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Publicado em: 17/09/2009

Pesquisas em células-tronco são tema de palestra na Bienal do Livro

 

Vinicius Zepeda 

         
   Stevens Rehen: "No futuro, uso de células-tronco 
   poderá substituir transplante de órgãos e tecidos"

Um pouco do futuro da medicina nos próximos anos. A palestra sobre células-tronco apresentada pelo neurocientista e pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Stevens Rehen, a convite da Fundação, permitiu ao público presente saber um pouco mais sobre essas células, capazes de gerar tipos celulares mais especializados e com possibilidade de ser empregadas tanto para a regeneração de órgãos comprometidos quanto para a cura de doenças degenerativas. A palestra teve lugar na XIV Bienal do Livro, na noite do dia 15 de setembro, como uma das atividades do Café Universitário, ao lado do estande da FAPERJ, no espaço destinado a Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu), no Pavilhão Laranja.

Bolsista do programa Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, em sua palestra, Stevens Rehen explicou como a ciência caminhou até chegar às células-tronco e o que podemos esperar de seu eventual uso na medicina. "No século XVIII, o suíço Abraham Tremnbley percebeu que um pequeno animal chamado de hidra, com seus tentáculos ao redor da boca, era capaz de se regenerar completamente mesmo depois de ser cortada em vários pedaços", contou o neurocientista. "Vale destacar que este princípio de regeneração é decorrência das células-tronco", exemplificou.


Após a descoberta da autoregeneração das hidras, outros cientistas começaram a estudar a capacidade de regeneração do corpo humano e constataram como ela é limitada. Surgiu então uma possível solução: transplantar um órgão. "As possibilidades de fontes de tecidos e órgãos para transplante incluem, além dos doadores, órgãos de animais e artificiais", explicou Rehen. Atualmente, o Brasil possui um dos maiores programas públicos de transplante de órgãos e tecidos de todo o mundo. "Além disso, é o segundo país que mais realiza esse procedimento no planeta. Porém, isso não resolve a enorme demanda por órgãos de reposição e o desgaste do organismo causado pelo envelhecimento", complementou. "Quando se descobriu o potencial das células-tronco, a esperança de solucionar os problemas comuns aos transplantes aumentou, assim como as múltiplas aplicações dessas células como forma para o homem ampliar sua expectativa de vida", acrescentou.

Apesar de toda a expectativa nos tratamentos com células-tronco, Rehen enfatizou que os estudos ainda não são conclusivos e a maior parte dos resultados obtidos até o momento foi com animais, como camundongos e ratos. "Até o momento, há muitos estudos promissores em cobaias e testes clínicos em andamento, mas o único tratamento de eficácia comprovada pela medicina é o transplante de medula óssea, usado para tratar leucemia e realizado desde a década de 1970", explicou o neurocientista. Após acalmar os ânimos entusiasmados da platéia, Rehen apresentou alguns resultados promissores. Como exemplo citou um estudo com camundongos paraplégicos. "Após a injeção com células-tronco embrionárias – aquelas que dão origem a qualquer tecido do corpo – na medula espinhal dos animais paraplégicos, em sete dias eles recuperaram parcialmente os movimentos", afirmou Rehen. 

Mas o ponto alto da apresentação foi quando Stevens Rehen falou sobre a descoberta do cientista japonês Shinya Yamanaka, que em 2007 conseguiu reprogramar células da pele para se tornarem células pluripotentes induzidas, ou iPS (do inglês induced pluripotent stem cells), que são em tudo semelhantes às células-tronco embrionárias e podem atuar como tal. Uma verdadeira revolução abriu perspectivas até então impensadas para as ciências biomédicas. "Imagina-se que no futuro essas células reprogramadas poderão ser usadas para criar órgãos sob medida, sem o risco de rejeição. Bastaria retirar um pedaço de pele, transformá-la em células iPS e, de acordo com a necessidade específica daquele indivíduo, criar peças de reposição para reconstruir um coração, baço, pâncreas ou qualquer outro órgão danificado",  explicou Rehen.

