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Publicado em: 04/09/2008

Cultivo de uvas ganha força no interior fluminense

Rosilene Ricardo

 Divulgação/Uenf

        
    Uvas coletadas pela família da produtora Hespanhol Viana



Um grupo de pesquisadores da Uenf, coordenado pelo pesquisador Ricardo Bressan-Smith com apoio do edital Apoio à Inovação Tecnológica da FAPERJ, vem se dedicando a pesquisas voltadas ao estudo da videira  – planta onde nasce a uva – em sistema de cultivo protegido, utilizando cobertura das áreas com toldos de plástico transparente. O sistema protegido apresenta várias vantagens comparadas ao sistema convencional – que não usa cobertura. São elas: melhor crescimento das plantas, redução no consumo de água para irrigação, redução significativa no uso de agrotóxicos e melhor qualidade das uvas, por estas não estarem expostas às chuvas torrenciais que ocorrem no verão. O projeto encontra-se em fase de implantação e tem como meta cultivar um hectare (10.000 m) de uva protegida até o final do ano.


O projeto surgiu da união dos esforços do grupo coordenado por Bressan-Smith, que ainda conta com os pesquisadores Alexandre Pio Viana, Celso Pommer, Eliemar Campostrini, Alena Torres Neto, Vanildo Silveira, Jurandi Oliveira e Marcelo Gomes da Silva, à produtora rural Neuza Maria Hespanhol Viana, como forma de introduzir a tecnologia do cultivo protegido em videira. De acordo com o pesquisador, a tecnologia foi sugerida somente após observações detalhadas sobre a grande potencialidade que a cultura da uva tem para aquela região. “Na propriedade da Neuza, alcançamos excelente produtividade e qualidade, mesmo sem proteção da uva Niagara Rosada, que é uma uva tipicamente de mesa muito apreciada pelo consumidor Brasileiro”, afirma Bressan-Smith.

No Brasil, devido à tradicional produção de uvas e vinhos nas regiões de clima mais frio, localizado ao sul do Brasil, é comum para a maioria da população a crença de que a viticultura – cultivo de uvas – só é possível de ser realizada em regiões frias. No entanto, esta crença não é verdadeira. O que ocorre é que a videira evoluiu em regiões que apresentam períodos de inverno rigorosos, mas a planta apresenta grande adaptação a diversas condições climáticas. A maior prova disso é o grande pólo produtor do Vale do Rio São Francisco, localizado no nordeste do Brasil, entre os estados da Bahia e Pernambuco, que apresenta altas temperaturas durante todo o ano. Nesta região, são produzidas, atualmente, uvas de mesa de alta qualidade, abastecendo os mercados interno e externo, além de uvas para vinhos finos.

Divulgação/Uenf 
    
Cultivo de uvas tem se tornado
uma realidade no estado do RJ
 

No norte do Estado do Rio de Janeiro, pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) e produtores vêm se dedicando a estudos relacionados à adaptação da videira àquela região. Atualmente, já há vinhedos nos municípios de Cardoso Moreira, São Fidélis e Bom Jesus do Itabapoana, somando um total de aproximadamente 8 hectares plantados, principalmente, com as variedades Niagara Rosada, Itália e a variedade Clara.

Estudos realizados na universidade mostram que a variedade de uva conhecida como Isabel também é apta ao cultivo na região, e bastante promissora por causa da sua utilidade para confecção de sucos e geléias, além de servir para a produção de vinhos de mesa. “No momento, estamos iniciando os estudos com algumas variedades de mesa potenciais como a Tieta, a Romana e a Clara, que não possuem sementes, uma tendência do mercado mundial. Em relação à Clara, há uma propriedade no município de Bom Jesus do Itabapoana, Noroeste Fluminense, com 1,5 hectares (15.000 m), que deverá iniciar a produção no próximo ano”, adianta o pesquisador.

O pesquisador da Uenf explica ainda que uma região, para ter condições climáticas adequadas para a uva de mesa, precisa, antes de tudo, de uma excelente incidência de raios do sol. “A videira é uma planta muito vigorosa. Isso se deve ao fato de possuir um bom estoque de reservas energéticas em seus ramos, que por sua vez são derivadas da fotossíntese – processo químico onde as plantas produzem sua própria energia por meio da captação de luz solar”, explica Bressan-Smith. “Um regime térmico adequado, com temperaturas altas, que não sejam prejudiciais, é altamente favorável para esse tipo de cultura. Quanto ao solo, os pesquisadores adotaram a adubação convencional, seguindo as recomendações de outras regiões produtoras, fazendo as devidas correções para o solo dos municípios estudados e condições climáticas”, acrescenta.

