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Publicado em: 10/09/2009

Células-tronco: promessa no tratamento contra a silicose

Vilma Homero

 Divulgação

 
A equipe coordenada pelo médico e pesquisador Marcelo Morales, do Instituto de Biofísica, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), está realizando um procedimento inovador: através de broncoscopia, os pesquisadores estão instilando células-tronco diretamente no pulmão de um grupo de dez pacientes com silicose, previamente selecionados. É a primeira vez no mundo que se faz um experimento no gênero com humanos. Também é a primeira vez que se promove o tratamento da silicose com células-tronco. Retiradas da medula do próprio doente, elas devem repetir o resultado bem-sucedido já obtido nos testes feitos com animais, iniciados há quatro anos pelo grupo. Ou seja, estacionar o desenvolvimento da doença, que, hoje, atinge 6 milhões de pessoas no país. O projeto está sendo financiado pelo edital Prioridade Rio, da FAPERJ.

O procedimento teve início há quinze dias no Hospital Universitário Clementino Fraga da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com o primeiro dos dez pacientes. A cada semana, mais um deles é submetido ao tratamento. "O procedimento é feito apenas uma vez. Cada paciente recebe uma única injeção de células-tronco adultas derivadas de medula óssea.", explica Morales. Os resultados serão conhecidos somente após um ano de tratamento, mas os pesquisadores estão bastante entusiasmados. "Trata-se da fase de teste de segurança do procedimento em seres humanos, a chamada fase 1 de testes. Mas podemos dizer que o experimento foi um grande sucesso e o paciente recebeu alta no dia seguinte ao procedimento!", garante Morales. Ele diz ainda que o método pode ser empregado para outros três sérios problemas respiratórios: a asma grave, a doença pulmonar obstrutiva crônica e a síndrome do desconforto respiratório agudo. Os testes iniciais com animais também foram satisfatórios.

No caso da silicose, trata-se de doença incurável. Não há meios de se retirar a sílica que se deposita nos pulmões. O material, que no passado esteve bastante presente na indústria naval, é empregado como base do jateamento de areia e continua afetando um grande número de profissionais, como protéticos, vidraceiros, joalheiros, mineiros, pessoas que trabalham em marmorarias e até mesmo artistas plásticos que manuseiam argila. Ao ser continuamente aspirada, a poeira de sílica provoca inflamação dos pulmões.

Isso acontece porque ao perceber os cristais de sílica nas vias respiratórias, os macrófagos – células sentinela da defesa do organismo – começam a atuar. Mas ao tentar fagocitar a sílica, os macrófagos liberam enzimas, que agravam a inflamação pulmonar, e terminam destruídos no processo. Acentuada, a inflamação, por sua vez, continua atraindo novos macrófagos e outras células inflamatórias, que entram em ação, com igual resultado. "É uma reação em cadeia irreversível, que termina fazendo com que se forme nos pulmões um tecido cicatricial, sem função de troca gasosa. Formam-se os granulomas. É a chamada fibrose pulmonar", explica Morales. Como não há nem cura nem tratamento específico, a longo prazo a doença costuma terminar em óbito do paciente.

Foi este também o motivo para que os pesquisadores da UFRJ tenham escolhido, entre as várias doenças pulmonares, tratar exatamente a silicose. "Além de não dispor de tratamento, a silicose atinge muitos indivíduos no país, em particular no Rio de Janeiro, que, no passado, tinha uma indústria naval forte e por isso mesmo tem ainda hoje um grande número de doentes. Motivo porque está sendo nosso primeiro alvo para teste em humanos", fala Morales.

É aí que entram as células-tronco. "Nos testes em laboratório, elas conseguiram diminuir a atividade dos macrófagos, fazendo com que a fibrose diminuísse. Além disso, todos os parâmetros da função dos pulmões melhoraram nos animais tratados com células-tronco", fala o pesquisador. Mas com a realização do experimento, a equipe espera também chegar a novos achados. Como, por exemplo, descobrir, quais, entre as células-tronco retiradas da medula, têm melhor desempenho na melhora pulmonar. A resposta, porém, só virá nas próximas etapas do estudo. A estimativa é de que a nova técnica de tratamento esteja disponível à população num prazo de cinco anos. Para ampliar os estudos, a equipe busca candidatos a tratamento da silicose pela técnica de instilação de células-tronco. Os interessados devem entrar em contato pelo fone (21) 2562-2194 ou 2562-6722.

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