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Publicado em: 24/07/2013

Educação e ciência em pauta na abertura da 65ª Reunião Anual da SBPC

Débora Motta

Débora Motta

               
        Reunião da SBPC destaca importância de maiores investimentos
            em educação e em C,T& I para o desenvolvimento nacional


O caminho para o desenvolvimento nacional passa por mais investimentos em ciência, tecnologia e inovação, que devem ser inevitavelmente acompanhados por mais investimentos na educação. Essa foi a ideia central defendida durante a abertura da 65 Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada na noite de domingo, 21 de julho, no Centro de Convenções da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Para o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, o tema escolhido para nortear as discussões do maior encontro científico da América Latina, "Ciência para o novo Brasil", não poderia ser mais apropriado, já que abrange questões como o atual estágio de desenvolvimento econômico do Brasil, enquanto potência emergente, e a maturidade da ciência produzida no país. "Vivemos um momento de mudanças na configuração social e econômica do país. Nos últimos dez anos, 40 milhões de brasileiros ascenderam para a classe C. Há possibilidade de a economia brasileira se afirmar como a quinta maior do mundo até 2020", disse sobre o "novo Brasil". Raupp refletiu sobre qual deve ser o papel da ciência para dar continuidade a esse processo de redução das desigualdades sociais. "Os cientistas devem ter uma postura proativa. A sociedade brasileira tem grande expectativa e já identificou a ciência como parceira para ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas e do país", afirmou o ministro. Ele ainda lembrou que a boa ciência realizada nas universidades e institutos de pesquisa é construída nos bancos escolares: "A educação é a base da própria ciência. Estamos vencendo o desafio do ingresso quantitativo no ensino fundamental, mas o desafio qualitativo está longe de ser superado."

A presidente da SBPC, Helena Nader, também destacou que os entraves na qualidade da educação básica afetam o ensino superior e, consequentemente, a pesquisa. "O Brasil tem ainda que vencer o desafio da melhoria da educação para estar inserido na economia do conhecimento. Essa demanda esteve recentemente na pauta de reivindicações das manifestações de rua. O Brasil está em débito com seus cidadãos desde a pré-escola ao ensino superior", ressaltou. E prosseguiu: "Enquanto este país não reconhecer que educação é prioridade, que o salário do professor tem que ser competitivo, e que há necessidade de melhorar escolas e currículos, não haverá revolução universitária."

Durante a cerimônia, foi realizada a entrega do Prêmio José Reis de Divulgação Científica e Tecnológica, organizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O laureado dessa edição foi o físico e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Ildeu de Castro Moreira, que recebeu o prêmio das mãos de Raupp e do presidente do CNPq, Glaucius Oliva. "Embora apenas um indivíduo ganhe o prêmio, ele é a expressão coletiva do trabalho de muitas pessoas que fazem a divulgação da ciência, para que ela chegue à maioria da população", agradeceu Moreira. Conforme previsto para este ano, foram homenageados a arqueóloga Niéde Guidón, que atua como professora visitante da UFPE, e o linguista Luiz Antonio Marcuschi, um dos primeiros docentes do Programa de Pós-Graduação em Letras (Linguística) da universidade. Houve ainda homenagens póstumas, com um minuto de silêncio dedicado à geógrafa Bertha Becker, ao compositor e zoólogo Paulo Vanzolini, um dos fundadores da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e à botânica Maria Lea Salgado Labouriau, professora emérita da Universidade Nacional de Brasília (UNB).

A Reunião da SBPC vai até o dia 26 de julho. Até a próxima sexta-feira serão oferecidas 266 atividades, com a participação de pesquisadores renomados do Brasil e do exterior, e gestores do sistema estadual e nacional de C&T. Haverá 82 conferências, 87 mesas redondas, 60 minicursos, 16 encontros, nove sessões especiais, seis simpósios e seis assembleias. Realizada desde 1948, ela é um importante espaço para difundir os avanços da C,T&I e debater políticas públicas na área.

A próxima edição da Reunião Anual da SBPC será realizada no Acre, que também vai sediar a 38 Reunião Regional da renomada instituição cientifica. O tema do 66 encontro nacional a ser proposto à organização do evento para 2014 será “O Desafio da Economia Verde”, numa alusão ao projeto de desenvolvimento implementado no Acre nos últimos 12 anos,  traduzido no conceito de “florestania”, que visa ao uso sustentável da floresta.

Ministro da C,T&I faz um balanço das políticas públicas durante SBPC

Marcelo Corenza

    Raupp, com seu exemplar do livro Memórias da FAPERJ,             
     elogiou a atuação da Fundação no fomento à pesquisa



Tradicionalmente, a programação do primeiro dia de conferências da Reunião Anual da SBPC inclui uma apresentação do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação. Não foi diferente na segunda-feira, 22 de julho, quando Marco Antonio Raupp expôs na 65 Reunião Anual da SBPC, que ocorre até sexta-feira, 26, em Recife, as principais iniciativas que vem coordenando à frente da pasta e as políticas públicas federais em C,T&I que estão por vir. "É uma oportunidade de trazer o gabinete do ministro para a SBPC e interagir com a população para ajudar no planejamento de políticas públicas, que deve ser algo a ser sempre avaliado e corrigido frente à realidade", disse Raupp sobre sua conferência, intitulada "O sistema nacional de C,T&I: trajetória recente e novos desafios".

