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Publicado em: 07/11/2014

Homenagem a Eduardo Penna Franca

Olaf Malm*

Texto publicado pelo Boletim da Acadêmico (Ano VI, n 251) da Academia Brasileira de Ciências, em 30 de agosto de 2007

Aluno brilhante na escola secundária e na universidade (Escola de Química da Universidade do Brasil), Eduardo Penna Franca muito cedo se decidiu pela Química. Mas foram os ultra-sensíveis e precisos métodos físicos para quantificar os elementos radioativos que o fascinaram. A seguir, a exposição humana a radiação foi seu maior desafio.

Logo depois de formado, em 1949, iniciou um estágio no Instituto Oswaldo Cruz (IOC, hoje Fiocruz) para purificação de fármacos. Tendo perdido o pai em 1950, passou a trabalhar à noite em cursos pré-vestibular para ajudar a mãe e aos irmãos menores, atividade que exerceu por muitos anos.

Em 1952, conseguiu um emprego como auxiliar de pesquisador no IOC, mas enfrentava dificuldades de espaço mesmo para aprender técnicas novas. O distanciamento dos professores catedráticos sempre o incomodou. O diretor do IOC lhe ofereceu então a oportunidade de concorrer a uma bolsa do CNPq para treinamento de dois anos nos EUA com aplicações de radioisótopos em pesquisas biológicas. Os reatores nucleares que tinham sido construídos durante a 2 Guerra para chegar à produção de bombas passaram a ser usados para produção de radioisótopos, e a Comissão de Energia Nuclear dos EUA criou o programa Átomos para a Paz, que incentivava o uso de radionuclídeos em pesquisas. Foi um tempo de grande atividade e aprendizado, em que foi selecionado para estágios na Columbia University, no Brookhaven National Lab e na Western Reserve University em Ohio.

O retorno ao Brasil foi traumático. Houve mudanças no IOC e não sabiam o que fazer com os funcionários retornando do exterior, e o deixaram com uma mesa, uma cadeira e meses para escrever um relatório de viagem. Neste momento, então, Carlos Chagas Filho ‘descobriu' Eduardo no IOC e o convidou para trabalhar em pesquisas como prestador de serviços, o que ocorreu no início de 1956. A implantação de um laboratório para radioiótopos e a formação de pessoal capacitado foram os seus primeiros desafios.

Trabalhar diretamente com o Prof Chagas permitiu a Eduardo Penna Franca conhecê-lo de perto e admirar sua personalidade. Ouvir as impressões dos pesquisadores experientes com a mesma atenção que dava às de um novo estagiário e fazer elogios na hora certa foram traços de Chagas que marcaram Eduardo. O chá das cinco, todos os dias, era o ponto de encontro para se discutir os experimentos, e fazia os membros da equipe se sentirem tão estimulados a ponto de muitas vezes trabalharem noite adentro e nos fins de semana.

Em julho de 1956 foi oferecido o 1 Curso de Metodologia de Radioisótopos e foram selecionados 30 alunos de todo Brasil, além de dois sul-americanos. O curso se tornou regular, repetindo-se até a década de 90 e pode ser considerado uma marca de Eduardo em sua carreira, pois todos os que o freqüentaram têm lembranças as mais entusiásticas, quase eufóricas. Eu posso me classificar como um destes. Inúmeras clínicas de Medicina Nuclear se estabeleceram a partir de alunos formados no Instituto de Biofísica.

A partir dos anos 50, testes com artefatos nucleares geraram uma preocupação global e fizeram com que a Organização das Nações Unidas criasse um comitê para se estudar os efeitos globais da radiação atômica (UNSCEAR). O Brasil foi membro nato, sendo o Prof. Chagas seu primeiro representante. Entre 1978 e 1991, Eduardo Penna Franca exerceu este cargo, quando então se iniciaram relações de colaboração com diferentes grupos de pesquisa internacionais: americanos, suecos, suíços e alemães, dentre outros.

A partir de 1956, em colaboração com pesquisadores da PUC-RJ, Eduardo se direciona aos estudos do trânsito de elementos radioativos no ambiente, biota e homem em áreas de alta radioatividade natural, linha de pesquisa em que foi pioneiro no Brasil e na qual se manteve até meados dos anos 90. Guarapari/Meaípe, Araxá, Poços de Caldas (Morro do Ferro) e a avaliação pré-operacional ambiental dos arredores da usina atômica de Angra dos Reis foram algumas das áreas investigadas.

Eduardo Penna Franca foi, depois de Carlos Chagas Filho, o diretor com maior tempo de mandato no IBCCF e por muitos considerado o mais inovador. Outras atividades administrativas e de direção científica foram exercidas com grande êxito por Eduardo na Fundação BioRio e na Faperj. O título da Ordem do Mérito Científico e de Professor Emérito, como tantos outros, vieram naturalmente.

Eduardo faleceu no dia 20 de agosto de 2007, com 80 anos de idade, deixando esposa (Heloisa), 4 filhos (Ana, Vânia, Nahyda e Luiz), e inúmeros admiradores.

*Chefe do Laboratório de Radioisótopos Eduardo Penna Franca e diretor do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ

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