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Publicado em: 04/06/2009

No Museu Nacional, crianças revivem clima do filme Uma Noite no Museu

Vinicius Zepeda

 Fotos: Vinicius Zepeda

         
      Com lanterninhas, crianças exploraram
      a sala onde está o
Angaturama limai

Um grupo de 20 crianças entre 9 e 10 anos, todos estudantes do Instituto de Aplicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (CAp/Uerj) acabam de vivenciar uma experiência inesquecível: elas passaram quase uma noite toda aprendendo por meio de uma série de brincadeiras, atividades e contação de histórias, sobre reis, rainhas, múmias egípcias, índios, fósseis de dinossauros e outros animais já extintos. Semelhante ao que ocorre em “Uma noite no Museu 1” – filme de sucesso internacional que conta a história de um vigia noturno de um museu de história natural onde todas as coleções ali guardadas criam vida – elas embarcaram neste faz-de-conta junto com atores caracterizados de escravos, reis, rainhas, personagens históricos, pesquisadores e monitores do Museu Nacional – com 191 anos de existência, o mais antigo museu de história natural do País e antiga residência da família imperial brasileira –  para aprender sobre a história abrigada no local.

Desenvolvido com apoio da FAPERJ e batizado de “De Pijama no Museu”, o projeto teve início às 17h do dia 30 e terminou por volta de 10h do dia seguinte, após um café da manhã de confraternização com os pais. Esta foi a primeira edição do evento, que ainda reunirá mais dois grupos de 20 crianças selecionadas pelo próprio CAp/Uerj nos últimos fins de semana de junho e julho deste ano. Vitória Teixeira Ferreira, 10 anos, estava entre os participantes do evento e não cabia em si de tanta ansiedade. “Já visitei o museu antes. Porém, será a primeira vez que dormirei lá. Espero encontrar objetos que nunca vi antes e que eu ache uma coisa que me surpreenda muito”, disse a ansiosa menina. Vitória foi levada ao local por sua mãe, Ana Rosa Ferreira, mais afeita a cálculos e operações matemáticas comuns à sua profissão de gerente financeira. Na expectativa de ver a filha dormir pela primeira vez fora de casa, Ana Rosa esquecia por uns momentos a frieza dos números que estava acostumada a conviver diariamente para embarcar na fantasia infantil. “Acho que vai ser uma experiência incrível. Eu mesma gostaria de dormir no museu. Será que eles não vão fazer uma versão do projeto para adultos?”, questionava.

      
Durante o lanche real, as crianças iam às
gargalhadas com D. Maria, a rainha louca
Na porta de entrada do museu, atores caracterizados de escravos negros dançavam jongo e cantarolavam melodias típicas da cultura africana enquanto as crianças, ainda na companhia de seus pais, assistiam encantadas a tudo. Neste horário, pouco após as 17h30, os raios de sol já começavam a sumir da paisagem, indicando que ia começar a noite. Após a apresentação, as portas do museu eram abertas e os escravos convidavam a criançada a entrar. Neste instante, os pais se despediam dos filhos e, impedidos de entrar, os deixavam sob a responsabilidade de monitores, pesquisadores do local e professores do CAp/Uerj, que os acompanhariam na aventura. No alto da escadaria do museu, os negros indicavam quem mais estava por vir: Dom João VI, Dona Carlota Joaquina e Dona Maria, a rainha louca – um espetáculo à parte durante o evento. Com seu jeito exagerado e humor histriônico, ela interagia com as crianças e também, com os próprios repórteres de emissoras de TV e jornais que ali se encontravam.

Múmia egípcia rouba a cena dos monitores e a atenção da criançada

Neste momento, as crianças eram convidadas para o lanche real e depois de comer, ganhavam lanterninhas para, no escuro, explorar a sala de exposições onde está atualmente a exposição “Dinossauros do Sertão”, que reúne o Angaturama limai – maior dinossauro carnívoro já reconstituído no País. Inclusive, foi naquela sala que as crianças dormiram em colchões após o encerramento das atividades noturnas de sábado. “Foi impressionante o grau de participação, entusiasmo e interesse das crianças. Já por volta das 22h, após todas as crianças terem realizado sua higiene pessoal e se prepararem para dormir, exibimos o filme ‘Uma noite no Museu 1’. Todas as crianças assistiram ao filme todo. Elas estavam tão empolgadas que foram dormir por volta de 3h da manhã.