Na ocasião, o ministro recebeu um exemplar do livro Memórias da FAPERJ – A trajetória da agência de fomento à ciência e tecnologia do Estado do Rio de Janeiro (1980-2013) (arquivo em PDF). Lançada em junho de 2013, em uma edição de 396 páginas, a obra marca os 33 anos da Fundação. Raupp elogiou a atuação em conjunto com as fundações estaduais de amparo à pesquisa (FAPs), incluindo a FAPERJ, que permite um fomento à pesquisa mais adequado às demandas científicas e tecnológicas regionais. "Hoje temos 125 projetos no âmbito dos Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia e vamos dar continuidade a essa iniciativa, com a participação dos nossos parceiros das FAPs", elogiou.

Para o ministro, o momento é favorável para o desenvolvimento da C,T&I. "Nos últimos dez anos, houve uma evolução dos recursos e um crescimento seguro e sustentado das atividades em ciência, tecnologia e inovação", ressaltou. Ele apresentou indicadores que sustentaram essa afirmativa. "De 2000 a 2010 houve um aumento no volume de recursos para a C,T&I de cerca de R$ 4 bilhões para R$ 7,5 bilhões. Em 2013, estamos retomando a plena utilização dos recursos do FNDCT [Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico]", completou Raupp, que também citou o crescimento do número de bolsas nos programas de pós-graduação do país e da titulação de mestres e doutores, incluindo o crescimento do mestrado profissional.

Defendendo a maior integração entre a universidade e o empresariado, Raupp destacou as atividades desenvolvidas no Porto Digital, em Recife, que agrega professores, pesquisadores e estudantes para a criação de soluções tecnológicas em diversos ramos do conhecimento. Aproveitando sua passagem pela capital pernambucana, Raupp apresenta nessa semana aos empresários do estado o plano Inova Empresa, que vai destinar R$ 32,9 milhões para projetos empresariais na área de pesquisa, desenvolvimento e inovação. O encontro ocorre na Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe).

Outra realização que representa os esforços do MCTI para promover a inovação, segundo ele, é a recente criação da Empresa Brasileira de Pesquisa Industrial e Inovação (Embrapii). De acordo com Raupp, o objetivo é que ela faça para a tecnologia industrial o que a Embrapa faz para a agropecuária. "A Embrapii será parceira nos riscos do programa de inovação das empresas. Ela não vai ter infraestrutura sob o comando direto dela, mas vai contratar, qualificar, credenciar laboratórios de universidades e institutos de pesquisa para promover a parceria deles com empresas", explicou o ministro.

Em relação à base de lançamento de foguetes de Alcântara, no Maranhão, Raupp afirmou que os problemas de financiamento foram solucionados. Atualmente, os recursos para a construção e utilização comercial do centro de lançamento estão sob a gestão dos governos brasileiro e ucraniano. "O caminho está desimpedido para que a gente execute esse trabalho. Isso está totalmente sob a responsabilidade da Alcântara Cyclone Space (ACS), a empresa binacional brasileira e ucraniana montada para realizar testes a partir da base maranhense",disse Raupp. Ele também mencionou a Iniciativa Brasileira em Nanotecnologia, a ser lançada em de agosto, como parte de uma estratégia para impulsionar esse campo científico. Para isso, foi criado o Sistema Nacional de Laboratórios em Nanotecnologia (SisNano), uma rede composta por 28 laboratórios.

Raupp anuncia o lançamento de instituto para a pesquisa do oceano

Considerando os mares e oceanos um tema estratégico para a pesquisa nacional, Raupp anunciou durante a conferência o lançamento do Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas e Hidroviárias (Inpoh) Atlântico Tropical, que vai funcionar na UFPE. O instituto terá a missão de tornar o Brasil uma referência em conhecimento e atuação sobre o oceano Atlântico.

Além da criação do Inpoh, o governo federal destinou US$ 80 milhões para a compra de um navio para pesquisa oceanográfica, como resultado de uma parceria entre o MCTI, o Ministério da Defesa e a Marinha do Brasil, a Petrobras e a Vale.

"É uma necessidade que vem de longe. A Marinha vinha atuando de forma organizada, porém limitada. Hoje, as universidades brasileiras estudam oceanografia, por isso queremos aglutinar conhecimentos", disse Raupp. E justificou: "O Inpoh vai financiar e organizar esse tipo de trabalho, contemplando todos os interesses. Essas atividades são caras. O Ministério tem outros navios, mas esse vai ser o maior de todos."

O Inpoh deverá ter quatro centros de pesquisa – dois voltados para estudos em oceanografia, um para o Atlântico Tropical, que terá sua sede na UFPE, e outro para o Atlântico Sul, que terá estudos em pesca e aquicultura, e em portos e hidrovias. O instituto vai incentivar o desenvolvimento científico e tecnológico nas áreas de oceanografia física, química, biológica, biodiversidade costeira e marinha, instrumentação submarina e energia dos oceanos, entre outras áreas.

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