Ricardo Bressan-Smith, ressalta também que o fato de não convivermos com invernos rigorosos como no Rio Grande do Sul, possibilita a realização de duas colheitas ao ano: uma no verão e outra no inverno. Já no sul do país, as condições climáticas só possibilitam uma colheita: no verão. A possibilidade de produzir duas safras anuais confere ao viticultor – produtor de uvas - obter maior produção e ainda manejar sua produção para que a colheita coincida em um período de menor oferta do produto, alcançando preços melhores.

Outro ponto destacado pelo pesquisador é o enorme mercado consumidor da Região Metropolitana do estado do Rio de Janeiro, que importa 100% das uvas consumidas de outros estados, ou mesmo de outros países. “É preciso que o produto tenha qualidade na sua comercialização para que possamos ter uma certificação de qualidade, e competir com os produtos de outros estados. “Vejo a viticultura como uma atividade agroindustrial de impacto para o estado, especialmente para o Norte e Noroeste do estado, com possibilidades reais para se tornar um pólo produtor de uvas. Para isso, ainda é preciso que técnicos sejam formados para atender a uma possível  demanda de produtores no futuro”, finaliza.

Imigrantes europeus implantaram o cultivo da uva no sul do Brasil

Divulgação/Uenf 

        
    Cachos de uvas em desenvolvimento: cultivo da fruta foi
    implantado no sul do país em 1872 por imigrantes italianos
No Brasil, a uva foi trazida por Martim Afonso de Souza, em 1532, na Capitania São Vicente, mas não vingou devido às desfavoráveis condições climáticas. Retornou mais tarde pelas mãos dos jesuítas e seu plantio foi novamente experimentado na região das Missões, no Rio Grande do Sul, mas também não deu certo. Somente em 1872, com a chegada dos imigrantes italianos, na região da Serra Gaúcha, as uvas começaram a nascer. Imigrantes do Norte da Itália trouxeram na bagagem enxertos de videiras de excelente procedência, além de muita experiência na arte de cultivar a parreira e produzir excelente vinho. Alguns especialistas acreditam que as uvas já existiam há dois milhões de anos e, sendo assim, o homem arcaico teve acesso a elas, mesmo que não soubessem produzir o vinho.

A história da uva na Serra Gaúcha começa em 1875, ano em que chegaram as primeiras levas de famílias imigrantes, vindas das províncias do Norte da Itália. As mudas de videiras trazidas pelos italianos logo começaram a cobrir os vales e encostas da região. Em poucas décadas a viticultura tornou-se a principal atividade econômica. Com o grande desenvolvimento do setor vinícola, surgiu a idéia de se realizar em Caxias do Sul uma exposição de uvas, de caráter festivo. E no dia 7 de março de 1931 se realizava a primeira Festa da Uva, com duração de apenas um dia, no centro da cidade. No ano seguinte, a festa foi ampliada, com a montagem de pavilhões de exposições na praça Dante Alighieri, centro da cidade, e hoje a festividade se estende por uma semana

No ano de 1920, eram cultivados na Região dos Vinhedos mais de 11 mil hectares de videiras, área que passou para 25 mil hectares em 1950 e chegou a quase 50 mil hectares na década de 70.Com o grande desenvolvimento do setor vinícola, surgiu a idéia de se realizar em Caxias do Sul uma exposição de uvas, de caráter festivo. E no dia 7 de março de 1931 se realizava a primeira Festa da Uva, com duração de apenas um dia, no centro da cidade. No ano seguinte, a festa foi ampliada, com a montagem de pavilhões de exposições na praça Dante Alighieri.Também em 1932, foi organizado o primeiro desfile de carros alegóricos da Festa da Uva. As alegorias passavam pelas ruas centrais da cidade, puxadas por carros de bois. Na terceira edição, em 1933, foi instituído o concurso da escolha da rainha da Festa da Uva. Através de um pleito de cunho popular, foi escolhida a primeira rainha da festa: Adélia Eberle, com 5.934 votos, ficando outros 5.500 votos do concurso divididos entre as demais candidatas.

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