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Publicado em: 06/11/2002

Microfósseis da degradação

Marina Lemle

Quanto mais matéria orgânica, menos oxigênio. Quanto menos oxigênio, menos vida. Ou, digamos assim, menos vida normal. A poluição da Baía de Guanabara afeta a microfauna do ambiente e permite que apenas espécies oportunistas, capazes de se adaptar a ambientes anormais, se desenvolvam. O censo e a identificação de microfósseis da Baía é uma forma de se avaliar o grau e o tipo de poluição do ecossistema. O estudo desses organismos como bioindicadores foi um dos temas do workshop “Baía – Diagnóstico ambiental da Baía de Guanabara e regiões adjacentes”, evento multidisciplinar que visa a integrar estudos nas áreas de geografia, geofísica, geologia e biologia. O encontro aconteceu em 12 e 13 de novembro, no Instituto de Geociências da UFRJ, na Ilha do Fundão.

A Baía de Guanabara tem sofrido muitas modificações com a ocupação humana desde 1500. Aterros e assoreamentos diminuíram significativamente a sua área e diversos manguezais, praias e lagunas foram destruídos. Somando-se a isso, o lançamento de enorme quantidade de lixo, esgotos orgânicos domésticos e dejetos industriais contribuem para a sua eutrofização.

 

No workshop, pesquisadores de várias universidades e centros de pesquisa divulgaram a eficácia da geologia integrada à biologia na pesquisa das causas e efeitos da poluição em escala temporal. Segundo a professora Claudia Gutterres Vilela, do Departamento de Geologia da UFRJ, hoje se tem o resultado do presente. No futuro, a avaliação de amostras de sedimentos retirados de camadas profundas permitirá a datação e o estudo da microfauna desde a fase pré-descobrimento. “Conhecendo a evolução, será possível monitorar programas de despoluição”, afirma. Os estudos integrados podem ser de grande valia a órgãos públicos e empresas de gestão ambiental.

Bioindicadores da poluição

A professora explica que morfologias anormais de microfósseis confirmam que o ambiente está sob grande estresse. “O workshop é uma oportunidade para se comparar e integrar os resultados da geologia e da biologia. Hoje os órgãos de meio ambiente trabalham apenas com dados de biologia”, afirma Claudia, uma das organizadoras.

Pequenos organismos tais como os protistas foraminíferos e dinoflagelados e o pequeno crustáceo ostracode são usados como bioindicadores em projetos de diagnóstico e monitoramento ambiental. A análise é feita através da sua carapaça, que fica deformada quando o meio está desequilibrado. As vantagens de se usar estes organismos como bioindicadores são seu tamanho pequeno, sua conservação nos sedimentos após a morte, a alta diversidade, os curtos ciclos de reprodução e crescimento e as respostas características das espécies às condições ecológicas.

 

O estudo das associações, diversidade, distribuição e deformidades dos microfósseis é integrado a análises geoquímicas de metais pesados, hidrocarbonetos derivados de petróleo e matéria orgânica, obtendo-se resultados e interpretações bem precisos na determinação ambiental. Trata-se de uma abordagem multidisciplinar que envolve vários grupos de pesquisa na UFRJ, UFF, UERJ e USP e conta com o apoio da FAPERJ através de programas como o Cientista do Nosso Estado e bolsas de iniciação científica para alunos de graduação em Geologia, Geografia e Biologia.

 

Uma das pesquisas realizadas nessa área por um aluno de graduação do Departamento de Geologia da UFRJ mereceu o prêmio de melhor trabalho do Centro de Ciências Matemáticas e da Natureza (CCMN) da Jornada de Iniciação Científica da UFRJ de 2001.

 

Antonio Sanjinés, bolsista de iniciação científica da FAPERJ durante dois anos, analisou foraminíferos bentônicos retirados de sedimentos de fundo para que, através da caracterização desta microfauna, possa ser feito um controle ambiental. As amostras, coletadas em novembro de 1999, abrangem toda a baía, que foi subdividida em seis regiões: uma no sul (entrada), três na porção central, entre o Rio e Niterói, e duas no norte (fundo).  

 

O tamanho das carapaças e seu estado de preservação variaram conforme a área analisada, indicando graus e tipos diferentes de poluição por região. Na entrada e no centro, a diversidade de espécies é maior do que no norte da baía. Quanto mais próximo ao fundo, menor a biodiversidade (gráficos abaixo - carbono orgânico total (COT) e diversidade).

 

Foram identificadas como dominantes as espécies Ammonia tepida, A. parkinsoniana, Buliminella elegantissima, Quinqueloculina seminulum, Textularia earlandi e espécies do gênero Elphidium. A presença destes microfósseis caracterizam a baía como ambiente sujeito a estresse.

 

 

Workshop multidisciplinar

 

O evento multidisciplinar teve palestras, mesas redondas com debates e sessões pôster, que abordaram os seguintes temas: geologia no diagnóstico e monitoramento ambiental, sedimentologia, geoquímica orgânica e inorgânica, micropaleontologia: foraminíferos, ostracodes, diatomáceas, microgastrópodos, palinomorfos, hidrogeologia, geofísica. Outras informações estão no site www.geologia.ufrj.br/workshopbaia/

 

Primeiro livro editado pela FAPERJ foi sobre a Baía de Guanabara

 

Em 1994, a FAPERJ editou seu primeiro livro, uma coletânea de reportagens sobre a Baía de Guanabara feitas por 14 jornalistas especializados em ciência e tecnologia que participaram do II Curso de Jornalismo Científico, promovido pela instituição.

 

"Retratos da Baía", editado pelo professor do curso Edvaldo Pereira (USP) e pela coordenadora do Núcleo de Difusão Científica e Tecnológica da Faperj, Dominique Ribeiro, aborda problemas ambientais, iniciativas de despoluição, projetos de pesquisa desenvolvidos por universidades do Rio de Janeiro e a cultura produzida tendo a Baía como fonte inspiradora. O livro está esgotado no acervo da Faperj.

 

Conheça outros livros editados pela Faperj.

 

 

 

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