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Publicado em: 01/08/2013

Projeto leva alunos da rede estadual a museus para aprender química

Débora Motta

                                                                  Divulgação
 
 O químico Guilherme Oliveira, coordenador do projeto, acompanha
 a visitação de alunos do Ensino Médio ao Museu Nacional/UFRJ 
 
“Odeio química!”. A rejeição pela disciplina, muitas vezes interpretada pelos alunos do ensino médio como uma matéria de difícil compreensão e com pouca aplicação prática, mostra a falta de familiaridade de boa parte dos estudantes com a área de ciências exatas. “Na escola, de modo geral, as aulas de química são teóricas, supondo que o estudante, que interage com um conhecimento essencialmente acadêmico, vai acumular as informações pela memorização passiva do conteúdo”, explica o químico e doutor em Engenheira Metalúrgica Guilherme Cordeiro da Graça de Oliveira, professor do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IQ/UFRJ).

Propondo uma alternativa lúdica à aprendizagem da química, Oliveira coordena um projeto de extensão na universidade que, desde 2011, vem oferecendo aos alunos do segundo ano do ensino médio do Ciep Raul Ryff, localizado no bairro de Paciência, na Zona Oeste do Rio, visitas guiadas ao Museu Nacional e ao Museu da Geodiversidade, ambos da UFRJ. O projeto conta com o apoio da FAPERJ, por meio do edital Apoio a Projetos de Extensão e Pesquisa – EXTPESQ. “A ideia de aulas curiosas, agradáveis, interessantes, interdisciplinares e contextualizadas são sugeridas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio”, diz Oliveira. “Nesse sentido, a educação em ciências, nos dias de hoje, não pode mais se ater ao contexto estritamente escolar. Os museus são importantes espaços de educação não formal”, prossegue.

As visitas aos museus são organizadas a cada quinze dias, com transporte escolar oferecido pelo projeto. Atualmente, três alunos de graduação trabalham como mediadores, ou seja, guiam, separadamente, um grupo de oito alunos, durante as visitações – número considerado adequado para não comprometer o aprendizado da turma. De acordo com Oliveira, são estudantes predominantemente de "classe média baixa", que moram em locais da periferia do Rio, carentes de atividades culturais e educativas. “Alguns alunos, com faixa etária média de 16 anos, revelaram, durante as visitas, que era a primeira vez na vida que entravam em um museu”, destaca o químico. “O projeto também é voltado para a inclusão social, ao viabilizar o acesso dos jovens a esses espaços culturais”, acrescenta.

No primeiro semestre de 2013, as visitas foram realizadas no Museu da Geodiversidade, no Instituto de Geociências da UFRJ, que apresenta uma integração das geociências e do entendimento da história geológica da Terra. Nesse segundo semestre, elas serão concentradas no Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, que abriga um rico acervo em história natural, com exemplares representativos da biodiversidade, fósseis, objetos etnográficos e arqueológicos. A cada ambiente visitado, os mediadores, supervisionados por Oliveira, explicam sobre as peças e vídeos em exposição, enfatizando os aspectos químicos. “O que se pretende é que os alunos reconheçam e compreendam as transformações químicas que ocorrem nos processos naturais e tecnológicos em diferentes contextos, histórico, artístico, social e tecnológico, articulando diferentes áreas do ensino e tornando os assuntos multidisciplinares”, resume.

Na prática, a química é apresentada com exemplos concretos da natureza, para despertar o interesse e a curiosidade dos adolescentes pela disciplina, melhorar o rendimento escolar e, quem sabe, atrair futuros profissionais para a área. No Museu da Geodiversidade, por exemplo, um passeio pela sala dos minerais é, segundo Oliveira, “um prato cheio” para o ensino da química. “Ao conhecerem os minerais, como os cristais de ametista e o geodo, os alunos relacionam os conceitos teóricos de ligações metálicas e estrutura de sólidos com a realidade que nos cerca”, conta o professor. Em outra sala desse espaço cultural, os estudantes conhecem a terceira maior coleção de fósseis do País. “Falar da formação dos fósseis significa também falar de química, afinal trata-se da impressão de um material orgânico, os ossos, numa matriz inorgânica, a rocha”, explica.

   Divulgação
    
  Jovens respondem a questionários durante a visita ao
  Museu da Geodiversidade: motivação para aprender
 
Já no Museu Nacional, uma visita a uma coleção de panelas de bronze utilizadas na Idade Média ajuda a entender os materiais químicos contaminantes. “O uso de panelas de bronze no período medieval levou algumas pessoas à morte, porque quando aquecido o material se torna um contaminante. Esse é o elo utilizado para explicar a toxicidade das panelas revestidas hoje com tefal, material antiaderente que pode soltar quando raspado por uma colher de metal em altas temperaturas”, diz Oliveira. Outro conceito transmitido aos alunos para contextualizar a aplicação da química é o de substâncias químicas e suas propriedades, trabalhado na sala do Egito. "Essa sala, com múmias em exposição, atrai muito a atenção dos alunos. As substâncias químicas usadas na mumificação são descritas juntamente com suas propriedades desinfetantes e desidratantes".

Antes, durante e depois das visitas, os alunos respondem a questionários preparados especialmente para avaliar os procedimentos elaborados no projeto. O questionário aplicado antes das visitas avalia o perfil sociocultural, as expectativas com relação à visita e as impressões dos alunos com relação à química e às aulas de química. Já o questionário aplicado durante as visitas reúne perguntas sobre os vídeos e textos explicativos dos museus, procurando avaliar o interesse dos alunos em buscar as respostas. Com o questionário aplicado após as visitas, o objetivo é recolher as impressões dos alunos e a aprendizagem de conceitos. O interessante é que os alunos, apesar de não receberem qualquer prêmio, como pontos a mais na disciplina ou outras possíveis vantagens, são naturalmente motivados a responder os questionários. "Eles respondem mais de 90% das perguntas do questionário aplicado durante as visitas, apresentando nível de acertos em torno de 85%. Este resultado permite concluir que houve uma motivação intrínseca por parte dos alunos”, observa.

Os resultados do projeto são parciais, mas Oliveira já fez uma constatação. “Existe uma carência muito grande de contextualização da química no ensino, isto é, de apresentar as aplicações práticas da disciplina no cotidiano dos estudantes”, afirma. “O objetivo do programa de extensão universitária é abrir a universidade para a sociedade. Queremos dar continuidade ao projeto e, mais adiante, partir para outros espaços culturais, como a Casa da Ciência, também da UFRJ, ou, quem sabe, outros locais que não pertencem à universidade, e expandir a atuação talvez para outras escolas”. Além de Oliveira, participam do projeto os professores Márcio José Mello Cardoso (IQ/UFRJ) e Rhoneds Perez da Paz (Museu Nacional/UFRJ).

Leia mais:

 

http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=7507

 

http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=5114

 

http://www.faperj.br/boletim_interna.phtml?obj_id=8923

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