A equipe de pesquisadores coordenada por Stevens Rehen desenvolveu recentemente um estudo bastante semelhante ao do cientista japonês. Porém, em vez de células da pele, eles reprogramaram células renais. "Nossa equipe realizou a experiência tanto com células humanas quanto com as de camundongos. O processo foi realizado em etapas tanto num caso quanto no outro. Mantidas em cultura, as células receberam genes embrionários em seu DNA, o que é feito por meio de vírus atenuados, produzidos em laboratório", explicou Rehen. São esses vírus que carregam os genes para o interior das células e os inserem em seu genoma nuclear. "Um para cada um dos quatro genes necessários à transformação. Uma vez no núcleo, os genes dão início à reprogramação que faz a célula retornar a seu estado indiferenciado original. Ou seja, semelhante às embrionárias" acrescentou.

A médio prazo, além do uso em transplantes, as iPS poderão auxiliar na identificação de medicamentos. "Podemos, por exemplo, transformá-las em células do coração e usá-las para identificar novos medicamentos com potencial na recuperação de cardiopatias. Assim, poderíamos avaliar a eficiência específica de certas substâncias para determinado paciente em uma placa de cultura. É uma considerável redução de riscos", afirmou esperançoso. Outra pesquisa citada foi a aplicação de biorreatores para multiplicar células-tronco, sejam elas embrionárias ou iPS. A ideia é promover a produção em larga escala, capaz de alimentar os mais diversos laboratórios no país. "Nossa pesquisa apenas está adaptando essa tecnologia para que o produto final seja a células-tronco", explicou. Dessa forma, pode-se chegar a um resultado 70 vezes maior do que o obtido pelo método convencional.

   Divulgação 
           

   Em palestra concorrida, Alexander Kellner
    falou sobre a profissão do paleontólogo

Rehen e sua equipe também estão testando a atuação de três diferentes tipos de células-tronco: as embrionárias, as iPS (originadas da pele) e as extraídas de polpa de dente para tratamento da doença de Parkinson. Os pesquisadores comparam os três tipos procurando identificar qual deles será o mais eficaz para o tratamento da doença em modelo animal. Essas células estão sendo aplicadas em modelos animais, nos quais foram induzidos os sintomas da doença. "Vale destacarmos que a distância que separa as pesquisas realizadas no Brasil com as dos países do primeiro mundo não é tão grande. Estamos nos tornando competitivos. Num futuro próximo, os resultados destes estudos poderão ser de grande valia para melhorar as condições de vida da população", concluiu.

Além de Stevens Rehen, o pesquisador do Museu Nacional da UFRJ e paleontólogo Alexander Kellner, bolsista do Programa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, também foi convidado pela Fundação para apresentar palestra no Café Universitário. Kellner é um dos principais paleontólogos brasileiros, responsável pela descoberta do dinossauro carnívoro Santanaraptor, com o tecido mole mais bem preservado de que se tem notícia, incluindo fibras musculares e parte do sistema capilar fossilizado, além do réptil voador Thalassodromeus sethi, que permitiu o estabelecimento de novas hipóteses a respeito de aspectos fisiológicos dos pterossauros. Também tem contribuído para ampliar o conhecimento da diversidade de vertebrados fósseis encontrada no Brasil e em diversos países, tendo estudado material da Mongólia, Marrocos, Tunísia, Japão, China, Argentina, Venezuela, Irã, Estados Unidos, China, entre outros. Já participou da descoberta e descrição de vinte novas espécies de vertebrados fósseis.

Em sua apresentação, bastante concorrida, na tarde desta quinta-feira, 17 de setembro, ele explicou às muitas crianças e adolescentes de escolas que visitavam a Bienal, como é realizado o trabalho de campo de um paleontólogo, detalhou como os fósseis são reconhecidos e identificados e falou sobre as especificidades da profissão. Para ilustrar o que dizia, ele exibiu aos estudantes fósseis verdadeiros trazidos do acervo do Museu Nacional. E ainda brincou, dizendo que nem só de achar dinossauros vive o paleontólogo. "Existem muitos outros animais pré-históricos..." As crianças que assistiram a apresentação ainda ganharam um quebra-cabeça e um livro educativo sobre dinossauros, ambos editados com apoio da Fundação.

Num estande no espaço destinado a Associação Brasileira das Editoras Universitárias (Abeu), no Pavilhão Laranja, funcionários da FAPERJ se revezam para apresentar as últimas publicações editadas com apoio do programa de Auxílio à Editoração (APQ3). A XIV Bienal do Livro vai até 20 de setembro.

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