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Publicado em: 27/08/2009

Novos equipamentos melhoram atendimento a pacientes com câncer no Hupe


Vinicius Zepeda

 Divulgação/Hupe

        
         O uso do afastador de Bookwalter permite maior 
       exposição da cavidade abdominal
 durante a cirurgia

Segundo dados na Organização Mundial da Saúde (OMS), o desenvolvimento de lesões e tumores no fígado (metástases) é a principal causa de morte entre portadores de câncer colo-retal – considerado o segundo tipo mais letal da doença nos países ocidentais. No caso do Brasil, o índice de portadores da doença hoje em dia chega a 13 casos novos para cada 100 mil homens e 15 para cada 100 mil mulheres. Porém, na região Sudeste, esta taxa é a ainda maior: 19 a cada 100 mil homens e 21 a cada 100 mil mulheres. Em consequência disso, pesquisadores e profissionais de saúde da região têm buscado melhores maneiras de estudar a doença e garantir o tratamento mais adequado. No Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), um estudo coordenado pelo pesquisador e chefe do Departamento de Cirurgia Geral Marcos Pitombo e desenvolvido com auxílio do edital FAPERJ "Apoio aos Hospitais Universitários Sediados no Estado do Rio de Janeiro-2008", busca resolver o principal problema verificado: a falta de acesso da população ao procedimento cirúrgico voltado ao tratamento do câncer.

Para garantir a pacientes com câncer o acesso às modernas técnicas de intervenção cirúrgica no Hupe, a pesquisa Novas estratégias na abordagem de metástases hepáticas do carcinoma do cólon e reto possibilitou a compra de equipamentos necessários para realizar os procedimentos de maneira mais adequada. Além de instrumental cirúrgico específico, o estudo ainda possibilitou a aquisição de um gerador eletrocirúrgico microprocessado (responsável pela dissecção e ressecção de partes do fígado), um aparelho de ultrassonografia com capacidade de realizar exames intra-operatórios e um afastador cirúrgico de Bookwalter que, por meio de várias pás articuladas, possibilita melhor exposição da cavidade abdominal, facilitando a ação do cirurgião. “Enquanto numa operação de grande porte, sem o uso deste equipamento, haveria a necessidade de três auxiliares além do cirurgião, com o uso do afastador, o mesmo procedimento poderia ser realizado com uma equipe mais reduzida”, explica Pitombo.

De acordo com o cirurgião, a intervenção cirúrgica é indispensável para o tratamento do câncer colo-retal. “Cerca de 40% dos pacientes com câncer do cólon e reto vão apresentar lesões no fígado no decorrer da doença. O uso de tratamentos tradicionais, como radioterapia e quimioterapia, tem garantido uma sobrevida de dois anos ainda pequena (entre 25% e 30%) e de raros pacientes em longo prazo”, explica. “Já a retirada da parte do fígado dos pacientes com câncer que já esteja comprometida com tumores mostrou-se a única forma de tratamento a apresentar resultado satisfatório em longo prazo. A sobrevida em cinco anos ficou entre 25% e 37%, e, em 10 anos, entre 20% e 22%”, acrescenta Pitombo.

O ultrassom intra-operatório é outro equipamento obtido com os recursos da pesquisa e destacado pelo pesquisador. O equipamento permite a realização de exames de ultrassonografia durante o procedimento cirúrgico, o que possibilita o diagnóstico de lesões que normalmente passam despercebidas pelos métodos de imagem pré-operatórios ou pela palpação bimanual. “Estas lesões não visualizadas pelos métodos de imagem mais comuns podem ser identificadas em até 50% dos casos em que o ultrassom intra-operatório é utilizado”, explica Marcos Pitombo. “Outro ponto importante também é que este equipamento nos permite verificar de maneira mais precisa a relação entre o tumor e o surgimento de vasos sanguíneos dentro do fígado, o que pode, por vezes, alterar a tática operatória, alterar o tipo de procedimento indicado e, em alguns acasos, a até mesmo contra-indicar a operação”, destaca.

Com os novos equipamentos e com o consentimento do Comitê de Ética do Hupe, a pesquisa irá avaliar as condições clínicas de pacientes portadores de câncer colo-retal do Hupe que apresentem lesões do fígado. “Entretanto, aqueles que apresentarem lesões em outros órgãos, além do fígado, ou que tenham surgimento de tumores não controlados, serão excluídos do estudo”, explica Pitombo. “Além disso, poderemos avaliar o papel da ultrassonografia intra-operatória no diagnóstico de novos tumores não detectados pelos métodos mais comumente usados, o impacto na formulação de novas estratégias cirúrgicas e, por último, verificar os melhores procedimentos para cada um dos casos”, conclui.

 Divulgação / Uerj
         
       Professor Ivan Mathias recebe    
      homenagem: sala em seu nome

Marcos Pitombo refere que o apoio da FAPERJ, em muitos dos seus editais, tem sido fundamental para a evolução tecnológica do Departamento de Cirurgia Geral da Faculdade de Ciências Médicas da Uerj e em muitos outros setores do Hupe: “São muitos anos sem investimento, o que determinou uma grande defasagem no que se refere aos procedimentos atualmente empregados. O Hupe, como hospital universitário, necessita obrigatoriamente de dispor dos avanços tecnológicos, o que irá se refletir diretamente na formação dos alunos de medicina e de muitas outras áreas da saúde”.

Em complementaridade à aquisição desses equipamentos de ponta, em uma iniciativa que também contou com o apoio da FAPERJ, o departamento passa a possibilitar o completo acesso à informação para seus alunos, residentes, funcionários técnico-administrativos e docentes. Para tanto, no último dia 21 de agosto, inaugurou, em suas  dependências, a Sala de Pesquisa da Unidade Docente-Assistencial de Cirurgia Geral do Hupe, dotada de inúmeros computadores, com acesso à Internet, incluindo a consulta ao Portal de Periódicos da Capes.

A sala recebeu o nome de “Sala multimídia discente-docente Prof. Ivan Mathias”, professor recentemente aposentado compulsoriamente. O diretor-presidente da FAPERJ, Ruy Garcia Marques, também membro do Departamento de Cirurgia Geral da Uerj, esteve presente à cerimônia e enaltece a homenagem prestada ao grande mestre: “O professor Ivan é um dos grandes nomes da cirurgia nacional, tanto no que se refere à sua atividade assistencial quanto docente, e, afora isso, é uma das melhores figuras humanas que conheci. Fui seu aluno e, até hoje, me lembro que ele ministrou a melhor aula que assisti na faculdade, sobre ‘Fisiopatologia da Obstrução Intestinal’. Durante toda a minha formação cirúrgica, na residência médica no Hupe, e até em momentos bem mais recentes, seus grandes ensinamentos serão para sempre lembrados.”

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