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Publicado em: 23/12/2010

Uma nova ferramenta para auxiliar o ensino de música nas escolas públicas

Vinicius Zepeda

 Divulgação/CBM-CEU

        
         Elza Lancman Greif rege alunos do grupo de choro da instituição


"Nada contra o funk; só acho errado a maneira vulgar e excessivamente erótica como ele tem sido utilizado atualmente. Mas o funk, por si, tem uma riqueza rítmica. Um aluno meu de Iniciação Científica e morador de uma comunidade de baixa renda do Rio está desenvolvendo um projeto que busca investigar, em meio à interação social que os bailes funk promovem, os aspectos terapêuticos deste ritmo". A declaração, dada pela doutora em Música e em Educação Elza Lancman Greif, professora do Conservatório Brasileiro de Música/Centro Universitário (CBM-CEU), exemplifica bem a necessidade dos professores de escolas públicas – em especial os de música e de artes – a não assumirem uma postura elitista e se aproximarem da realidade social e cultural dos alunos. Ainda mais levando-se em conta a Lei n. 11.769/2008, que regulamenta que, até o fim de 2012, as escolas públicas de Ensino Básico – que compreende da Educação Infantil até o terceiro ano do Ensino Médio – em todo o País terão que incluir música como componente curricular obrigatório.

Para ajudar os educadores a compreenderem os objetivos da música na educação regular no cotidiano do trabalho escolar, Elza Greif coordenou uma equipe de mais quatro professores do CBM/CEU, que desenvolveu, em 2009, o CD-ROM Música em Tela, que reúne uma série de propostas de atividades. Durante seu trabalho, a professora realizou uma pesquisa sobre diversos gêneros musicais. "Além de sugerir bibliografia, escrevi um texto para cada um deles", explica Elza. "Meu objetivo foi facilitar a pesquisa dos professores", complementa. O material contou com auxílio do edital Apoio à Produção e Divulgação das Artes no Estado do RJ, da FAPERJ.

Entre os temas abordados, está o funk. Nos anos de 1970, o ritmo ganhou espaço em todos os extratos sociais da cidade. Entretanto, grande parte da elite econômica ainda o vê com preconceito. Diferente do movimento que também ganhou espaço não só na cidade, mas em todas as grandes cidades do País, o hip-hop. "O hip-hop nasceu como um movimento antiviolência, antidrogas e antiexclusão, tornando-se, ao mesmo tempo, um movimento artístico, político e ideológico, motivo para a juventude negra se orgulhar de sua origem e cultura", explica. Além dos raps (do original em inglês ritmo e poesia), músicas compostas por uma letra quase falada, em que os MC’s (mestres de cerimônia) cantam mensagens políticas sobre o cotidiano das periferias urbanas, sob uma batida eletrônica repetitiva, o hip-hop ainda se complementa com o DJ, o uso do grafite e da dança break. "Estas referências podem ser apropriadas pelos professores da educação básica, cujos alunos, muitos deles apreciadores ou produtores deste tipo de cultura, vivem em comunidades onde este ritmo está presente", explica o texto do CD-ROM.

Conhecido atualmente por sua vertente mais comercial e romântica, o ritmo sertanejo – de cantores, como Daniel, Leonardo, Zezé di Camargo & Luciano, além de fenômenos intitulados universitários, que misturam influências de rock e country rock, como o ídolo teen Luan Santana – é outro tema abordado. "O cancioneiro sertanejo é abrangente, envolvendo desde músicas populares de características rurais, com violas caipiras e acordeons, e tocadas nas rodas de viola por boiadeiros e lavradores, até os sucessos de duplas famosas, responsáveis por um mercado que vende milhares de CDs todos os anos", explica Elza.

E, claro, a pesquisadora não poderia deixar de faltar sobre aquele que é o mais conhecido e genuíno ritmo brasileiro: o samba. Como contam as histórias, o ritmo teria surgido entre o último quarto do século XIX e as primeiras décadas do século XX, em festas organizadas pelas "tias" baianas, nos bairros de Saúde e Gamboa, na Zona Portuária do Rio, que incluíam comida, bebida, música, dança e alguns aspectos do candomblé. "O exemplo mais emblemático dessas reuniões era a casa da baiana Hilária Batista de Almeida, a tia Ciata, casada com um funcionário do chefe de polícia da cidade, baiano que adquirira certos privilégios por ter estudado durante dois anos na Faculdade de Medicina de Salvador", ensina. Entre seus frequentadores, estavam os músicos Donga, Pixinguinha, Caninha e Heitor dos Prazeres. "Ali, foi criado coletivamente, em 1917, aquele que é considerado o primeiro samba gravado no país: Pelo telefone", completa.

Em seu conteúdo, o CD-ROM apresenta mais quatro módulos: Apresentação, Música e Educação, Atividades e Glossário, além dos créditos do material. "Música e Educação" aborda textos variados sobre música, educação, cultura, aprendizagem musical, música na educação infantil, educação básica nas escolas, mundo sonoro e alguns depoimentos em vídeo com alunos e professores do CBM/CEU. Na seção "Para saber mais", há sugestões de bibliografia e textos sobre história da música/história da música brasileira, choro, MPB, forró, rock/rock no Brasil e música de concerto. "Vale destacar ainda o módulo de atividades, que traz sugestões de dinâmicas para se fazer em sala de aula, sobre os seguintes temas: acústica e audição; o objeto sonoro; objeto musical; sons corporais: percussão e sopro; voz; objetos instrumentos; e inventando movimentos musicais", destaca Elza.

Elza Greif acredita que a inclusão da música no currículo escolar trará enormes benefícios às gerações futuras. "É claro que a simples inclusão da disciplina não formará necessariamente músicos nos colégios. Mas vai ajudar a desenvolver o potencial que o ser humano já tem dentro de si. Assim, a escola formará um ser mais completo, mais sensível e criativo", salienta. "Afinal, da mesma forma que muitos músicos improvisam suas melodias, a imaginação criativa pode ser replicada no dia a dia, como forma de criar soluções para os problemas que surgem na vida", conclui.

 

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