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Publicado em: 05/11/2009

Software em 4D faz projeções de degradação em usinas nucleares

Vilma Homero

 Divulgação

    

                 

        Com o C4D, visualizam-se em computador os
       pontos de uma estrutura afetados pela corrosão
  
Como acompanhar e prever o processo de degradação de estruturas marítimas? Para responder, a empresa PhDSoft desenvolveu o software C4D, capaz de mapear em 4D – além dos 3 eixos da modelagem tridimensional, acrescenta-se a dimensão do tempo – plataformas e navios, detectar sinais de corrosão, ou mesmo aqueles pontos que possivelmente exigirão reparos em certo tempo, antecipando a necessidade de reparos. O programa, elaborado para a área de segurança marítima, logo teve sua utilização ampliada para o setor de petróleo. E até o final de 2010, com recursos do edital Rio Inovação, da FAPERJ, ganha mais um campo de atuação: as usinas nucleares. É nesse sentido que os especialistas da empresa agora trabalham, desenvolvendo as modificações necessárias para que o software possa dar conta das especificidades de mais esse setor.

Capaz de visualizar a estrutura de plataformas off-shore, acompanhar o histórico dos reparos realizados ao longo do tempo e fazer projeções de degradação com base nas medições efetuadas, a nova versão do C4D é mais leve, e pode ser usada em praticamente qualquer computador. "Nosso software é capaz de mapear e prever a necessidade de reparos em plataformas ou em grandes estruturas de exploração de petróleo", explica Duperron Marangon, engenheiro naval pela USP e mestre em Engenharia Oceânica pela Coppe/UFRJ, e diretor-presidente da PhDsoft.

Professor de engenharia naval e oceânica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), na década de 1990, ele foi, na época, contratado pela companhia Vale do Rio Doce para calcular o volume de aço necessário para prolongar a vida útil de um de seus navios. Como resultado, Marangon e equipe acabaram criando a versão original do programa e abrindo a empresa PhDSoft. Segundo Marangon, o C4D é o primeiro software do gênero no mundo.

Ele explica que para antecipar-se à necessidade de reparos em grandes estruturas, como as de um navio, por exemplo, é necessário saber sua idade. Isso permite fazer os cálculos necessários para avaliar o processo de degradação em determinado tempo. "Numa plataforma off-shore, ou mesmo em navios que naveguem por rotas diferentes, podemos calcular a deterioração do casco, já que os materiais empregados se comportam, em média, de forma previsível", diz. Mas quando se trata de tanques de FPSOs (Floating Production Storage and Offloading) – os grandes navios convertidos em plataformas e empregados pela indústria petrolífera para a exploração e armazenamento de petróleo ou gás natural, quando os locais de produção estão distantes da costa – isso fica bem mais complicado, uma vez que eles geralmente são resultado da reforma de outros navios para mudança do perfil de operação. "Com isso, perdem-se as referências de idade das peças e se tem um conjunto de materiais de diferentes origens, que apresenta diferentes níveis de degradação em pontos diversos de uma mesma embarcação", esclarece.

É aí que entra o C4D, que conseguiu reunir em sua nova versão cálculos demorados e trabalhosos que anteriormente tinham que ser feitos pelos engenheiros. "Esse foi o nosso ganho, conseguimos fazer projeções para navios FPSOs", entusiasma-se Marangon. Esse salto no programa levou a outro. "Como tudo o que envolve tecnologia, a tendência é que o uso em larga escala transcenda a aplicação original para outros setores que também sejam afetados pela corrosão, como os parques industriais. Ou para instalações nucleares, como estamos fazendo agora", fala.

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Duperron Marangon: o criador da PhDSoft    
   
No caso das usinas nucleares, tem sido mais uma questão da adaptação do programa. E é exatamente nisso que os especialistas da empresa estão trabalhando. "Sempre que se pensa em segurança numa usina nuclear, imaginamos pontos críticos, como os reatores e equipamentos, cuja operação envolve risco, mas nos esquecemos das próprias estruturas que os abrigam, expostas ao tempo e à degradação decorrente. Ou da deterioração de tubulações", exemplifica Marangon. O programa, que até então não incluía cálculos ou projeções para concreto, passará a fazê-lo. "Agora estamos coletando dados para mais essa adaptação. Nesse caso, inúmeras variantes estão sendo acrescentadas ao software", diz.

A inclusão do setor nuclear como uma nova aplicação do software C4D, para Marangon, tem amplas justificativas. Até porque, como ele avalia, para crescer, a economia fluminense precisa expandir sua oferta energética. "Ainda se trata de um assunto polêmico, sobre o qual pairam certos estigmas. Mas num estado, como o Rio de Janeiro, que já conta com as usinas nucleares de Angra dos Reis – hoje com capacidade produtiva equivalente a metade da energia elétrica consumida no estado –, o mais viável é estender a vida útil dessas usinas", fala, apontando os exemplos bem-sucedidos da França e Estados Unidos no uso desse tipo de energia. "Também precisamos reduzir o risco de acidentes nucleares e os índices de poluição, tendo em vista que a energia termonuclear é considerada uma fonte limpa e menos impactante em termos de aquecimento global. E se otimizarmos as estruturas existentes, conseqüentemente reduziremos os custos de manutenção e também os custos de produção de energia", acrescenta.

O projeto, uma vez concluído, poderá contar com o apoio da Epri (Eletric Power Research Institute), organização mundial independente, que realiza pesquisas e, principalmente, elabora e fiscaliza normas de segurança para usinas de energia. "Executivos da entidade ficaram muito entusiasmados com o novo uso dessa tecnologia e afirmaram que centenas de usinas espalhadas pelo mundo se beneficiariam com seu uso. Eles até se prontificaram em nos apresentar aos responsáveis pela manutenção das plantas depois que o projeto estivesse implantado no Brasil", diz Marangon.

O executivo da PhDSoft anima-se ainda mais por saber que grande parte do que estão projetando para aplicação nas instalações nucleares também poderá ser utilizado nas grandes estruturas de concreto de pontes e outras construções do gênero. Para isso, a adaptação do software deve estar concluída até o final de 2010. Enquanto isso, prosseguem os contatos informais com a Eletronuclear. A PhDSoft já opera com empresas na Europa e Estados Unidos, além de ser a única firma brasileira a participar da Australasian Oil &Gas. Para Duperron Marangon, a empresa, que vem se firmando no exterior, também se mostra cada vez mais carioca. "O Rio de Janeiro vem expandindo sua vocação em três áreas: na indústria naval, no petróleo e no setor nuclear. Já atuamos em duas delas, e até o final do ano que vem, estaremos trabalhando nos três setores", conclui.

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