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Publicado em: 24/07/2013

Impactos e avaliação da pesquisa são debatidos na 65ª Reunião da SBPC

Débora Motta

Débora Motta 

         
     Os palestrantes da conferência, da esquerda para direita: Carlos Henrique 
       de Brito Cruz, Glaucius Oliva, Helena Nader e Jorge Almeida Guimarães


O Brasil reúne atualmente 28 mil grupos de pesquisa, com 129 mil pesquisadores distribuídos em 452 instituições. A produção científica nacional passa por um momento de crescimento notável de publicações de artigos e projetos, acompanhado pelo aumento da oferta de programas de pós-graduação stricto sensu – mestrado e doutorado. Mas esse ambiente, apesar de favorável, está longe de ser o ideal para um país que está entre os maiores emergentes do mundo. Na conferência “Impacto e avaliação da pesquisa”, que ocorreu durante a 65 Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que ocorre em Recife, gestores públicos de fomento à C,T&I fizeram suas considerações sobre os desafios a serem superados na área.

O presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Glaucius Oliva, destacou como pontos de melhoria para a pesquisa nacional aspectos como a qualidade, o impacto e relevância internacional, a questão das patentes e inovação, a formação de pessoal qualificado e a educação básica. Reconhecendo que a ciência brasileira é fortemente moldada pelas políticas de avaliação do CNPq, da Capes e das agências estaduais de fomento à pesquisa, ele disse que se os critérios de avaliação para as pesquisas promovidos por esses órgãos forem puramente numéricos, vão induzir possíveis distorções na pesquisa nacional, como o exagero de autocitações de pesquisadores nos artigos publicados.

Em outras palavras, para Oliva, a quantidade de publicações como critério de avaliação não deve ser o caminho, já que é diferente da qualidade. “Os órgãos de fomento federais e estaduais não podem dar uma mensagem aos jovens pesquisadores que eles têm que publicar e publicar, apenas. Isso pode ser perigoso. Não produzir nada ou pouco é sempre ruim, mas publicar muito não é necessariamente bom”, ressaltou o presidente do CNPq. Oliva disse que para valorizar a qualidade das publicações, e não a quantidade, o CNPq apresentou uma nova versão do currículo lattes, com abas que devem ser preenchidas pelo pesquisador com as citações do seu artigo, e patentes e registros.

O diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, acredita que toda pesquisa de excelência deve gerar impactos social, econômico e intelectual. “O impacto social afeta as políticas públicas. O econômico se refere a ideias que geram empresas. E o intelectual é o impacto causado por ideias que geram ideias”, disse. Para ele, a pesquisa brasileira deve alcançar o nível de gerar impactos intelectuais. “O país tem 2,7% da produção científica mundial. Mas número de artigos publicados é diferente de impacto. Ao longo da história, a ciência feita no Brasil tem encontrado uma repercussão de 60% daquela realizada em média por todos os países do mundo”, afirmou.

De acordo com Brito Cruz, uma das medidas adotadas pela Fapesp com o objetivo de maximizar os resultados das pesquisas e seus impactos é a tentativa de desburocratização. “Procuramos proteger o tempo do pesquisador contra tarefas extra-científicas”, disse. E foi além: “Temos também o desafio de premiar a qualidade e o mérito, e não a quantidade. Mas essa cultura já está tão arraigada que às vezes o pesquisador ao preencher um formulário sobre seu projeto responde com dados quantitativos em uma questão sobre a qualidade dele.”

Já o presidente da Coordenação Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Jorge Guimarães, concordou com as questões levantadas pelos seus colegas sobre as mudanças nos critérios de avaliação das pesquisas, mas fez uma ressalva: “Eu gostaria que todos os doutores brasileiros fossem padrão Science [revista científica internacional de ponta], mas nem na Suíça, que é o país com o maior fator de impacto em pesquisa, é assim”. E lembrou que a institucionalização do apoio à pesquisa é recente na história do Brasil. “Quando a Capes e o CNPq foram criados, no início da década de 1950, o Brasil ainda importava alimentos e ganhava leite em pó da Usaid [a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional] como doação. Já é uma vitória a ciência brasileira ter tido esse crescimento ao longo desses anos”, concluiu.   

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