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Publicado em: 11/07/2013

Julio Rozental: trajetória do físico nuclear em DVD

Danielle Kiffer

 Reprodução/DVD

   
     Rozental, à esquerda, trabalhando no reator Argonauta, marco
        da engenharia nuclear brasileira, que ele ajudou a montar
 
De engraxate na infância a um dos mais importantes físicos nucleares do Brasil, a trajetória de José de Julio Rozental (1933-2010) é surpreendente. Rozental trabalhou incessantemente, contribuindo para o avanço da medicina nuclear no País, ao mesmo tempo em que procurava divulgar a importância dos cuidados com o uso do material radioativo tanto na rotina médica quanto na indústria. Para isso, propôs a criação do dia da proteção radiológica, comemorado a 15 de abril. Para propagar sua história e mostrar sua importância, a física Silvia Maria Velasques de Oliveira, pesquisadora da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), produziu um documentário, com duração de cerca de 70 minutos, revelando a vida familiar e profissional de Rozental. O projeto teve apoio da FAPERJ por meio do programa de Auxílio à Editoração (APQ3). “É muito importante relembrar a carreira desse profissional, que foi imprescindível para a evolução da medicina nuclear no Brasil. Todos os exames realizados com material radioativo que utilizamos hoje e a segurança com que podemos empregar essas técnicas, devemos, em grande parte, ao trabalho de Rozental”, declara Silvia.

No documentário, são contextualizados os depoimentos de dez colegas, sua esposa, os três filhos e o neto mais novo, iniciando por Luiz Osório de Brito Aghina, ex-professor de Engenharia Nuclear da Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e orientador de pós-graduação do Rozental. Aghina foi também seu primeiro chefe no Departamento de Reatores do Instituto de Engenharia Nuclear (IEN), coordenador da construção do reator Argonauta – marco da engenharia nuclear no Brasil – em que 93% dos componentes foram nacionalizados.  Aghina ressalta que desde o início Rozental se destacou por sua dedicação ao trabalho. “Em 1965, depois da inauguração do Argonauta, Rozental montou um grupo no IEN para estudar a aplicação dos radioisótopos em hidrologia e ensaios não destrutivos, inclusive para inspeção de turbinas de avião. A segurança dos passageiros dos aviões da Varig também foi um pouco parte da atividade do Rozental”, lembra.

Na década de 1970, Rozental foi para a sede da CNEN em Botafogo, onde chefiou o Departamento de Instalações Nucleares (DIN) durante 17 anos. Segundo Antonio Carlos Gonçalves da Rocha, especialista em medicina nuclear e diretor do Centro de Medicina Nuclear da Guanabara (CMNG), “ao mesmo tempo em que colaborava para o desenvolvimento da medicina nuclear, trazendo renomados professores estrangeiros para o Brasil, Rozental estabelecia exigências para que as instituições médicas operassem com segurança”. Aspecto que também foi enfatizado no depoimento de Anna Maria Campos de Araujo, pesquisadora aposentada da CNEN e atual supervisora do Serviço de Qualidade em Radiações Ionizantes do Instituto Nacional do Câncer (Inca). "Para instituições que prestavam serviços de radioterapia, ele exigia que os equipamentos fossem devidamente calibrados e mostrava a importância de se contar com, pelo menos, um físico médico nesses locais."

Professor titular de física médica da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e coordenador do Laboratório de Ciências Radiológicas (LCR/Uerj), Carlos Eduardo de Almeida contou como ocorriam as primeiras discussões para elaboração de normas de radioproteção na CNEN, com a participação de Rozental e do físico Fernando Bianchini, além do próprio Carlos Eduardo. “Ele teve a percepção de que precisava estabelecer uma estratégia, com a participação dos profissionais e da sociedade para exercer um controle regulatório sobre as radiações ionizantes sem comprometer o uso dos radioisótopos na medicina, e aplicando o princípio da otimização.” A engenheira Ana Maria Xavier, pesquisadora da CNEN que trabalhou como diretora substituta de Rozental no DIN, lembrou como ele aplicou essa estratégia para minimizar os acidentes radiológicos ocorridos na década de 1980, especificamente na área de gamagrafia industrial, e a origem do sistema de atendimento a emergências radiológicas no Brasil. Silvia conta que Rozental participou da implantação do controle de importação e exportação de fontes de radiação pela CNEN. “Esse foi o embrião de um sofisticado controle através do Sistema de Comércio Exterior (Siscomex) pelo qual a CNEN fiscaliza a entrada e saída de material radioativo e de equipamentos geradores de radiação, permitindo que apenas instalações autorizadas e profissionais registrados operem fontes de radiação no País”.

O documentário também mostra a atuação de Rozental como um dos coordenadores das ações de recuperação de Goiânia após o acidente com uma fonte de césio 137, em 1987. Segundo Ivan Salati, diretor de Radioproteção e Segurança Nuclear da CNEN, “Rozental manteve relação estreita com as vítimas do acidente e a população, para melhorar-lhes a autoestima porque o acidente marcou muito. Entrava de casa em casa e comia da mesma comida para mostrar que não estava contaminada. Em 1997, recebeu o título de Cidadão Goiano”. Os colegas destacaram  seu lado humano, tão admirado por todos que com ele conviveram”. O engenheiro Alfredo Tranjan Filho, coordenador do projeto do depósito definitivo de rejeitos radioativos provenientes do acidente, na cidade de Abadia de Goiás, narrou com emoção os exemplos de humildade de Rozental e sua facilidade de comunicação com a população, fatores decisivos para superar as imensas dificuldades encontradas para a conclusão do depósito, inaugurado em 1995. “Foi a confiança da população em Rozental que permitiu a aceitação do depósito de rejeitos, o único da América Latina”, ressaltou Tranjan.

Diretora adjunta do Instituto de Energia Nuclear (IEN), a física Patricia Wieland encerra os depoimentos técnicos do documentário, narrando o esforço de Rozental para a divulgação das lições aprendidas com o acidente de Goiânia e sua contribuição para a elaboração e divulgação de importantes documentos da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), até hoje usados pelos países membros da AIEA. Etelvina Rocha, advogada e servidora aposentada da CNEN, falou sobre a vida familiar e o grande círculo de amigos do homenageado. O vídeo será distribuído entre as instituições de ensino e pesquisa fluminenses.

 

 

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