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Publicado em: 21/07/2011

Yoga: pesquisa busca comprovação científica

Danielle Kiffer

 Lorant Fulop/ Stock Photos

      
   A técnica do yoga pode ser empregada
   no tratamento de transtornos mentais
 
Até que ponto exercícios do yoga podem influir positivamente sobre os sintomas de ansiedade, agir sobre o estresse e até em transtornos, como a síndrome do pânico? Para a pesquisadora Camila Vorkapic, do Instituto de Psicologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), é preciso colocar tudo isso em prática, mas também comprovar cientificamente como tudo funciona. Com a pesquisa “O efeito de técnicas de yoga na redução da sintomatologia de pacientes com transtorno de pânico”, ela está uitlizando essa prática milenar como intervenção terapêutica no tratamento destes pacientes. “O ideal é empregar as técnicas de yoga não só nos tratamentos de transtornos mentais, mas também como método preventivo para profissionais com funções de alto nível de estresse, como médicos, policiais e motoristas. Camila é orientada pelo pesquisador Bernard Pimentel Rangé, no programa de pós-graduação em Psicologia da UFRJ, e é bolsista do programa Bolsa de Doutorado Nota 10. Para Bernard,as práticas de meditação têm sido cada vez mais utilizadas para tratar problemas como quadros de ansiedade, estresse e depressão. “Na literatura científica pode-se perceber um aumento exponencial da utilização desta prática como terapia; isso é uma evidência muito significativa”, complementa.

 

“Partindo do pressuposto de que os diferentes estados mentais são acompanhados por diferentes condições neurofisiológicas, pode-se afirmar que a meditação induz a ocorrência de dois tipos de alterações psicofisiológicas: mudanças no estado, que são alterações de curto prazo, ocorrendo durante ou imediatamente após a prática da meditação e se referem às alterações sensoriais, cognitivas e de autoconsciência; e mudanças no traço, alterações de curto prazo, que são mais profundas, resultantes da prática constante da meditação e que incluem alterações neuroquímicas, funcionais e até morfológicas do cérebro”, explica a pesquisadora. Como as técnicas de meditação envolvem uma forma de treino de atenção, as funções cognitivas que mais podem ser afetadas pela prática da meditação são a atenção e concentração. É por isso que os efeitos neurofisiológicos da meditação sobre os processos de atenção e correlatos são os mais estudados.

Para comprovar a efetividade científica da yoga, Camila separou dois grupos, cada um deles formado por, no mínimo, 20 voluntários com transtornos de ansiedade generalizada e pânico, diagnosticados previamente por profissionais do Instituto de Psicologia da UFRJ. O primeiro grupo recebeu como tratamento sessões de terapia cognitivo-comportamental (TCC) enquanto o segundo participou de práticas tradicionais de Hatha yoga, o que incluiu posições corporais (asanas), exercícios respiratórios (pranayama), relaxamento (yohanidra) e meditação (mindfulness). Os dois grupos fizeram uma hora de terapia por semana, durante o período de dois meses. Os voluntários também responderam a questionários e escalas-padrão, antes e após o tratamento, em que relatam seus sintomas físicos e psicológicos relacionados especificamente ao transtorno. “Estes dados são importantes para que possamos comprovar a efetividade das diferentes intervenções terapêuticas e estabelecer parâmetros científicos”, explica Camila.

 Divulgação/UFRJ
            
   Seminário internacional da UFRJ abordará 
    a promoção da saúde sob a ótica oriental 
Embora ainda não tenha realizado a análise estatística final, a pesquisadora revela que a reação dos pacientes que fizeram yoga foi surpreendente. “No começo do tratamento, pacientes com transtorno de pânico preferiam subir seis andares de escada para as aulas de yoga a ficarem confinados num elevador, o que sempre lhes provocava sensação de medo. Mas, ao longo dos dois meses, a maioria já estava subindo de elevador.” Camila também relata que muitos deles revelaram, por meio de conversas, das escalas e questionários, que estavam dormindo melhor; sentiam bem menos os sintomas físicos da ansiedade, como tremores, palpitação e dificuldade de respirar e tinham menos pensamentos relacionados ao pânico, seja medo de morrer, de ter um ataque cardíaco ou de não ser capaz de se controlar. A maioria também admitiu ter se tornado mais capaz de sair de casa sozinho, de ir a shoppings, esperar em filas e andar de ônibus. Para muitos deles, os pensamentos depressivos, como “não sentir mais prazer nas coisas como antes” ou “perder o interesse pelas pessoas”, também tinham sido atenuados.

Camila pretende continuar a pesquisa com um número maior de sujeitos, de modo a ampliar a amostragem e tornar os resultados mais fidedignos. “Já conheço como a prática do yoga funciona sobre as pessoas, pois venho estudando e trabalhando com ela há mais de oito anos. Mas estamos tentando comprovar cientificamente sua eficiência, para que ela passe a ser vista com mais seriedade”. A pesquisadora conta que o yoga pode ser um tratamento mais barato porque as pessoas podem praticar em casa. “Muitos voluntários faziam isso, repetindo os exercício em casa. O que foi fundamental para uma recuperação tão rápida.”

A pesquisadora está ajudando a organizar o I Seminário Internacional Consciência, Mente e Corpo: Perspectivas Orientais e Ocidentais. O evento, que também tem o apoio da FAPERJ, será realizado de 17 a 21 de agosto, na UFRJ, no campus da Praia Vermelha, à rua Lauro Müller, 2, em Botafogo. O seminário abordará a promoção da saúde sob a ótica oriental, entre outros assuntos. Mais informações: conscienciamenteecorpo@gmail.com   

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