Outra atração que roubou a cena foi a múmia egípcia. Os atores caracterizados se integravam perfeitamente aos cenários. Normalmente, as crianças viam os atores parados ou se mexendo pouco, escutavam uma explicação dos monitores, e depois interagiam com os personagens históricos. “Mas a múmia roubava a cena e a atenção das crianças para os monitores do museu. Toda vez que ela se mexia, as crianças se distraíam e esqueciam de prestar atenção no que estava sendo ensinado”, lembrou rindo a paleontóloga Luciana Barbosa, outra organizadora do evento. Junto com uma equipe, o diretor do Museu Nacional, Sérgio Alex de Azevedo, acompanhou, filmou o evento e gravou em formato DVD. “Já verificamos o fascínio que a múmia exerceu sobre os estudantes. Numa próxima edição temos que pensar em colocar a aparição da múmia somente após a explicação do monitor”. Sérgio Alex espera que o DVD possa servir para divulgar o projeto em outras escolas e junto à iniciativa privada, para que no futuro, o evento possa se tornar parte do calendário oficial de atividades do museu.

           

         À noite, os estudantes vivenciaram uma experiência inesquecível 

O projeto “De Pijama no Museu” também contou com outras atrações, como a identificação de meteoritos, teatrinho com o mito de Osíris para contar a história do Egito, uma índia contando uma lenda indígena antes da realização de um ritual indígena por um pajé, além de atividades como identificar fósseis de peixes por meio de um kit pesquisador, composto de um livrinho, um quebra-cabeças e uma lanterninha. “No caso do teatro egípcio, as crianças aprenderam sobre um dos povos mais antigos e misteriosos do mundo por meio de muito humor e alegria proporcionada pelos atores caracterizados e em ótimas atuações. Já a identificação de meteoritos também os emocionou e os fez se sentirem como verdadeiros cientistas mirins”, recordaram as paleontólogas Luciana e Deyse.


Apesar da experiência de passar uma noite num museu de história natural já ser bastante comum e acontecer frequentemente e com bastante sucesso em países como Inglaterra e Estados Unidos, foi a primeira vez que a atividade acontece no Brasil. Até então, a experiência mais similar realizada no País era levar crianças para passar uma noite observando as estrelas, como já ocorre em alguns planetários do Brasil. “As crianças que participaram do evento certamente serão mais sensíveis às questões científicas no futuro. Elas aprenderão sobre museu de uma forma nova, descobrirão que, apesar do fascínio que os dinossauros exercem sobre elas, há muito mais do que isso aqui: há múmias, índios, civilizações antigas e/ou milenares. Muitos destes personagens inclusive, podem despertar o interesse infantil em se tornarem os cientistas do amanhã”, concluiu o paleontólogo Alexander Kellner, que idealizou e formulou o projeto.

Para o diretor-presidente da Faperj, Ruy Marques, esta é uma das formas mais adequadas para se difundir e popularizar a ciência e tecnologia. “É por meio das crianças que o ‘espírito do cientista’ pode ser mais facilmente difundido. Apesar de o projeto De Pijama no Museu ser direcionado exclusivamente às crianças, os pais também participam diretamente e vibram com a inédita oportunidade. Iniciativas assim devem ser continuamente estimuladas. Quero parabenizar o cientista Alexandre Kellner e toda sua equipe pela brilhante ideia e estimulá-lo a levá-la adiante, reunindo outros grupos de crianças que, certamente, muito se beneficiarão.” A expectativa dos organizadores é de que essa atividade possa se tornar rotineira no Museu Nacional e que sirva de modelo para ações semelhantes em outros museus.

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