instituto de Nutrição (INU) do Departamento de Nutrição Básica e Experimental (DNBE), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), desenvolveram um projeto para auxiliar os alunos do Ginásio Experimental Olímpico (Geo), em Santa Teresa, a comer de forma mais saudável. O projeto inclui exames laboratoriais pouco invasivos e até a criação de uma horta pedagógica. A iniciativa teve apoio do edital Prioridade Rio, da FAPERJ.

Com idades entre 12 e 15 anos, os estudantes do Geo fazem parte de um programa inovador da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, que oferece aulas de esportes, como judô, atletismo, natação, vôlei e futebol, como oportunidade para o desenvolvimento de  habilidades esportivas. "Nosso propósito é fazer com que esses jovens se alimentem melhor e que essa nova rotina não beneficie apenas sua saúde, mas também seu desempenho escolar e esportivo", explica Koury.

Na avaliação realizada, foi aplicado um questionário sobre os hábitos alimentares dos alunos. A partir dos relatos, foi identificado um baixo consumo de cálcio. Essa informação levou as professoras a investigarem se a saúde óssea dos estudantes fora comprometida. Por um exame de densitometria óssea, realizado no Laboratório Interdisciplinar de Avaliação Nutricional, do Instituto de Nutrição da Uerj, verificou-se que isso ainda não acontecera, mas ficou a dica do consumo de leite e derivados para o grupo. Também foram realizados exames laboratoriais para controle de colesterol, triglicerídeos e glicose. O resultado mostrou que cerca de 70% dos alunos apresentavam colesterol acima do recomendado para sua faixa etária, o que deixou as professoras preocupadas.

Para procurar reverter essa situação, as professoras investiram numa forma prática de lhes facilitar a compreensão sobre alimentação saudável. Uma dessas iniciativas foi a montagem de murais ilustrando a quantidade de açúcar, sódio e gordura nos alimentos de que a criançada mais gosta, como biscoitos recheados e salgadinhos, refrigerantes e pizza. "Procuramos fazer com que os alunos saibam aquilo o que estão ingerindo. Fica bem mais fácil visualizar em um mural. Assim, contribuímos para a conscientização e a promoção da reeducação alimentar entre os estudantes.

Outra forma de mobilizar os alunos foi dar início a uma atividade prática: o cultivo de uma horta pedagógica, onde foram plantados acelga, cebolinha, salsa, tomate e hortelã. Os professores, coordenadores e diretores foram os grandes responsáveis pelo sucesso dessas ações na escola. Todos participaram ativamente, facilitando a integração entre todos os envolvidos no projeto.

Como explicam as professoras, com a horta, é possível acompanhar todo o ciclo de cultivo das hortaliças. Os alunos participam de tudo: dos cuidados com as plantas, da colheita e até do preparo das saladas para consumo na própria escola. "Durante todas essas atividades, procuramos passar informações sobre uma alimentação adequada para a manutenção da saúde. Ainda não é possível avaliar a influência dessas informações sobre o condicionamento físico ou sobre os hábitos alimentares dos estudantes. Ainda é preciso dar tempo ao tempo", fala Koury.

Todos os  dados obtidos, inclusive os resultados dos exames realizados, são repassados aos pais dos alunos em reuniões bimestrais, realizadas na escola. "Tudo o que ensinamos aos estudantes, também transmitimos aos responsáveis e, por meio de oficinas, àqueles que, na escola, manipulam os alimentos. Explicamos, por exemplo, que, para reverter um caso de colesterol alto, é preciso excluir carnes gordurosas, como linguiça, da dieta.”

Nas oficinas com os manipuladores de alimentos, as pesquisadoras contaram com a participação da professora Lilia Zago, que também é do Instituto de Nutrição Uerj. “Ensinamos a eles como preparar de forma mais saborosa os alimentos habitualmente rejeitados pelos alunos, como legumes e verduras, fígado e filé de cação", exemplifica Lilia. "Procuramos mostrar que, sem radicalismos, mas com equilíbrio, podemos manter uma vida saudável", finaliza Koury.

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